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Amor sem barreiras: donos compartilham histórias de gatos e cachorros especiais

“Quando foi resgatada da rua, ela tinha sido atropelada e teve que ter a pata direita da frente amputada”, afirma a tutora da cadela Charlote, ao ressaltar que isso não impede a vira-lata de se divertir e aprontar 22/05/2016 às 07:00 - Atualizado em 10/06/2016 às 16:49
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Paraplégico, Pepe estava no CCZ e seria sacrificado. (Lucas Dantas/Divulgação)
Natália Caplan Manaus (AM)

A Internet está cheia de vídeos e fotos fofinhas de animais especiais, com milhões de visualizações e compartilhamentos nas redes sociais. Porém, nem todos estão dispostos a adotar um bichinho deficiente, ou até querem, mas não têm disponibilidade para oferecer o cuidado necessário. Entre as exceções está a família de Samantha Gorayeb, 42, que adotou a cadela Charlote, de três patas.

“Quando foi resgatada da rua, ela tinha sido atropelada e teve que ter a pata direita da frente amputada”, afirma a tutora, ao ressaltar que isso não impede a vira-lata de se divertir e aprontar. “Ela corre, pula, faz festinha quando a gente chega. No primeiro dia, fugiu dentro do condomínio. Era eu, meu marido, meu filho, a vizinha e os vigilantes correndo atrás dela”, lembra aos risos.

Segundo a gerente financeira, que tem mais dois gatos (Dexter e Gaya) e um cachorro (Lucky) salvos do abandono, a adoção não estava nos planos. Entretanto, diante do abalo emocional e idade de Charlote — os veterinários acreditam que entre sete e oito anos de vida — a família decidiu abrigá-la e se mudar de um apartamento para uma casa. Desde então, quatro anos se passaram e o amor só cresce. O filho dela, Thiago (abaixo), 15, é apaixonado. 

“Ela entrou em um processo grave de depressão, não estava aceitando bem a amputação da pata. Ela conseguiu se adaptar bem, depois de receber muito amor e carinho”, declara Samantha, ao enfatizar o efeito desses “remédios” para a cadelinha e a necessidade de vencer o preconceito. “Ela corre mais do que o Lucky, que tem as quatro patas (risos); Não existe diferença; eles são iguais. O que eles querem é amor”, completa.

Jovem herói

Apesar de ter pouco mais de quatro meses, Guerreiro já conheceu o lado sombrio do ser humano. O cachorrinho ficou cego, após ser agredido. Agora, está sob o cuidado de Caio Henrique da Silva, 15. O rapaz, que já tirou 18 animais das ruas, o salvou no momento em que um grupo de pessoas tentava arrancar o olho esquerdo do filhote. 

“Eu estava andando na rua, à noite, e tinha muitas pessoas ao redor do filhote, tentando tirar o olho dele. Disseram que tinha sido mordido, mas não havia sinais disso. Acho que alguém bateu nele, não foi mordida. É visível que ele sofreu maus tratos. Então, eu me dispus a levá-lo para casa”, conta.

Gatos vítimas da maldade

Tonzinho e Oncinha são dois gatos especiais, com histórias um pouco parecidas. Ambos foram resgatados pela presidente do Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Pata), Joana D’arc, 26. O primeiro sofreu perfurações na barriga (maldade de alguém mesmo) e atropelamento, ficando com as patas traseiras paralisadas; enquanto a fêmea (abaixo) foi vítima de negligência e tem seqüelas neurológicas.

“O Tonzinho era filhote e foi encontrado em 2010. Foi meu primeiro contato com animal deficiente. Mas se adaptou e, mesmo se arrastando, vive fazendo artimanhas. A Oncinha estava agonizando há três dias, por restrição de comida e água, que resultou em função hepática irregular. Ela não consegue correr e pular muito alto; perdeu a agilidade comum dos gatos”, explica.

O macho pertence à advogada, que está em busca de um lar seguro para Oncinha. Porém, de acordo com ela, é preciso cuidado maior na hora de escolher adotantes. Segundo Joana, apesar de não ter problemas mais graves, como convulsões, ou paralisia, a gata de cerca de 1 ano de idade requer atenção e cuidados diferenciados em relação aos felinos saudáveis.

“Esses animais, que têm algum tipo de deficiência, precisam de amor redobrado. Cada um tem uma dificuldade, mas nada tão trabalhoso. Geralmente, o animal com algum tipo de deficiência é mais apegado ao dono, porque não consegue ser tão independente”, enfatiza.”No caso da Oncinha, ela precisa comer ração de qualidade em horários definidos e não ser deixada em locais altos”, conclui.

Blog Mariana Lovitto, empresária, dona de Pepe

Em abril de 2012,  soube do caso do Pepe. Na época ele tinha 6 meses e estava no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Ia ser sacrificado. Paraplégico, provavelmente foi vítima de maus-tratos ou atropelamento. Ele não urina sozinho, então, três vezes por dia eu preciso apertar sua bexiga. Ele já passou por sessões de acupuntura e fisioterapia. É um dos 17 animais cuidados por mim, entre cavalos, gatos, coelhos e cachorros. Pepe é o amor da minha vida e ele quem me salvou.

 

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