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Sob nova ótica: para os noivos, fotos nada convencionais

Cliques pré e pós-casamento saem dos lugares tradicionais rumo a destinos singulares. Fotógrafos comentam cada experiência 17/09/2015 às 11:55
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Imagem com efeitos luminosos foi clicada em um balneário de Novo Airão
Laynna Feitoza Manaus, AM

Os campos, lagos e igrejas foram, por um bom tempo, o refúgio fotográfico de muitos noivos que queriam fazer o famigerado álbum de fotos pré-casamento ou do “Trash The Dress” – ensaio fotográfico que acontece após o casório ou após a lua-de-mel. Atualmente, muitos casais têm fugido a essa regra e aos locais tradicionais: dosando suas personalidades e entendendo seus próprios desejos, eles não buscam “mais do mesmo”, e colocam seus fotógrafos em situações bem diversificadas para a carreira de cada um.

O fotógrafo Paulo De Lima já fotografou em muitos lugares, onde normalmente ninguém se vestiu de noiva ou noivo, segundo ele. “Em lugares tradicionais como cachoeiras, grutas e parques de diversão, mas também em bares em pleno funcionamento, em igapós da Amazônia, no meio do rio ou do mar. Em estádios de futebol, tribo indígena, na estrada, no meio de dunas, falésias de areia do Nordeste; em uma estação de trem em Buenos Aires... Enfim, são muitos e diversos os lugares e motivos”, pontua Paulo.

Noivos escolheram clima descontraído do Bar do Caldeira para serem fotografados (Foto: Paulo De Lima)

A experiência que ele considera memorável foi quando fotografou em uma mansão antiga, cheia de quadros antigos, em Buenos Aires, há pouco mais de um mês. “Todos os meus ensaios exigem muita comunicação com o casal, gosto de relembrar momentos felizes e neste caso específico, além de termos uma diferença de língua, também tínhamos a questão cultural que é muito diferente. O negócio é que nossa conexão foi tão grande, que tudo fluiu de forma tão natural que não teve nada que nos atrapalhou”, assegura.

Paulo destaca que os noivos estão fugindo do convencional na hora de posar porque há o desejo de não fazer o que todos fazem. “A partir do momento que eles entram no meu estúdio e entendem que faço fotografias que devem retratar eles como eles são verdadeiramente, aí viajamos juntos e nos libertamos do clichê e partimos para o real. E na real, todos somos diferentes, todos temos gostos e preferências que nos dão mais prazer e é isso que exploro em cada casal que vem comigo”.

Inspiração


Sob ares dos filmes de terror, gênero predileto do casal, noivos posaram em cemitério (Foto: Bernardo Oliveira)

O fotógrafo Bernardo Oliveira começou a alimentar o desejo pelo inusitado na fotografia de noivos quando começou a ver filmes com locações diferentes do padrão para casórios. “Comecei a imaginar uma cena de casamento ali”, sugere. Como profissional, ele também já transitou por vários lugares para clicar casais. Para ele, contudo, o mais inusitado foi quando fotografou noivos em um cemitério, a pedido deles. “Eu achei tranquilo, pois geralmente nas saídas fotográficas nós vamos aos cemitérios fotografar”, diz ele.

Oliveira coloca que procura assimilar a temática e história do local com a dos noivos, tanto na história dos mesmos quanto no gosto pessoal por filmes, literatura ou música. “O mercado da fotografia de casamento é um mercado em franca expansão, e na hora de contar uma história pra posteridade os noivos querem colocar as suas ideias e por vezes se ver dentro de algo fora da realidade. Querem tentar algo novo que seja ‘a sua cara’”, finaliza.

Reflexão


Segurando um caminhão, noivo engenheiro leva sua noiva rumo ao altar (Foto: Francisco Araújo)

De acordo com o fotógrafo Francisco Araújo, a maioria dos noivos optam por fotos em locais tradicionais, como em Paricatuba ou na Praia do Japonês, em Iranduba. Para ele, Manaus tem poucas opções de cenários fotográficos, o que faz tanto os noivos quanto os fotógrafos adequarem o ensaio, a fim de que este se desprenda do tradicional. “Ou a gente cai nos espaços públicos, ou nos privados”, assimila.

Essa adaptação já é praticada por alguns noivos. “Falei recentemente com um casal que optou por fotografar no Paço Municipal, no Mercado Adolpho Lisboa, e na frente de alguns muros pichados, finalizando na Ponta Negra, na parte em construção. São locais populares, mas que mudam um pouco o estilo”, declara ele, lembrando que não há como mudar drasticamente os cenários em Manaus. “Muda só quando você vai fazer ensaios fora do estado, e vê fundos e temas diferentes”, encerra.

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