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Saúde

Ginecologista obstetra ressalta a importância de consultas na adolescência

Médica responde dúvidas mais comuns entre as jovens e incentiva pais a levá-las para acompanhamento de rotina 11/09/2016 às 15:30
Show ginecologista adolescente portal
Muitas jovens e adolescentes têm medo ou vergonha de ir ao ginecologista
Natália Caplan Manaus

Vergonha, medo, pré-julgamentos de amigos e familiares. Esses são os principais bloqueios da maioria das adolescentes quando se fala em ir ao ginecologista. Apesar de a saúde feminina ser tema de diversas campanhas — de prevenção ao câncer (de mama e de útero), Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e até de gravidez indesejada — o assunto ainda é tabu.

Daí, surgem questionamentos, como quando seria a hora certa de se consultar pela primeira vez, se somente moças com vida sexual ativa devem ser acompanhadas por um profissional, e se as mães devem estar presentes em cada visita. Em entrevista ao BEM VIVER, a ginecologista obstetra Maria Eugênia Lins, 30, respondeu algumas das dúvidas mais comuns.

Quando deve ser feita a primeira consulta? Existe uma idade certa?

No geral, a primeira consulta pode acontecer em dois momentos, mas não há regra. Entre 8-9 anos, quando as características sexuais (crescimento dos seios e pelos pubianos) começam a aparecer. Ou, o mais comum, quando ocorre a primeira menstruação.

Quais assuntos são abordados?

Na primeira consulta, o médico fala de questões relacionadas ao corpo feminino, ciclo menstrual, orientações quanto à higiene e secreções vaginais, por exemplo. Além de tirar dúvidas que a adolescente tenha vergonha de perguntar para os pais. Caso a paciente já tenha tido a primeira relação sexual, devemos orientar sobre métodos contraceptivos para evitar uma gravidez indesejada e também a importância de se prevenir das DSTs.

O médico irá examiná-la?

Não necessariamente o médico irá examiná-la na primeira consulta. A adolescente precisa estar confortável atá para não criar traumas. No geral, pode ser apenas para começar a criar um vínculo entre médico e a paciente.

Quando é realizado o exame Papanicolau?

Mais conhecido como ‘preventivo’, esse exame é realizado a partir do momento que se tem relação sexual. Esse exame deve ser realizado todos os anos, pois ele é o principal exame na prevenção de câncer de colo uterino.

A mãe pode entrar na consulta?

Depende da relação entre elas. É importante deixar a paciente confortável para que possa fazer perguntas à vontade. Uma das principais vantagens da ida ao ginecologista é a oportunidade que a jovem tem de esclarecer dúvidas, recebendo orientações e informações seguras. Se não houver risco de morte, ou perigo para a adolescente ou terceiros, o médico mantém sigilo no que foi conversado entre elas.

O que você diria para as mães e pais em relação ao acompanhamento do ginecologista?

O ginecologista é um médico que trata das questões mais íntimas da mulher, então, é importante que seja alguém em que os pais e a adolescente possam confiar. Algumas famílias são mais fechadas para tratar determinados assuntos. Essa é uma forma de os pais ficarem tranquilos, sabendo que a filha está sendo bem orientada com relação a sua saúde. 

PERFIL

Maria Eugênia Lins

Formação: Medicina pela Nilton Lins, residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Ufam, pós-graduação em Ultrassonografia e Obstetrícia pelo Cetrus; pós em Nutrologia pela Abran; capacitação em Colposcopia pelo Cetrus.

Maria Vitória Martins da Silva, 16 anos, estudante

Entre as minhas amigas, algumas preferem não falar com a mãe sobre ir ao ginecologista, porque a mãe tem a ideia de que estão fazendo outras coisas. Outras preferem não ir com medo. Eu tenho amigas que já tem relações e nunca foram por achar desnecessário. É natural ter vergonha; eu mesma tenho vergonha de comentar que vou. Mas às vezes acho ruim, porque elas acabam meio que me julgando por estar indo. Eu não sei como mudar isso, porque muita gente já tem essa ideia na cabeça de que ginecologista é só para quem tem relação sexual. Meus pais preferem que eu vá para saber se está tudo bem com a minha saúde e pela questão de higiene. Decidiram que eu deveria ter uma médica para me acompanhar a vida toda e me consulto com a doutora Maria Eugênia. Tenho vergonha, mas conto tudo. É preciso, porque você está indo pela sua saúde e, se você não for honesta, quem vai se prejudicar é você mesma. Você pode estar doente e nem saber.

Laura Glória Rebelo, 18, estudante                        

Comecei a ir com 16 anos. Em casa não é um tabu, mas entre as amigas sim. Dificuldade de achar algo normal. Fica uma situação chata. Existe aquela ideia de que só quem não é mais virgem vai ao ginecologista. Fica uma situação chata de que eu tenho uma vida sexual ativa, ainda mais que as minhas amigas são a maioria do tempo de escola. Não converso isso com elas. Eu tenho muito problema com a minha menstruação por isso fui ao ginecologista cedo. Minha mãe conversa muito comigo, mas mu pai prefere não se meter nesse assunto. Tem muita importância. É o meu corpo. Para mulher é muito importante ir ao ginecologista para saber se está tudo bem. Ter uma ginecologista amiga também é muito importante. Esse tabu existe porque é como se você quisesse ter uma vida adulta sendo uma adolescente.

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