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TEATRO

Saúde mental é tema de peça teatral em cartaz a partir de 4 de novembro no Largo

O espetáculo teatral “Bonum & Malum” será apresentada em todos os domingos de novembro com o objetivo de propor discussões empáticas e promover reflexões sobre o cuidado com a mente 27/09/2018 às 11:49 - Atualizado em 27/09/2018 às 12:16
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Divulgação
Laynna Feitoza Manaus (AM)

"Qual o inferno de um suicida?". Esse foi o principal questionamento a nortear o projeto do acadêmico de teatro Iogan Ariel, chamado “Bonum & Malum”, de um coletivo independente de teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O espetáculo teatral vai estrear no dia 4 de novembro, sempre às 17h30, no Largo São Sebastião. A peça será apresentada em todos os domingos do mês de novembro, com o objetivo de propor discussões empáticas e promover reflexões sobre o cuidado com a mente. 

"Bonum & Malum" começou a ser escrito quando a crise depressiva de Iogan estava no auge. "E, como artista que sou, transformei minha inquietação em arte. Assim surgiu nasceu uma dramaturgia que expõe o diálogo de dois seres que clamam por empatia, mas são incapazes de tê-la pelo próximo. Um reflexo nosso, como seres humanos. Atores que não sabem atuar e artistas que não sabem amar", declara o diretor do espetáculo.

A estética, composta por iluminação, cenografia e figurino, foi inspirada no trabalho do diretor Robert Wilson, um dos maiores nomes do Teatro do Absurdo atualmente. "Em especial porque o espetáculo não só bebe dessa linguagem, mas mergulha nela para expor de forma cômica e solene nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro", comenta ele. A sonoplastia viaja para a era vitoriana. "De onde a estética também se inspira, nos colocando entre valsas e boleros", complementa Ariel. 

História

O enredo do espetáculo aborda a relação abusiva de dois seres antônimos e complementares que buscam o equilíbrio, apesar de tenderem a ser partidários e extremos. "O relacionamento deles se torna mais intenso ao notar-se que ambos na realidade são facetas diferentes de um mesmo ser. Isso gera um ciclo eterno de abuso, enquanto há um clamor por empatia dentro dele. Como acredito que, em praticamente todo conflito se precisa de empatia para ser resolvido, creio que o espaço aberto é um ótimo meio para propagar essa ideia de forma democrática e acessível", justifica Iogan, sobre o fato da exibição da peça ser em praça pública. 

Ainda de acordo com o diretor, o nome do espetáculo surgiu do yin-yang, do equilíbrio das forças. Bonum é o latim para "bom" e malum é para "mau". "O motivo pelo qual foi escolhido o latim para essas palavras, foi para representar que as relações abusivas nos acompanham desde o início de nossa comunicação, já que o latim foi uma das primeiras línguas da humanidade sendo amplamente difundidas graças ao cristianismo, ue também utiliza-se do conceito de antônimos como bem e mal, céu e inferno, Deus e Lúcifer", abrange o diretor teatral.

Após os trabalhos de remontagem, mudança de elenco e amadurecimento do texto, Iogan compreendeu, juntamente com todos os artistas que participaram do desenvolvimento do projeto, que ambos os personagens vivem situações de incompreensão e desejam ser entendidos e acolhidos. "Compreendi que a intolerância existente no diálogo deles está em diversos outros âmbitos além da depressão: está na relação de pai e filho, entre namorados, professores e alunos, subordinado e subordinante, entre amigos e etc., tornando-se um texto não sobre suicídio e depressão, mas sim sobre relações abusivas e saúde mental, onde não há uma vítima ou vilão, mas sim facetas diferentes de uma coisa só", completa Ariel. 

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