Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Ficção

Série futurista em 12 episódios mostrará Amazônia desértica e devastada

Financiada com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, do Ministério da Cultura, a produção é dirigida pelo potiguar Edson Soares e tem previsão de ser concluída até agosto



1085317.jpg Os atores Maurício Mattar e Humberto Martins também foram escalados para fazer participações especiais (Fotos: Roberto Morais/Engady/Divulgação)
21/05/2016 às 23:10

Marcello Melo Jr., Letícia Birkheuer, Ildi Silva e Jonas Bloch são alguns nomes conhecidos do elenco de “Ômicron”, série futurista em 12 episódios que mostrará uma Amazônia desértica e devastada pelo colapso ambiental no longínquo (mas nem tanto) ano de 2089. Financiada com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, do Ministério da Cultura, a produção é dirigida pelo potiguar Edson Soares e tem previsão de ser concluída até agosto.

Os atores Maurício Mattar e Humberto Martins também foram escalados para fazer participações especiais.“A premissa de como pode ser a Amazônia daqui a 70 anos foi retirada de um relatório da ONU que alerta não só para os efeitos do desmatamento na região, mas para o impacto das próprias mudanças climáticas no planeta”, explica o diretor, que torce para que a previsão não se concretize. 

Para compor o roteiro, ele também foi buscar referências no conto “O imortal” (1882), de Machado de Assis. Mas não quer dizer que o conto machadiano tenham alguma relação com a Amazônia ou os péssimos indicadores ambientais – na história, o protagonista conhece um cacique e ganha dele um elixir da vida eterna. Isso também acontece com Ômicron, personagem principal da série de Edson. 

Esse papel é de Marcello Melo Jr., que está no ar em “Malhação”. O personagem dele vive em uma comunidade alternativa que se fixou há muitos anos na Amazônia e preserva um pedaço dela como costumava ser, mesmo vivendo dos restos da civilização e constantemente ameaçada por grileiros. “Quando essa comunidade é invadida, ele foge e é acolhido pelos últimos descendentes dos índios Jarawara, já completamente armados para se defender”, completa o roteirista.

O visual de “Ômicron” remete imediatamente a filmes como “O livro de Eli”, “Elysium”, “Mad Max” e, embora a ideia inicial tenha sido filmar na Amazônia, a equipe teve que improvisar locações em Natal, capital do Rio Grande do Norte. Para gravar algumas sequências, por exemplo, a equipe teve que criar um lago artificial e enchê-lo de vitórias-régias.

“É uma logística complicada para qualquer cineasta gravar na Amazônia. Chegamos a iniciar negociações com os Terenas, do Xingu, mas não foi para frente. Por isso optamos por gravar aqui mesmo, tentando reproduzir ao máximo um cenário amazônico. Reconstruímos uma aldeia e procuramos locações onde a vegetação lembrasse a da região”.

Conscientização

Da Amazônia, Edson Soares admite só conhecer Belém, e apenas a zona urbana da capital paraense – “A minha próxima viagem será à Amazônia, porque preciso sentir isso”, diz. Apesar disso, o interesse dele pela região foi crescendo na medida em que algumas pessoas nascidas aqui despertavam a sua curiosidade de jornalista (primeira área de formação do cineasta). 

“Eu venho de uma região chamada Seridó, que fica no semiárido e é uma área fadada à desertificação no futuro, um processo irreversível. Quando nasci, há 47 anos, lá era cheio de árvores, nada próximo à Amazônia, mas ainda assim tínhamos rios e tudo mais. Nada disso existe hoje. A população foi abandonando áreas inteiras porque não se produzia um único pé de milho. Não quero que isso aconteça com a floresta mais importante do mundo”, afirma o potiguar, justificando a sua preocupação em retratar uma Amazônia arrasada na ficção.

E completa: “Parece banal que, com tantas reportagens e documentários, muitas pessoas tenham se acostumado com essa realidade. Às vezes percebo que os estrangeiros são mais preocupados com a devastação da nossa natureza do que nós”.

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