Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
Vida

‘Sou um artista de rua’: Dom Carioca e a sua trajetória na música

O saxofonista Jair Pereira Marques fala como se tornou  Dom Carioca, um dos instrumentistas mais queridos da cidade. E se engana quem pensa que o artista veio trabalhar na região como músico. Na verdade, ele era vendedor de títulos para o Nacional Futebol Clube



1.jpg Jair Pereira Marques está radicado em Manaus há 30 anos
06/04/2013 às 19:45

Você já deve tê-lo visto em algum show, tocando num restaurante ou simplesmente na rua, seu palco preferido, acompanhado do seu velho e amigo saxofone. Jair Pereira Marques, o Dom Carioca, saxofonista radicado há 30 anos em Manaus, relembrou sua carreira artística e a sua saída do Rio de Janeiro para trabalhar na capital amazonense.

E se engana quem pensa que o artista veio trabalhar na região como músico. Na verdade, ele era vendedor de títulos para o Nacional Futebol Clube.



“O meu irmão era dono de uma empresa de prestação de vendas de títulos para clubes de futebol, para que as pessoas se associassem a eles. O Nacional era um clube muito solicitado, todo mundo queria ser sócio”, disse Pereira, que na Cidade Maravilhosa atuava como desenhista-projetista. A música, segundo ele, sempre foi o seu terceiro plano no Rio de Janeiro, apesar de ter sido músico no Exército.

Início

Já em Manaus, o até então Jair Pereira Marques, ficou um tempo considerável distante do instrumento, pois não tinha condições de comprá-lo.  Até que um dia, ao testar um instrumento numa das lojas do grupo Benchimol, o empresário Jaime Benchimol o chamou para tocar no estabelecimento.

“Quando terminei a temporada, ele me deu o saxofone. Aí me familiarizei e comecei a tocar (na noite), mas sempre como terceiro plano. Até chegar ao primeiro plano demorou, porque a música é muito difícil. Me familiarizei e com o decorrer do tempo fui me aperfeiçoando, criei um estilo para tocar sozinho, comecei a ter amizades e a tocar nos melhores eventos da cidade. Demorou uns 15 anos para eu falar: ‘Agora eu vou viver de música’”, contou o artista.

“Foi difícil fazer isso, porque eu ganhava muito bem como vendedor, mas quem anda para trás é caranguejo. Tem que ser ‘o cara’ como músico e ter um repertório que condiz com que o pessoal gosta de escutar”, complementou. Ele começou seus estudos musicais no colégio interno XV de Novembro, ainda na adolescência.

O artista

Da origem do nome artístico, ele contou que tocava e o pessoal lhe chamava de Dom, por causa de sua idade – atualmente está com 73 anos. “Aí pegou, achei bacana. O Dom superou o Jair. É bacana porque realizei o meu sonho e aqui é difícil um instrumentista fazer sucesso. Eu, por exemplo, chego à Ponta Negra e recebo carinho das crianças e adultos”.

 

Dom Carioca sempre teve o sonho de viver de música e tocar nas ruas. Aliás, para ele, esse é o melhor palco, o mais democrático. “Não há coisa melhor do que você estar interagindo com o povo. Na Ponta Negra, eu interajo com o mundo, americano pede música, francês... Sou o cartão de visita da cidade. O melhor palco é a rua, me realizo nela, é onde recebo mais. Sou um artista de rua nato”. Hoje, de acordo com o carioca, ele vive muito bem e tranquilo de música. 

Fim de carreira

E quando o assunto é aposentadoria, ele informa que só para quando perceber que não está tocando bem. “Vou indo até quando me sentir bem. Quando começar a falhar, eu paro. Por enquanto estou com mais gás, mano”.

Músico

Jair Pereira Marques está radicado em Manaus há 30 anos. Ele veio à cidade para trabalhar como vendedor de títulos para o Nacional Futebol Clube. Com o tempo, de surpresa, a música surgiu novamente em sua vida.

Banda

Dom Carioca também faz parte de um grupo de blues e jazz chamado Celebridades. Ele vive de se apresentar ao ar livre, em ruas, praças, calçadões, shoppings, parques e sempre é convidado para  tocar o seu repertório romântico, composto em suma por clássicos da Bossa Nova.

 

 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.