Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
Música

Soprano amazonense Taís Víera receberá homenagem na Aleam

Com 21 anos de carreira, a artista vai receber Medalha Ruy Araújo no próximo dia 6 de agosto, pelo conjunto de sua obra



Tais1reduzida_0DD82FCC-3ED1-40CA-B1FC-7D44501E7BB5.jpg Taís completou mais de 350 apresentações com o espetáculo da Broadway “O Fantasma da Ópera”, no Teatro Renault, em São Paulo. Nele ela interpreta a misteriosa Madame Giry
22/07/2019 às 18:51

À soprano amazonense Taís Víera não faltam motivos para celebrar. Já são mais de 350 apresentações com o espetáculo da Broadway “O Fantasma da Ópera”, no Teatro Renault, em São Paulo. Sucesso de crítica e de público, nele ela interpreta a misteriosa Madame Giry: um papel desafiador que vem cumprindo com segurança e maestria, colhendo assim grande reconhecimento. Mas não para por aí. Com 21 anos de carreira dedicados à arte, Taís trabalha paralelamente no projeto de doutorado em performance “As Heroínas de Carlos Gomes”, que defenderá em março de 2020 na Unicamp. Além disso, concebeu e se prepara para apresentar uma montagem teatral inédita, “Acquática”, voltada para questões sociais e do meio ambiente, que vai estrear na Virada Sustentável paulista, em agosto. Pelo conjunto da obra, a artista receberá em sua cidade natal, Manaus, a Medalha Ruy Araújo no próximo dia 6 de agosto, na Assembleia Legislativa.


“Receber essa homenagem para mim é uma honra. Não sei nem quantas mulheres amazonenses receberam, mas me sinto muito honrada de vivermos essa nova fase, com Parintins e o Festival de Ópera crescendo tanto e tendo maior valorização dos artistas da região. Estreei na carreira em 1998, no Festival de Ópera. Nessa caminhada de 21 anos de carreira vivemos períodos em que os artistas locais tinham que sair de Manaus para serem reconhecidos. Acabei fazendo minha carreira lá fora e, de fato, estar no ‘Fantasma da Ópera’ da Broadway, um espetáculo mundialmente famoso, com mais de 20 espetáculos no mundo inteiro, me deu muita visibilidade”, comentou. 




Outros projetos

“As Heroínas de Carlos Gomes” é o tema da tese de doutorado em performance que Taís desenvolve e defenderá em março de 2020 na Unicamp (SP). Para a pesquisa, ela escolheu árias de nove personagens do compositor natural de Campinas, pai da ópera no Brasil. Um dos destaques do trabalho foi ter utilizado técnicas de artes marciais e meditação ativa para chegar à voz adequada para cada personagem. A técnica chamou tanta atenção que fez com que Taís recebesse convite para palestrar sobre o assunto no congresso mundial da voz na Filadélfia, EUA. 
“As heroínas das óperas de Carlos Gomes vieram na escolha do meu trabalho porque elas têm um apelo muito forte, de mulheres sendo protagonistas, às vezes superando desafios outras até tirando a própria vida. Sempre cantei Carlos Gomes e sempre tive dificuldade. Percebi isso e comecei a estudar todas as óperas dele. Pratico arte marcial Aikido e “Qi gong” (pronuncia-se Chi Kun), disciplina da medicina tradicional chinesa, além de meditação e yoga há muitos anos, pois sou muito elétrica; com o tempo, passei a aplicar essas técnicas no canto, com resultados surpreendentes. O trabalho chamou tanta atenção que fui convidada para falar sobre essa técnica nos EUA em um congresso com gente do mundo inteiro. A sala ficou lotada. Foi muito gratificante”, conta. 
 

Acquática

Outro projeto saindo do forno, a peça teatral “Acquática” recebeu convite para ser apresentada no final de agosto na Virada Sustentável de São Paulo. A história tem como pano de fundo a temática da manutenção dos recursos hídricos, da importância de agir para garantir o futuro do planeta, mas vai além, perpassando pelas questões dos relacionamentos e a capacidade da mulher reciclar também as emoções. 
“Tenho um envolvimento muito forte com as águas. Elas falam comigo e eu com elas. Há dois anos fiz um clipe cantando Bachianas no Encontro das Águas. Existe um choro, um lamento das águas. E as pessoas não valorizam, principalmente aqui no Norte, onde esse recurso é abundante; A gente não tem noção do que vai acontecer quando elas acabarem. Se a gente não agir, que mundo podre a gente vai deixar para os nossos filhos e netos! Dessa inquietação, junto com a minha caminhada depois que eu me separei, de me conectar com meu sagrado feminino, de repensar meu propósito, veio a inspiração para criar a Acquática. E muita gente se juntou a esse projeto comigo”, conta.


Para ajudar com os custos do projeto Acquática, Taís criou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse, e quem quiser saber mais e como contribuir pode acessar o https://www.catarse.me/acquatica?ref=project_link.
“Muita gente quer participar desse projeto, mas não acho justo esses profissionais trabalharem de graça, então estamos criando essa campanha para que todos que quiserem participar de alguma forma possam doar um pouquinho e contribuir assim com esse espetáculo”, concluiu.


Preservação e sagrado feminino

Acquática conta a história de um ser elemental do éter que, inconformada com sua vida vazia, pede ajuda à sagrada fonte do universo para sentir a si mesmo e ter algo ou alguém com quem interagir. O mundo é criado, ela cai nas profundezas do oceano e aí começa a sua trajetória. Devido a um amor não correspondido, ela se perde num ciclo de apego, ódio e dor e inicia um processo autodestrutivo, se mutilando, poluindo suas águas internas e externas transformando seu meio ambiente em um inferno. Trata-se da jornada de uma heroína em busca de seu autoconhecimento, com uma narrativa feminina voltada para a importância do autocuidado e do entendimento do poder da mulher e da sua capacidade de se reciclar, ressignificar a si e ao entorno, construindo, a partir de suas luzes e sombras, um mundo melhor.
 

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Jornalista de A CRÍTICA

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