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Sucesso na cena do rock nacional, CPM 22 volta a Manaus em turnê comemorativa

Além de celebrar a história do grupo, turnê também permite aproveitar um período entressafras, após fim da divulgação do projeto CPM 22 Acústico 03/06/2015 às 12:15
Show 1
Banda paulista CPM 22
Lucas Jardim Manaus (AM)

Figura já consolidada do rock nacional, a banda paulistana CPM 22 volta a Manaus nesta quarta-feira (3), véspera de feriado, por uma ocasião especial: o quinteto completa 20 anos em 2015 e traz à capital amazonense o show de uma turnê comemorativa, carregado com sucessos de vários discos da banda.

Em entrevista ao BEM VIVER, o vocalista do grupo, Badauí, disse gostar dos shows em Manaus. “Nós já tocamos dez vezes aí. Só esse número já indica o calor que o público de Manaus tem com a gente”, comentou.

A turnê, além de celebrar a história do grupo, também o permite aproveitar um período entressafras, após o fim da divulgação do projeto CPM 22 Acústico, que viu os músicos interpretarem seus hits do hardcore melódico, tais como “Dias Atrás” e “Irreversível”, em versões mais leves e desplugadas.

“Foi legal para caramba, tocar as nossas músicas tirando um pouco do ataque, principalmente na bateria e na voz, deixando-as em novas roupagens. A gente sempre começa a compor no violão e gosta de escutar country antigo, dos anos 40 e 50, então isso facilitou o processo”, falou.

Badauí ainda é enfático sobre a importância do Acústico na estrada percorrida pelo CPM 22 desde 1995. “Considerando nossos 20 anos de banda, ter um projeto acústico, ainda mais um carregado de emoção e sentimento como o que fizemos, foi um marco na nossa carreira, com certeza”, refletiu.

Para ele, o Acústico também deu a oportunidade de dialogar com outros públicos. “Uma das coisas legais do show foi atingir um público que normalmente não escutaria o nosso som e isso deu a chance de fazermos shows memoráveis. Infelizmente, não conseguimos incluir Manaus nessa turnê e olha que o público pediu, até por terem visto como ficou pelo DVD que a gente lançou. A gente também queria trazer porque sempre bate uma curiosidade sobre como o público vai reagir”, falou o vocalista.

Novo disco

Não escondendo o orgulho pela última turnê, Badauí é bem firme sobre o foco da banda no futuro, que começa a vir na forma das canções que comporão o próximo disco da banda. Ainda sem título, ele será o primeiro CD de inéditas do grupo desde Depois de Um Longo Inverno, de 2011, que viu o quinteto incorporando suas influências de ska de forma mais proeminente no mix.

Badauí informou que já existem duas músicas com melodias prontas e várias outras em diversos graus de completude, mas que ainda é muito cedo para definir como o álbum, que deverá ser gravado em setembro, tomará forma. Perguntado se o novo material carregará consigo o ska forte de Depois, ele comentou que acha improvável.

“O ska é um som bem diferente do punk, mas é algo que sempre esteve no CPM, até pela questão da ideologia. Além disso, depois que o [grupo britânico] The Clash misturou ska com punk, os dois andam lado a lado. Várias bandas que a gente escuta desde sempre, como o NOFX e o Millencolin brincaram com essa mistura também, mas acho que nesse disco novo, não vai ter muito ska não. Na verdade, acho que não vai ter quase nada [risos]. No máximo, pode ter algo de ska em algum trechinho dentro das músicas, mas estamos mirando numa pegada bem punk, bem rápida, para o projeto, que pretendemos lançar em janeiro [de 2016]”, revelou o vocalista.

Intervalo

Sobre o intervalo de pouco mais de quatro anos desde o último disco de inéditas (Depois foi lançado em dezembro de 2011) até o próximo, Badauí disse que, em parte, é uma questão de mercado.

 “Não ficamos parados, e em se tratando de inéditas, o Acústico tinha quatro músicas novas, mas no mercado de hoje, se você lança um disco por ano, as pessoas às vezes nem sabem que você o lançou, só as que acompanham muito de perto o seu trabalho. As outras simplesmente não têm como acompanhar [um ritmo maior]. Para divulgar bem um disco, você precisa de um ano e meio, dois anos na estrada”, informou.

Ele também falou uma das benesses da consolidação da banda é poder trabalhar no seu próprio ritmo. “Com a banda já tendo o seu público fiel, a gravadora não pressiona mais. Não tem mais produtor dizendo que a gente tem que lançar o disco em setembro, ou algo assim. Isso é uma vantagem da gente ter chegado onde chegou. A gente fala ‘não, espera aí...’ e tem mais tempo para trabalhar o material”, ponderou.

Novo cenário

Nos últimos 20 anos, é fato que o CPM 22 surgiu em um mercado musical muito diferente do atual, em que meios de divulgação como as rádios e a MTV (onde vários de seus clipes tiveram alta rotação) eram fortes em conectar bandas e seus públicos. Perguntado sobre o que está diferente hoje, Badauí não esconde as dificuldades dos tempos modernos, as quais atingem, segundo ele, as bandas mais novas.

“Antes, a informação chegava até o público. Hoje, o público decide se vai atrás da informação. Sinto que quando as pessoas dependiam mais da rádio ou mesmo da MTV para obter música, criava-se uma expectativa sobre o material. As pessoas sabiam quando ia sair um single novo, ou um clipe, e havia essa interação”, fala, com certa nostalgia.

“Hoje, todo mundo ouve o quer em seus iPods e é muito difícil falar com essas pessoas. Graças a Deus temos um público fiel e conseguimos nos manter fazendo shows. Fazemos entre 10 a 15 shows por mês, todos lotados, mas para as bandas novas, é muito difícil. Muitas chegam nas rádios e nossa, nem entram. O cara que está indo para o trabalho não está ouvindo a rádio, está ouvindo o CD dele. Nesse sentido, o público está mais alienado [da cena atual]”, asseverou.

'Pelo bem do rock'

Quanto ao espaço atual dado a bandas de rock, encarado como pequeno pelos fãs do gênero, o vocalista não se abate e diz que a postura da banda quanto ao seu som não mudou. “A gente vai continuar trabalhando nossa sonoridade da mesma maneira de sempre: com muito engajamento e falando o que pensa. Sobre o rock na mídia, acho engraçado: sempre que querem alguém com opinião, chamam um roqueiro, mas na hora de divulgar, apostam em outros gêneros populares, talvez por acharem que não tem público. Nesse meio tempo, vamos tocar em um festival em Ribeirão Preto (SP), só com bandas de rock, que vendeu 120 mil ingressos em menos de dois dias, então tem público sim”, colocou.

Na ocasião, a banda dividirá o line up com Pitty, assim como o fará em Manaus, e o vocalista manda logo: os grupos são amigos e já tocaram nos mesmos eventos incontáveis vezes. “As bandas com que a gente mais toca são a Pitty, o Detonautas Roque Clube, o Dead Fish e o Raimundos, principalmente nos shows do Sul/Sudeste, e é sempre muito legal. Conheço essas bandas há muitos anos e a gente sempre tem uma harmonia quando está junto, tocando pelo bem do rock”, concluiu.

Serviço

O quê: Brahma Pop Rock - Pitty e CPM 22

Quando: Hoje (3), a partir das 22h

Onde: Podium da Arena da Amazônia

Quanto: Pista: R$ 50 (meia) e R$ 100 (inteira). Front Stage: R$ 100 (meia) e R$ 200 (inteira)

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