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Sinal fechado! A arte circense está nas ruas de Manaus

Conheça alguns dos artistas que levam alegria aos motoristas nos sinais de trânsito da capital amazonense 01/06/2013 às 20:54
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Segundo muitas artistas de rua, o malabarismo com tochas é a “arte” que gera mais lucro
Rafael Seixas Manaus (AM)

Os engarrafamentos formados na hora do rush são “pratos cheios” para os artistas de rua que utilizam técnicas circenses. Em suma, na cidade, é possível encontrar mágicos, malabaristas de facas, bolinhas, tochas, entre outros. A cada sinal vermelho se inicia um novo espetáculo, um novo desafio, onde o fim é determinado pelo piscar da luz verde do semáforo. A reportagem do Jornal A Crítica apresenta alguns desses artistas que utilizam os sinais de trânsito para levar alegria à população.

Figura carimbada de sinais da Djalma Batista, Centro, Cidade Nova (próximo do terminal) e Eldorado, Liu Rojas, malabarista de origem colombiana, contou que adora equilibrar qualquer coisa e que aprendeu essa arte com um rapaz que fazia shows nas ruas e praças da Colômbia. Após isso, ele se mudou para Venezuela – onde aperfeiçoou sua técnica – e mais tarde para o picadeiro de alguns circos.

“Gosto de fazer malabarismo com qualquer coisa. Agora estou fazendo com bolinhas, porque estou praticando em utilizá-las com o chapéu. Estou treinando bastante. Isso é uma rotina bem bacana”, disse Rojas. “Há muitos artistas que trabalharam no circo que estão nas ruas, fazendo shows em festas, coisa assim”, complementou ele, que também faz clown.

Aceitação

Atuando nas mesmas localidades (e outras) de Rojas, Diana Fabrício, que também trabalha com malabarismo, mas tendo como instrumentos facas e tochas, disse que está começando a observar a aceitação do público de Manaus.

“No Rio de Janeiro, São Paulo, há escolas de circo, organizações que investem em crianças de rua, por meio do circo, ou já incluem isso no colégio. Quando cheguei a Manaus, eu achei (a profissão) tão marginalizada. Lembro que uma mulher falou que eu era bonita para ficar no sinal. Aí perguntei se eu fosse feia, eu poderia estar?”, declarou Fabrício, que acredita que sua arte é uma maneira de desestressar quem está no trânsito, no engarrafamento.

Ainda de acordo com ela, os motoristas ficam impressionados quando faz malabarismo com facas e tochas, e que essas são as atividades que lhe trazem maior retorno financeiro.

Trabalho dos artistas sob a ótica de alguns motoristas

Apesar de muitas pessoas aprovarem a apresentação dos artistas no sinal de trânsito, há aqueles que acham o meio de vida deles muito penoso. Esse é o caso do engenheiro mecânico Marcelo Duarte. “Acredito que eles distraiam um pouco, mas, na minha visão social, não é algo bom, porque são pessoas que estão numa situação difícil. É o reflexo de uma sociedade decadente. Em outros países (de primeiro mundo), você não vê isso”, declarou Duarte, que costuma sair do trabalho no horário do rush.

O administrador Paolo Roberto também acredita que os artistas transmitam, por suas aparências, passar uma situação difícil. “Acho interessante o poder de concentração deles, pois não é fácil a vida desses artistas. A maioria dos imigrantes não teve oportunidade nessa área na sua cidade natal”.

Apesar de algumas críticas, a maioria dos motoristas abordados pela reportagem aprova os espetáculos proporcionados pelos artistas.

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