Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Televisão

Série da GNT traz relato de jornalista amazonense sobre depressão

Série documental 'Quebrando o Tabu' terá oito episódios. O primeiro deles fala sobre os diversos lados da doença psiquiátrica



WhatsApp_Image_2019-08-01_at_15.16.50_F6A6CA40-8AA9-4DF3-A4AC-B1B1E02387DE.jpeg Nauzila Campos sofreu de depressão no período de 2014 a 2016 (Foto: Divulgação)
05/08/2019 às 16:46

Celebridades e cidadãos comuns que viveram ou vivenciam as mais diversas facetas da depressão vão falar sobre a doença no primeiro episódio da 2ª temporada da série documental “Quebrando o Tabu”, que vai estrear nesta segunda (5), às 22h30, no canal GNT. “Quebrando O Tabu” é um canal que discute direitos humanos nas redes sociais e, por meio de uma enquete realizada na Internet, selecionou a temática para explanar todos os lados da patologia. Para trazer o assunto à realidade da Região Norte, a jornalista e advogada amazonense Nauzila Campos foi uma das convidadas para falar da depressão que sofreu no período de 2014 a 2016.

De acordo com Guilherme Melles, diretor geral da série, a depressão sempre é um assunto que rende muita conversa, engajamento, e mensagens “in box” nas redes sociais da página “Quebrando o Tabu”, que só no Facebook possui mais de 10 milhões de seguidores. “Nesse episódio, falamos com o Pedro Bial, que conta a experiência dele com a depressão, e com o cantor Baco Exu do Blues, que nos traz o viés da depressão na população negra. A gente também fala sobre depressão pós-parto e depressão vivenciada por travestis”, pontua Guilherme.

A participação de Nauzila Campos, segundo Guilherme, vem para ampliar a discussão fora do eixo Sudeste. Em 2016, o desaparecimento da jornalista foi registrado pelos familiares duas vezes, mobilizando a população em sua busca. Naquele ano, a depressão de Campos havia se agravado. A jovem foi localizada na época, e hoje está curada da doença. “Procuramos a Nauzila e ela super se abriu para a gente. Ouvimos uma médica chamada Alessandra Pereira, que trabalha com a Nauzila em um projeto chamado ‘Acolhida’ e em duas policlínicas, para falar do acesso ao tratamento”, pondera Melles.

A série decidiu vir para o Amazonas porque, segundo o diretor geral, se trata do estado que tem menor índice de cobertura de tratamentos para doenças mentais, além da menor proporção de médicos especializados na área para a quantidade da população. “Entendendo que é um local de difícil tratamento da doença, descobrimos que grupos fazem isso aí de maneira voluntária. A Nauzila teve a doença e a dificuldade para se tratar. Quando se tratou, criou voluntariamente um grupo para ajudar outras pessoas com depressão - o ‘Acolhida’”, coloca Guilherme.

A situação no Amazonas em relação à depressão, ainda conforme as pesquisas feitas pela produção do programa, é bem mais complicada do que no Sudeste. “O atendimento psiquiátrico aqui em São Paulo é demorado, mas acontece. Agora terapia é muito difícil... e no Amazonas é quase impossível. A dificuldade com os médicos são maiores. Em São Paulo não é bom, mas comparando com o Amazonas, é ótimo”, reflete Melles.

O episódio em si fala sobre a necessidade de aceitar a depressão como uma doença – e não como uma fraqueza ou “frescura”. “O primeiro passo é aceitar. A partir disso, é preciso tratar, seja com terapia e remédio, de preferência os dois. Isso não é barato. E como faz? Onde faz”, interroga ele, ressaltando que estes foram alguns dos questionamentos feitos pela série. 

Lugar de fala

Em entrevista ao BEM VIVER TV, Nauzila Campos afirma que a ideia da produção era mostrar seu cotidiano, e como aquela fase difícil foi superada. “Era deixar que eu contasse a minha história de uma forma bem espontânea. Eu falei como tudo começou, como a depressão me atingiu, como eu percebi ela chegar, o tratamento... e principalmente como eu tentei compartilhar essa saída que eu alcancei com as outras pessoas”, pondera ela. 

Por ter negligenciado seu tratamento e, mesmo sentindo os sintomas de depressão (e sendo informada sobre isso), a jornalista acreditou que não precisava de intervenção médica. “Tinha preconceito mesmo. Só quando as coisas se agravaram a ponto de o suicídio ser uma possibilidade que eu procurei ajuda profissional, o que alongou muito meu tratamento. Além dos medicamentos psiquiátricos, um tratamento chamado estimulação magnética transcraniana também me ajudou, junto com terapia”, comenta ela.

Alternativas no cotidiano também fizeram a diferença na cura de Campos, como investir em coisas que ela gostava de fazer e tinha deixado de lado, a exemplo da fotografia. Nauzila percebeu que estava curada quando voltou a trabalhar. “Eu esperava muito por esse momento porque passei tempo demais pensando que eu não tinha mais capacidade de trabalhar. E como eu atuo em TV e na advocacia, a credibilidade das pessoas fazia muita diferença. Mas para os meus colegas e clientes o respeito permaneceu. Na verdade até aumentou, por conta da superação”.

Sobre a série

A segunda temporada da série “Quebrando o Tabu” possui oito episódios, ao todo. Além da depressão, outros temas discutidos são a masculinidade tóxica, a automação do trabalho, discurso de ódio vs. politicamente correto, religião, política, drogas legais e ilegais, adoção e privilégios sociais.
 

Receba Novidades

* campo obrigatório
Subeditora de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.