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BELEZA

Símbolo de status e caracterização cênica, perucas vieram para ‘fazer a cabeça’

Elas são feitas com fios sintéticos ou naturais e apresentam diversas técnicas de projeção no couro cabeludo, conforme aponta o artista capilar Elias Torres 25/06/2016 às 22:49 - Atualizado em 26/06/2016 às 10:32
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O artista capilar Elias Torres confecciona perucas de todos os tipos com fios naturais e é dono do atelier de perucas Megahair & Cia. (Antônio Lima)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

A queda de cabelo e a calvície são problemas que atingem a maioria dos homens e uma parcela das mulheres, respectivamente. Pelo fato de os cabelos influenciarem diretamente na moldura do rosto, muitos correm atrás dos tratamentos médicos para o couro cabeludo, com o objetivo de fazer os fios crescerem. Mas para quem não tem dinheiro e tempo para fazer um tratamento desses, as perucas (ou próteses capilares), velhas conhecidas nossas que simbolizavam poder para a nobreza nos séculos passados, podem ser uma ótima opção para o dia a dia.

As perucas costumam ser usadas para a caracterização de atores em peças de teatro e surgiram entre o século XVI e XVII, no Antigo Egito. Algumas pesquisas indicam que as primeiras perucas foram fabricadas com crina de bode ou de cavalo, e foram criadas para que ancestrais protegessem a cabeça do frio. Hoje, elas já tomaram outra dimensão: são feitas com fios sintéticos ou naturais e apresentam diversas técnicas de projeção no couro cabeludo, conforme aponta o artista capilar Elias Torres.

“Hoje, aqui em Manaus, trabalhamos por encomenda com perucas caracterizadas para personagens, e fabricamos para pessoas que fazem tratamento para o câncer. Há pacientes que vem aqui, nessa condição, e antes mesmo do cabelo começar a cair por conta da quimioterapia, eu corto para confeccionar uma peruca com o próprio cabelo da pessoa. Emocionalmente elas ficam muito satisfeitas, porque é como se o cabelo retornasse para si”, diz ele.

Uma semi-exigência para se confeccionar perucas, conforme o artista, é que o cabelo seja natural – que nunca tenha sido exposto a químicas na vida. “Preferimos os fios virgens porque o aspecto fica mais leve e natural. E os fios demoram mais para se danificarem. Fios sintéticos não valem a pena, por se desgastarem bastante”, aponta ele, que faz trabalhos sociais para algumas instituições filantrópicas. “Elas atendem pessoas que não têm condições de comprar perucas”, destaca.

Unissex

O modelo das próteses é o mesmo para homens e mulheres. “Fazemos três modelos de prótese: a fourleaser, a interlace e a de micropele. A micropele é toda colada no couro cabeludo, mas antes de aplicar é necessário raspar a área que vai aplicá-la. A fourleaser tem sua fronte (parte da frente) colada com fita adesiva e o restante é entrelaçado. Já a interlace é totalmente entrelaçada no cabelo das pessoas, com presilhas”, explica Torres.

Para se ter uma peruca é necessário fazer manutenção de 20 a 25 dias, sempre com profissional qualificado. “O nosso carro-chefe aqui é a técnica da prótese com presilhas. Ela não necessita de manutenção. É como se eu construísse uma espécie de ‘boné’ de cabelo. O cliente coloca na cabeça e ele mesmo prende”, diz Torres, lembrando que é preciso ter um pouco de cabelo nas laterais para que o item seja fixado na cabeça”, coloca.

Boa ação e embelezamento

Com as perucas de hoje utilizando fios naturais, é cada vez mais necessário haver pessoas dispostas a doar os fios. A boa ação “contamina” desde os mais jovens até os mais velhos. A prova disso é a pequena Luísa Theocharopoulos, 6, que aos quatro aninhos decidiu doar os fios, à época crescidos até a cintura. 

“Ela viu uma criança sem cabelo e falou ‘Mamãe, ela é pobrezinha, não tem dinheiro para comprar cabelo. Vou doar o meu. Eu fiquei de queixo caído”, pondera a assistente administrativa Larissa Avlis, que afirma: a decisão partiu totalmente da filha. A mãe, que amava os cabelos da pequena até ficou um pouco triste por ter que cortar, mas plenamente orgulhosa.

Já a profissional de eventos Bárbara Mitoso, 26, tinha aproximadamente 70 cm de cabelo e decidiu doar quando soube que a partir dele seria possível fazer várias peruquinhas para as crianças. “Cortei cerca de 40 cm. Acho importante fazer essa doação para ajudar na auto estima de quem vai ser beneficiado. É tão bom saber que fiz alguém sorrir e se sentir amado. Que mesmo com um recurso natural, muitas vezes cortado e jogado fora, posso fazer a diferença e ajudar ao próximo”.


 

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