Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
Pets

Saiba como preparar a casa para deixar o animal tranquilo sozinho

Cachorros e gatos podem, sim, se divertir sem os donos, com um ambiente enriquecido com petiscos e brinquedos



PETS_PORTAL.JPG Luciana deixa brinquedos e petiscos para Mauê se entreter enquanto ela e o marido trabalham (Foto: Aguilar Abecassis)
14/08/2016 às 05:00

Você já parou para pensar o que os animais de estimação fazem quando os donos não estão em casa? Essa é a história de “Pets - A vida secreta dos bichos”, que chegará aos cinemas brasileiros no próximo dia 25. Enquanto a animação não estreia, o A Crítica traz dicas de como os bichinhos podem se entreter sem a família. Afinal, ficar sozinho em casa não pode ser sinônimo de tédio e estresse.

As pessoas vão à escola, trabalham e saem para se divertir. Semelhantemente aos seres humanos, cães e gatos não gostam de uma rotina sem nada para fazer, não importa se moram em casa ou apartamento. Entretanto, os felinos têm a vantagem de ser noturnos, enquanto os caninos são mais ativos de dia. Por isso, é preciso se atentar para que o amigo de quatro patas não fique entediado e, dessa forma, estressado.



O cão Mauê, da raça West Highland White Terrier, e a gatinha Tintina, ambos de cinco anos de idade, têm atividades para se distrair sozinhos. Os donos da dupla, Luciana Freire da Rocha, 37, e Claúdio, 46, são da Marinha do Brasil e trabalham oito horas diariamente. Eles fizeram um curso sobre enriquecimento ambiental e adaptaram a casa para garantir que os pets não fiquem sem nada para fazer nesse período.

“De manhã, antes de sairmos para o trabalho, Mauê fica solto no jardim para gastar energia. A ração é colocada no brinquedo de quebra-cabeça ou em uma garrafa pet com furinhos para ele exercitar a mente toda vez que for comer. Também enriquecemos o ambiente, com caminhadas à noite, diariamente, na vila militar onde moramos”, afirma a cirurgiã-dentista, que mora na capital amazonense há seis anos.

De acordo com ela, cada detalhe aprendido na aula foi essencial para garantir a criação do entretenimento, principalmente, do cãozinho, que tinha um problema de comportamento em decorrência da solidão: Mauê tinha episódios de fazer xixi dentro de casa quando os cariocas saiam para trabalhar. A própria companhia felina também serve como uma válvula de escape para a ansiedade dele.

“Os brinquedos preferidos, muitas vezes, ficam enrolados em panos para ele ‘caçar’ antes de brincar. Os petiscos são dados apenas após ele acertar o comando de sentar ou deitar; e estimulamos ao máximo as brincadeiras com a Tintina”, afirma. “Após todo esse enriquecimento, raramente aparece um xixi no pé da geladeira ou fogão. Agora, ele gasta mais energia, exercita corpo e mente e dorme super cedo à noite”, completa.

Natureza e amigos

Também da raça West Highland White Terrier, Greg tem seis anos e não pode ficar nem um único dia sem sair de casa. Segundo a dona, Daniele Ribeiro, 36, ele nunca apresentou problemas de comportamento pelo tempo que fica sozinho — uma média de quatro a cinco horas por dia, no período da tarde. Porém, as saídas são sagradas. “Ele sempre foi ativo, é uma característica da raça. Então, sempre fez passeios e nunca teve problemas de comportamento pelo tempo sozinho. Mas ele precisa sair todos os dias. Se não sai, isso, sim, o deixa estressado”, afirma a médica, ao ressaltar que tem ajuda de uma dogwalker profissional.

“São 2 passeios por dia. Pela manhã, desce na área do prédio, socializa com outros cães do condomínio. No início da noite, ele faz o passeio mais longo, que dura, em média, uma hora. Esse passeio é feito comigo ou meu marido, ou então a dogwalker do ‘CaminhaCão’. Isso já o deixa mais tranquilo. Cão cansado é sempre mais feliz e mais calmo”, enfatiza.

PONTOS Cachorro sozinho em casa: como tornar o ambiente mais atrativo

- Amarre, com segurança, uma corda em algum lugar alto. Na ponta debaixo, pendure brinquedos e estimule o cão/gato a pular para pegá-los;

- Esqueça as tigelas de alimentação e o fereça comida de outras formas: espalhe os grãos de ração pela casa, esconda-os atrás de objetos e dentro de brinquedos;

- Coloque algum obstáculo para dificultar o acesso ao lugar favorito do cão e fazer com que ele desenvolva uma nova forma de chegar até lá; Coloque prateleiras para os gatos escalarem;

- Que tal criar uma horta com plantas medicinais e disponibilizar quando você estiver ausente? Novos cheiros e sabores estimulam os sentidos; Gatos amam catnip;

- Ofereça brinquedos que possam ser roídos, destruídos e arranhados;

DESTAQUE

Problemas de comportamento comuns em um cachorro que não fica bem sozinho: latidos excessivos; ansiedade de separação, que mal trabalhada pode acarretar em destruição da casa, cocô e xixi fora do lugar correto; e problemas físicos, como aumento de peso, que traz problemas cardíacos, diabetes, dificuldades de locomoção e outras ocorrências negativas por causa do sedentarismo e depressão.

BUSCA RÁPIDA

De acordo com a especialista em comportamento canino e dona do “CaminhaCão – Atividade Animal”, Karina Mayo, em espaços cada vez menores, os cães não recebem estímulo (físico e mental), o que provoca comportamentos indesejáveis e compulsões. “Estudos mostram que a estimulação mental deixa o peludo cansado e satisfeito. Mas vale ressaltar que, no caso dos cães, isso não substitui os passeios. Eles têm outras necessidades, como a socialização, por exemplo. Aplicar estes conceitos do enriquecimento ambiental diminui problemas comportamentais, os deixam menos destrutivos e mais equilibrados. Lembrando que podemos aplicar para os bichanos também”, afirma. A próxima oficina será para felinos, no próximo dia 27, das 15h às 17h. Informações e reservas pelo número 9-8168-9141.

BLOG Aldo Macellaro Júnior, 45, veterinário, proprietário do Clube de Cãompo Hotel Fazenda para Cães

“O cachorro aguenta ficar sozinho. Mas se sempre o cerquei de mimos e atenção o tempo inteiro, ele vai ficar bem sozinho? Não. Essa solidão que o cão sente tanto é causada por algo que o próprio dono ensina. Nós o ensinamos a sofrer com a solidão ou não. É preciso ensiná-lo, desde novo, a se sentir bem sozinho. O mais importante é não associar a ‘solidão’ a um castigo, mas como um tempo prazeroso. Não fazer chegadas ou despedidas dramáticas. Saia de casa normal (diga ‘bom garoto’ e saia). Ao chegar, faça algo primeiro e, então, acaricie o cachorro. Deixe brinquedos que ele goste, uma televisão ligada para ele ouvir vozes. Para quem pode, ter outra companhia para o cachorro é interessante, ou contratar profissionais que passeiam com ele.”


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