Terça-feira, 29 de Setembro de 2020
DIA DO ARTISTAS

Sem apoio de editoras, professor da UEA publica o próprio livro em Manaus

No Dia do Artista, comemorado hoje (24), A Crítica conta a história do professor de Filosofia, Victor Leandro, que decidiu autopublicar a obra ‘O Artista do Fracasso’, mesmo sem apoio de editoras e em meio a uma pandemia



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24/08/2020 às 09:49

A arte pode ser demonstrada das mais variadas formas possíveis, como na música, cinema, fotografia e, entre outras, na literatura. Mesmo sem apoio de editoras e em meio à maior pandemia do século, o professor de Filosofia da Universidade do Estado do Amazonas, Victor Leandro, decidiu dar vida à sua arte e publicar a obra “O Artista do Fracasso”, lançada em julho, sem público presente, devido às medidas de distanciamento social.

Iniciado em meados de 2019, o livro obra aborda, principalmente, um debate que o professor realiza com seu grupo de jovens escritores: o ‘Segunda Via’. De acordo com Victor, o blog Segunda Via é um site cujo compromisso se estabelece por meio da produção e divulgação de textos literários, de crítica cultural e política, nos parâmetros do marxismo.



“Creio que a principal marca é a de escrever em diálogo amplo com as manifestações literárias, não mais presos apenas aos modelos típicos de caráter da arte local. Seu objetivo é exatamente esse, promover o diálogo, produzir novas formas de intervenção estética e colaborar na discussão crítica dos processos político-culturais”, disse.

“A obrigação de toda literatura é pensar o real que a cerca. Não apenas transpô-lo, retratá-lo à maneira de um fotógrafo jornalístico, e sim perscrutar suas profundezas, navegar fundo, tornando sensível a mais básica de suas matérias. É o que exige imperativamente o esforço da escrita”, é o que afirma Victor Leandro.

Crítica literária

No livro “O artista do fracasso”, o narrador incita uma reflexão crítica sobre os atuais escritores contemporâneos. De acordo com o autor, a necessidade dessa reflexão crítica surgiu a partir dos debates promovidos inclusive na própria Universidade.

“Várias são as questões que envolvem o momento por que passa a literatura hoje, desde as suas rupturas com a tradição até o processo de produção de seu espaço na indústria cultural. São questões candentes e que ganham especificidades quando tratamos dos escritores daqui. Então a obra também foi uma possibilidade de tratar de tudo isso”, contou Victor.

Ainda na obra, o narrador se mostra insatisfeito com a desvalorização dos autores locais. Sendo um escritor local, Victor afirma que as barreiras que impedem a propagação de obras locais vão além dos motivos econômicos, mas por questões históricas inclusive.

“Essa é uma questão histórica que nos aflige. Há muitas barreiras que impedem a visibilidade dos escritores do norte, não só culturais, mas também econômicas e, num âmbito mais específico, editoriais. Assim, debater tais problemas é uma das formas de romper essas fronteiras. Há uma literatura jovem e latente surgindo aqui, mas esse movimento não é perceptível em grande escala, justamente por conta dessas dificuldades que enunciei. Como resultado, não é só a literatura local que perde, mas também a nacional, que fica cada vez mais parcial e fragmentada”, desabafou o professor.

Dia do Artista

Neste dia do artista (24), ao ser indagado sobre o sentimento de integrar esse rol especial em um país que não valoriza a arte tanto quanto poderia, ou deveria, Victor se mostra otimista e esperançoso em relação à visibilidade dos escritores do norte.

“O Brasil vive um processo de fascistização crescente, e que atinge desde as esferas mais fundamentais da vida. Desse modo, chega a ser inevitável que a arte, que dialoga com o mais profundo humanismo, seja desvalorizada e suprimida. Para o artista consciente disso, creio que a sensação que o toma é de uma ainda maior consciência de missão, que é a de que a arte precisa tomar parte dos processos transformativos do social. Portanto, o sentimento que me ocupa não é de desânimo, mas de uma longa e expressiva tarefa a cumprir e, dessa forma, encontro-me entusiasmado para ir em frente”, contou.

Sobre a visão de “fracasso” do livro “O artista do fracasso”, o autor conta que esta é uma visão subjetiva e só o leitor poderá decidir. “Ele é um sujeito que malogrou em todo, porém extraiu sua arte disso. Contudo, essa não é uma visão unânime. Já houve pessoas que me disseram que não houve fracasso nenhum. Assim, como toda obra, esta permanece aberta. Se existiu algum fracasso ou não, é só o leitor quem poderá decidir”, finalizou Victor.

Onde encontrar

Quem quiser adquirir o livro, pode comprá-lo pela Amazon com o preço de R$ 20,00 + valor do frete, ou se preferir, pode comprá-lo na Livraria Nacional, na Rua 24 de Maio, 415, Centro, pelo preço de R$ 30,00.

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Fotógrafo e repórter de A Crítica

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