Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
Vida

Simultânea rotação: Grupo Baião de Dois leva teatro a festivais locais e nacionais

Atualmente composto pela atriz Selma Bustamante, o grupo, que possui 23 anos, emplaca simultaneamente espetáculos na apreciação de técnicos de teatro de Manaus e do Brasil afora



1.jpg Espetáculos 'Se Essa Rua Fosse Minha' e 'Inversão' em rotação pelo cenário artístico
04/04/2013 às 14:56

O espetáculo manauara ‘Se Essa Rua Fosse Minha’, do Grupo Baião de Dois, irá se apresentar na 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, um dos mais tradicionais eventos de difusão das artes cênicas no país, que acontecerá no período de 26 de março e 7 de abril. Atualmente composto pela atriz Selma Bustamante, o grupo, além de ter sido escolhido para ir ao festival de Curitiba, possui um trabalho – intitulado Inversão - que está entre os 16 selecionados locais e nacionais para participar do Festival Breves Cenas, com início nesta quarta (20) e término no domingo (24).

Com embarque à Curitiba marcado para o dia 31 de março, Selma, que é natural do estado de São Paulo, ressaltou que o Festival de Teatro de Curitiba é dividido em duas partes. “Uma parte é composta pela apresentação de convidados, são espetáculos de outro nível, de artistas mais valorados, até com repercussão internacional. A outra parte, chamada de ‘Fringe’, é embasada em uma experiência existente na Europa”. Ainda segundo ela, o sub-módulo ‘Fringe’ consiste na apresentação de espetáculos em espaços públicos da capital paranaense. O ‘Se Essa Rua Fosse Minha’ será encenado no Largo da Ordem – Bebedouro, localizado no Centro de Curitiba.



A montagem foi escolhida para integrar o corpo artístico do Festival de Curitiba por meio de uma ‘pequena seleção’, pontuou Bustamante. O espetáculo esteve entre uma das quatro montagens vencedoras do 9º Festival de Teatro da Amazônia, em 2012.

“Por ser um espetáculo solo, ele me deu a oportunidade de estar circulando sozinha. Em relação aos espetáculos de rua, há uma pequena seleção, e os artistas vão com hospedagem e alimentação custeada pelo próprio festival, eles dão toda a estrutura na praça. Como a praça fica muito lotada na época, acredito que o festival terá um público muito bom, independente da divulgação”, comentou Selma. Além da viagem para Curitiba, o ‘Se Essa Rua Fosse Minha’ já circulou por Recife (PE) e Campinas (SP).

Intercâmbio artístico como absorção de novos olhares e experiências

Selma destaca que o grande benefício da circulação é ocasionado pelo intercâmbio com arte e artistas dos outros estados. “Eu vou poder fazer meu espetáculo e assistir a outros lá. Aqui em Manaus é tudo muito restrito em relação às coisas de fora, por ser mais caro vir ao Norte. Pra cá acabam vindo as peças mais globais, o que acaba não dando muito espaço à arte experimental”, assegurou a atriz, que recebeu a notícia de que havia sido selecionada no início de 2013 e irá se apresentar nos dias 5, 6 e 7 de abril, em horários alternativos.

Para as inscrições, Selma, que possui mais de 30 anos de carreira artística, e é atriz, produtora, diretora e professora de teatro graduada pela Universidade de São Paulo (USP), enviou um portfólio do espetáculo com a ficha técnica, fotos e roteiro, e mais um vídeo com link no Youtube, o que auxiliaria no quesito de divulgação da obra.

Relação emissor e receptor de arte x rua


A rua – o maior ‘palco’ do espetáculo -, tem reunido maior gama de interesses de Bustamante, e ela explica o porquê. “O legal de fazer na rua é que há várias pessoas circulando, diversas te prestigiam e vão lá dar o retorno. A rua te dá um retorno muito maior, porque elas falam contigo, interagem. Estou bem mais interessada nisso neste momento da minha vida teatral”, afirmou.

A produção teatral livre ‘Se Essa Rua Fosse Minha’ é regida por simbolismo e pela linguagem clownesca: a personagem principal – e única – é a palhaça Kandura, que ganha vida por meio  da interpretação de Selma. Conforme a atriz, a história reproduz o cotidiano da mulher, com as suas respectivas mudanças e sensações sobre a vida com o passar do tempo.

“No início ele é mais leve, até engraçado. Do meio para o fim, a personagem entra na própria história, e propõe reflexões sobre o passado, sobre a vida, o que depende muito de como a pessoa estiver olhando para a peça. Há um momento em que a Kandura se prepara para um casamento que não acontece porque não existe noivo”, explicou Selma.

‘Se Essa Rua Fosse Minha’ desencadeia série de percepções, diz atriz

Por ser um espetáculo que possibilita as mais diversas interpretações, apesar da simplicidade, Bustamante contou sobre as percepções colhidas de outras pessoas acerca da obra cênica.

“Em Recife (PE) um menino que fazia teatro disse que quis ser o noivo na hora, apesar da cena lidar com a solidão. Já uma moça em Campinas (SP) disse ter se emocionado e chorado. E o público lá é mais difícil, pois estava em um encontro de teatro contemporâneo. Quando fazemos algo, o público tem esse direito de interpretar e temos que ter o trabalho de oferecer um leque para maiores interpretações”, enfatizou Selma.

Interpretações diversas proporcionadas, segundo ela, pela carga sígnica que possui a imagem do palhaço em si. “O palhaço normalmente nos remete à piada. Ele é feito para trazer o riso, mas o riso que proporciona na gente vem de uma inadequação dele no tal como ele é. Ele não vê o mundo como os outros, e o riso é uma medalha de dois lados: só existe o riso se existir a tristeza. Por conta disso, ele também tem esse lado triste, de reflexões. E é esse jogo que o bom palhaço sabe fazer: não apenas rir, mas refletir”, elucidou a artista.

‘Inversão’: jogo de ações e reações

Para quem não puder comparecer ao Festival de Teatro e Curitiba, pode conferir por aqui a obra ‘Inversão’, a estrear nesta quarta (20) gratuitamente no Festival Breves Cenas de Teatro que acontecerá no Teatro Amazonas, localizado no Largo São Sebastião, bairro Centro, a partir das 20h. O ‘Inversão’ está entre as duas únicas cenas locais escolhidas para competir com mais 10 nacionais – as outras quatro são cenas vencedoras de outras edições do festival que foram convidadas para se reapresentarem nesta, em comemoração aos 5 anos do Breves Cenas -.

Selma disse que não adiantará do que se trata a obra - que segundo ela não é propriamente um espetáculo, mas sim uma provocação improvisada de relação entre ator e, plateia - até que esta seja apresentada ao público. “Se não estraga a surpresa”, brincou a atriz.

“O que posso falar é que o ‘Inversão’ é uma proposta de jogo com a plateia, que tem que ir lá sem saber o que fazer. Eu praticamente não atuo, eu conduzo. Quando o mandei para seleção no Breves Cenas, pensei que se selecionassem o que eu propus iram selecionar mais para saber o que vai acontecer”, relatou a artista, aos risos.

O cenário de ‘Inversão’ é composto apenas por cadeiras e iluminação, conforme e a atriz. Segundo ela, não houve ensaios formais. “Ele tem um roteiro de ações. Eu comando o roteiro dessas ações, mas não sou eu quem comando as ações em si. Apenas a ordem delas, mas não o que vai acontecer”, disse Selma, lembrando que o trabalho é composto por um trabalho que absorverá as reações do público.

Criado, dirigido e encenado pela própria Selma, o ‘Inversão’ reflete um momento de encontro consigo mesma, segundo Bustamante. “Estou numa fase egoísta (risos). Já trabalhei com muita gente por durante muito tempo, então agora estou me experimentando”, concluiu.


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