Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
Vida

Seja para protestar ou satirizar, foliões brasileiros transformam tudo em fantasia para o Carnaval

Muitos foliões têm saído do tradicional trio de fantasias, marinheiro, odalisca e enfermeira, e buscado inspirações nas mais inimagináveis notícias, emojis e novelas atuais



1.gif Com a coroa, Natália se inspirou em Sheislane Hayalla para compor o traje
08/02/2015 às 10:53

O Carnaval é a festa onde os tabus perdem força e as permissões tornam-se hiperbólicas, já dizia o poeta Vinícius de Moraes. Tantas permissões são evidenciadas, muitas vezes, pelos trajes inusitados – e por vezes bizarros - que os brincantes apresentam nos blocos e bandinhas de rua. Seja para satirizar ou protestar, muitos têm saído do tradicional trio de fantasias (marinheiro/odalisca/enfermeira) e buscado inspirações nas mais inimagináveis notícias, emojis e novelas. Porque, em período das folias momescas, a única voz que não pode se calar é a da criatividade.

Assim acontece com a jornalista Natália Lucas, que neste ano ia pular o Carnaval fantasiada de Marcelaine – presa acusada de mandar matar uma moça apontada como a amante do seu caso amoroso. Um fato que circulou nos jornais de todo o País. “E o meu marido ia de agente da PF. Decidimos mudar em cima da hora, depois de todo o bafafá com o concurso do Miss Amazonas 2015, onde a vice-campeã tira a coroa da vencedora e joga no chão. A história ganhou muita repercussão e está super atual. Além disso, a festa que vamos terá o concurso de fantasia, e ir de miss cai como uma luva para a disputa”, alega.



Ela afirma que gastou em média R$ 40 reais com o material. A faixa é feita com tecido TNT, franja, paetê e tinta para tecido. “O vestido eu já tinha. Vou só incrementar com uns brilhos que se compra em cartela”, destaca Lucas, que garante ter produzido o restante com mão-de-obra própria. “Costurei na máquina da minha mãe. E apesar da Sheislane (vice-campeã do concurso) não ter levado a coroa, eu comprei uma... assim vamos poder encenar o roubo da coroa da cabeça dos outros”, pondera Natália. E a jornalista emenda: “Tô até com vontade de perder o concurso só para ter que roubar a coroa ou o prêmio do vencedor”, diverte-se a jornalista.

Famoso

Neste ano, o publicitário Victor Israel vai passar o Carnaval no Rio de Janeiro, longe dos amigos da cidade. Mas ele é conhecido justamente por capitanear as produções mais engraçadas possíveis para a época de folia. Em 2012, Victor reuniu sua turma e todos foram fantasiados no contexto do caso da jornalista Mazé Mourão e sua opinião sobre os haitianos em Manaus. No ano passado, ele e a trupe foram fantasiados com base na turma do Castelo Rá-tim-bum. Mas foi em 2013 que a fantasia da equipe, inspirada no programa Esquenta, da TV Globo, alçou voos mais altos. Com direito à apresentadora Regina Casé postando uma foto dos amigos de Manaus em seu Instagram pessoal.

“O Péricles (cantor e membro do programa) tinha uma amiga aqui, que mandou nossa foto para eles. Aí ele postou no Instagram dele. Depois a Regina repostou, e todos postaram. Ela prometeu que nos levaria lá, vários produtores entraram em contato, pediram dados, mas nunca rolou. A gente desenhava, comprava tudo no Centro e levava em uma costureira”, comenta Victor. Apesar de seu grupo nunca ter ganhado nenhum prêmio pelas fantasias, ele admite que por onde passavam com os trajes recebiam ovação do público. E será que tanta criatividade é só sátira ou protesto? “Acho que mais sátira. Carnaval é muito isso”.


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