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Entretenimento
Entrevista

Supernanny alerta sobre influência da mídia e de outras pessoas sobre as crianças

Em entrevista, a pedagoga Cris Poli contou sobre o novo livro, que dá dicas aos pais de como lidar com esse problema sem estresse 09/10/2016 às 11:35 - Atualizado em 09/10/2016 às 14:59
Show cris poli portal
Na obra, a argentina ensina como os pais devem lidar com diferentes situações de forma adequada
Natália Caplan Manaus

Você decidiu que não daria nada com açúcar antes das crianças completarem dos dois anos de idade, mas a avó, a tia e o primo sempre oferecem doces sem permissão. Há pais que não querem que os pequenos fiquem viciados em televisão ou os adolescentes assistam a vídeos impróprios, mas não têm controle sobre o que os amigos mostram na escola.

Essas são apenas algumas das preocupações quem envolvem um dos maiores desafios de se criar filhos: a influência de terceiros. Este, inclusive, é o tema do novo livro da argentina Cris Poli, “Atenção! Tem gente influenciando seus filhos”. Com mais de 40 anos de experiência em educação infantil — mais de 30 deles atuando no Brasil — ela dá orientações aos leitores para lidar com essas situações.

Ela ficou famosa pela apresentação da versão brasileira do reality show “Supernanny”, no SBT, que ficou no ar de 2006 a 2014, no SBT. Formada em educação pelo Instituto Nacional Superior do Professorado em Línguas Vivas Isaac Augusto Juan Ramón Fernandez, de Buenos Aires, Argentina, fez Licenciatura em Letras Inglês-Português na Universidade de São Paulo (USP).

Hoje, aos 71 anos, já escreveu cerca de dez livros e viaja pelo País para dar palestras a pais e professores. Em entrevista ao VIDA & ESTILO, ela falou sobre a nova obra e disse estar ciente de que as crianças estão sob a influência de muitas pessoas além dos pais e mães – como amigos, parentes, propaganda, moda, Internet, mídia, entre outros. Segundo a pedagoga, todos interferem na maneira de agir, falar e pensar delas. Mesmo assim, não prega a “demonização” de quem intervém na criação dos pequenos.

Por que você decidiu escrever esse livro falando dos perigos da influência sobre as crianças?

Para chamar a atenção aos pais sobre o assunto já que eles trabalham fora de casa e as crianças ficam com outras pessoas, avós, parentes, ou sozinhos, às vezes, na frente da televisão, internet, vídeo games, etc. Todos esses meios influenciam de uma maneira ou outra a educação dos filhos.

Na obra, há sugestões para solucionar tensões na família sem brigas. Por que os avós ganham destaque?

É possível que avós sejam intransigentes, mandões e autoritários ou se achem no direito de dar palpites o tempo todo. Mas isso não pode intimidar você e seu cônjuge. Ficar refém de um estado de estresse emocional não funciona.

Qual foi o caso mais difícil, que se encaixe nesse tipo de problema, acompanhado por você?

Acompanhei uma família que morava vizinha dos avós e na qual as crianças fugiam para a casa dos avós cada vez que os pais colocavam limites. Na casa dos avós eram acolhidos e eles não tinham limites. Foi difícil trabalhar com os avós e convencê-los de que a atitude deles na criação dos netos estava errada.

No livro, porém, você enfatiza que a criança não deve ser afastada/isolada.

Viver em sociedade é uma das experiências mais gratificantes que um indivíduo pode ter, além de ser uma necessidade. É nessa interação que ele conhece o outro, troca ideias, expõe pontos de vista, torna-se gente ativa, porta-se de modo digno em um mundo carente de virtudes.

É um problema muito comum nas famílias atuais?

Sim, muito mais comum nos dias de hoje, do que as pessoas pensam.

Qual é a principal estratégia que os pais devem ter para lidar com a influência de terceiros?

A principal estratégia é que os pais estejam mais perto dos filhos, acompanhando e conversando com eles para saber de que maneira estão sendo influenciados. Também colocando rotina, regras e limites para o tempo que eles estão sem os pais — que devem ser obedecidas.

Qual é o principal erro dos pais na criação, que podem resultar na má influência de outras pessoas sobre os filhos?

O maior erro é não organizarem seu tempo livre para interagir mais com seus filhos, conhecer seus filhos e transmitir princípios e valores que eles querem inculcar neles.

Você já teve cerca de dez obras publicadas, direcionadas aos pais, cuidadores e professores. Qual é a tua expectativa sobre esse novo livro?

Desejo que esse novo livro seja de grande ajuda para os pais nessa desafiadora tarefa de educar os filhos.

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