Domingo, 26 de Maio de 2019
Vida

Sangue novo: Médico estreia coluna em fevereiro no V&E

Reconhecido como um dos grandes nomes da medicina brasileira na atualidade, o endocrinologista fala com exclusividade ao A CRÍTICA



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Filippo Pedrinola é graduado pela Universidade de São Paulo há 25 anos, trabalhou com pesquisas sobre o câncer de tireóide nos EUA; defendeu o doutorado na USP e ultimamente é um dos maiores especialistas brasileiros sobre o problema do estresse
19/01/2013 às 19:43

A partir de fevereiro, o caderno Vida & Estilo passa a contar com um integrante de peso em sua equipe de colunistas. Filippo Pedrinola, um dos grandes nomes da medicina brasileira na atualidade, passa a assinar a coluna de Saúde do caderno duas vezes ao mês. Precursor no País da chamada Medicina Integrativa, que combina métodos convencionais de tratamento a técnicas complementares como ioga e shin shiatsu, ele ficou famoso por participações em programas de tevê e é conhecido como o “médico preferido das celebridades”, informação que ele não confirma, porém não nega. Seus spas (dois no Brasil e um no Uruguai) são pontos de encontro para quem quer o melhor em termos de conforto e qualidade de vida. Para a edição deste domingo, o médico concedeu uma entrevista exclusiva à reportagem de A CRÍTICA, falou sobre sua primeira coluna num jornal da região Norte e alertou: “Estamos numa era de doenças de estilo de vida”.

O que o público amazonense pode esperar de sua coluna o jornal A Crítica?

Eu acho muito interessante aproveitar esse espaço para falar sobre medicina integrativa – união da tecnologia da medicina convencional à medicina complementar, técnicas reconhecidas pela medicina como complementares (ioga, acupuntura, shin shiatsu, técnicas de relaxamento, hipnose, etc.). E também investir muito em prevenção. Estamos numa era de doenças de estilo de vida. 80% das doenças crônicas - diabetes, hipertensão, infarto, derrame, etc. – estão ligadas a maus estilos de vida, ou seja, 80% dessas doenças são evitáveis e 40% dos cânceres também só em função da mudança no estilo de vida. Se você tivesse alguma pílula cujo efeito fosse reduzir em 80% o risco de doenças crônicas e 40% o risco de câncer, todo mundo tomaria. E essa pílula está na nossa mão!

É verdade que você faz tudo o que recomenda aos seus pacientes. Esse é o segredo de ter mais de 40 com aparência de menos de 30?

(Risos)... Eu acho que é natural que o paciente se espelhe um pouco no médico. Um médico barrigudo, desleixado, a pessoa não vai dar o mesmo crédito. O ditado ‘faça o que eu digo, não faça o que eu faço’ não funciona pra mim. Faço sim o que proponho para os meus pacientes.

Ultimamente você faz parte do quadro “Transformação”, no programa da Xuxa e tem ficado bem conhecido. Como é lidar com esse assédio?

Na verdade, nem seria tanto um assédio, mas sim no bom sentido. O quadro tem esse nome porque o que eu proponho é mesmo uma transformação de estilo de vida. Vejo o programa como uma oportunidade para oferecer informações úteis para pessoas que muito provavelmente não teriam acesso àquelas informações.

Há um artigo na Internet que diz que quem manda na sua clínica é o paciente. Procede?

Não é bem assim (risos). Eu me lembro quando saiu isso. Na verdade, quem conduz é o medico, mas eu acho que o repórter quis dizer que o paciente tem que assumir a responsabilidade pela própria saúde. Responsabilidade de ir modificando comportamentos errados: alimentação, atividade física, controle dos níveis de estresse. O nosso objetivo é despertar na pessoa pra que assuma essa responsabilidade. O principal médico é o que está dentro de cada um.

Ser médico também tem a ver com partilhar o conhecimento. E para isso, é preciso ter certo “jeito pra coisa”? Para levar a medicina para as pessoas, também tem que ter simpatia?

Eu acredito muito nisso. Gosto muito de fazer consulta, do contato com paciente, olhar no olho... e acho que a medicina, com o passar do tempo e até pela super-especialização a que foi sendo levada, acabou desumanizando um pouco. A parte técnica, é preciso saber, mas consultório também é a arte do bom relacionamento. A relação médico-paciente era muito prezada nos primórdios da medicina e se perdeu um pouco ao longo do tempo. Resgatar um pouco disso é muito importante, o médico tem que sair do pedestal e ter um contato mais humano e isso é bom pra ambas as partes.

Você fala muito sobre a questão do estresse como fundamental à qualidade de vida e à saúde do indivíduo. Qual a real importância de se controlar o estresse?

Das dez doenças que mais matam, sete delas estão ligadas direta e indiretamente ao estresse. 50 a 70% das consultas são motivadas por sintomas ligados ao estresse, segundo dados do ISMA (International Stress Management Association). E segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 80% das doenças crônicas estão ligadas ao estresse. No entanto, o estresse nem sempre é ruim. Pode ser bom, chamado de eutress. E ainda tem mecanismos internos de vida que podem compensar o estresse. Em certo nível, aumenta a capacidade de realizar tarefas (superação). E tem o estresse ruim, que é o que pode acarretar em doenças.

E há como evitar o estresse?

Evitar o estresse não tem como, a não ser que você vá morar no Tibete. É [preciso] se adaptar bem a ele. Chama-se resiliência – capacidade de se adaptar a situações difíceis e até tirar proveito delas. O importante é ter recursos pra reagir bem a esse estresse. Gerenciamento do nível de estresse. Hoje em dia a vida cotidiana gera estresse, mas bons amigos, boas relações familiares, alimentação, preocupação com saúde emocional, espiritual, atividade física, tudo isso desenvolve mecanismos de resposta ao estresse. Antídoto à resposta de estresse é a resposta de relaxamento.

Você é apontado como sendo o “médico das celebridades”. Você atende muita gente famosa?

Na verdade, o CFM (Conselho Federal de Medicina) publicou um livro sobre ética médica na mídia e uma das coisas que somos proibidos de falar é o nome de pacientes famosos, pois isso pode caracterizar autopromoção. Até gostaria, mas não posso. Atendo sim, mas é a minoria e procuro tratar todos da mesma maneira, sendo famoso ou não.

Há na rede um artigo que o chama de o médico da dieta “south beach” no Brasil? O que você acha disso?

(Risos). Não é bem isso. ‘South beach’ é uma dieta que virou moda. Um médico americano lançou um livro sobre a dieta e quando ele foi lançado no Brasil, me chamaram para escrever a contracapa. Ensina como diferenciar proteínas e carboidratos bons dos ruins. Mas o que fiz foi apenas escrever a contracapa.

O que você acha a respeito dessas dietas da moda?

Se funcionassem não iriam inventar tantas e superar o tempo todo. São dietas muito restritivas, a alguns grupos alimentares específicos. Algumas são menos piores do que as outras. Fazem efeito apenas a curto e médio prazo.

Deixe uma mensagem para os leitores do Jornal A Crítica, onde você estreia coluna em fevereiro.

É um prazer enorme poder fazer parte dessa coluna num jornal tão importante como o Jornal A Crítica. Vejo como grande oportunidade e também como um grande desafio poder passar informações para as pessoas e que alguém possa, com essas informações, fazer a diferença na sua vida.

Quem é Filippo Pedrinola?

Sou médico. Clínico geral, endocrinologista. Formei há 25 anos pela USP, fiz parte da pós-graduação fora do Brasil (EUA), trabalhei em pesquisa em câncer de tireóide. Em 1998 defendi minha tese de doutorado pela USP. Pais de dois filhos, um casal, de 14 e 12 anos, a melhor coisa que aconteceu na minha vida.


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