Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
PETS

Sem medo: raça American Pit Bull Terrier era chamada de 'cão-babá'

Apaixonados enfrentam preconceito e defendem pit bulls com fotos de ‘derreter’ o coração até de quem não gosta de animais



ZVIDA0706-009F.jpeg Manuela, 1, filha de uma integrante do Clube do Pitt Bull, com a cadela Bellatrix, 4, em campanha fotográfica contra o preconceito (Foto: Ingrid Benton/Divulgação)
05/08/2017 às 14:28

Quem tem um peludo de quatro patas, costuma dizer que “o cachorro é o melhor amigo do homem”. Houve uma época, inclusive, que um deles foi eleito “cão-babá”, companhia ideal para crianças. Estamos falando do American Pit Bull Terrier, o segundo cachorro mais paciente e tolerante — de acordo com pesquisas —, atrás apenas do Golden Retriever.

“A raça é dócil, criada e conhecida antigamente como ‘cão-babá’. Não existia nenhuma mais aconselhável para crianças. Ninguém nega que houve acidentes com a raça. Porém, você não pode julgar 99,9% por causa desse 0,1%. Falamos sempre ‘conheça antes de julgar’”, diz a presidente do Clube do Pit Bull Manaus, Andrea Guedes.



Ela é dona de Bellatrix, 4, uma das “modelos” da entidade na luta contra o preconceito. A cadela convive harmoniosamente com três irmãos gatos e um cão sem raça definida de menor porte e participa de ação em escolas, inclusive, com crianças autistas, e sempre conviveu bem com outras pessoas e animais.

“Fazemos vários eventos, sempre levamos os cães para passeios, em escolas e mostramos que não é a raça, mas como você cria. Temos uma tríade, uma receita, para criar um ‘cão perfeito’: exercícios, disciplina e amor. A Bellatrix tem tudo isso, é adestrada e recebe muito carinho”, enfatiza a dirigente.

Flores e doçura

E foi justamente para derrubar o estereótipo ruim que a fotógrafa francesa Sophie Gamand criou o “Pit Bull Flower Power”. Defensora dos animais, ela registra os cachorros da raça com coroas de flores na cabeça para que as pessoas vejam a doçura deles, incentivando-as a adotá-los. Em entrevista à revista Speak for the Animals, revelou que a ideia nasceu do próprio medo. “Eu tinha um medo profundo e arraigado a partir do que eu tinha lido na mídia”, confessa. Após mudar-se para os Estados Unidos, onde começou a trabalhar em abrigos e lidar com vários cachorros, a profissional decidiu enfrentar o temor. “Decidi formar minha própria opinião sobre eles”, enfatiza.

Energia de sobra

Mateus Pinto Costa também não via a raça com bons olhos. Porém, ao casar com Andrea, não apenas acabou com esse estigma, como se tornou um adestrador de cães profissional. Para ele, a falta de conhecimento, ouvir histórias inventadas ou mal contadas e, principalmente, supostos criadores que criam os animais de forma inapropriada, colaboram para disseminar essa visão errada dos pit bulls.

“Quando comecei a trabalhar como adestrador e vi muita coisa errada. Pit bull é, sim, um cão tranquilo, mas necessita de muita atividade física, pois mesmo um quintal enorme não é o suficiente. Ele precisa andar, correr, ou fazer exercícios físicos, como tração, escalada, salto e natação. Os temperamentos (dominante, submisso, ou inseguro) você identifica quando vai escolher. Daí a importância de pesquisar e pedir a ajuda de um adestrador”, enfatiza.

BLOG Rafaella Bitar Bezerra, fisioterapeuta

“Kadori é mais um membro da família. As crianças (Khalil, 12, e Renan Gabriel, 1 ano e 9 meses) deixam ela cansada (risos). Todo dia tem brincadeira. Sei que pitbulls são conhecidos como cães babás e cães atletas, por isso, Kadori vai à rua toda manhã para dar uma corrida e já conhecida pela vizinhança. Se tiver gatos ou outros cachorros não tem problema, o negócio da dela é brincar. Essa raça é muito carinhosa e obediente. Sempre digo aos preconceituosos: pitbull não é para quem quer; é para quem ama. Quando se cria uma vez, você vai querer sempre ter um.”


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