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Suspensão das vendas oficiais da Nintendo no Brasil traz comoção para fãs de várias gerações

Mesmo com o anúncio da suspensão, por tempo indeterminado, muitos 'nintendistas' se reuniram tanto para questionar como agradecer a marca 19/01/2015 às 10:12
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Fãs da Nintendo agradecem a marca
Laynna Feitoza ---

Há cerca de 10 ou 15 anos, vivíamos uma era inspirada em apertar botões de um controle redondinho aleatoriamente, na frente da televisão, com o auxílio de uma camisa por cima (para os dedos deslizarem mais livremente). Depois, em aprender os comandos certos e saber exatamente quais botões apertar para executar o “golpe” ou o “pulo” exato. Não adianta negar: muita gente era feliz com videogames de 16 ou 32 bits, e suas trilhas sonoras sintetizadas.

Embora os avanços tecnológicos nos consoles das mais variadas marcas também nos permitam fazer isso e muito mais - como movimentar o corpo para acionar certos comandos nos games - muitos gamers (nome dado aos entusiastas da categoria) ainda lembram do seu primeiro videogame. A maioria soa uníssona: o primeiro videogame que tiveram na vida era fruto da marca Nintendo.

Mesmo com o anúncio de que a venda oficial dos produtos da Nintendo no Brasil tinha sido suspensa por tempo indeterminado, muitos “nintendistas” se reuniram tanto para questionar (e com muito pesar) a decisão da empresa, tanto para relembrar quanto para agradecer pelo enorme baú de recordações plantado em cada infância.

A maior lutaUm exemplo de nintendista fiel é o universitário Victor Ataíde, 20, que recorda bem como ganhou o primeiro console. “Eu tinha apenas três anos e lembro como se fosse hoje do meu pai me dando um Super Nintendo, junto ao ‘Super Mario World’, meu primeiro jogo”, revela.

A lista de primeiros jogos da vida ainda traz a série “The Legend Of Zelda” e “Donkey Kong Country”. “Os mesmos conseguem te prender dentro do game. Até mesmo os jogos mais simples conseguem ser muito divertidos”, conta Victor, citando o jogo “Zelda: The Twilight Princess” para o Nintendo Wii como um primor.

“O jogo é simplesmente perfeito, trilha sonora impecável. Mesmo com sua dificuldade absurda (principalmente na parte de decifrar enigmas e ter que adivinhar o local para ir, ou suas mais de 50 horas de jogo). Todas as suas cenas me deixam emocionado, pois a história do jogo é muito bem elaborada e envolvente. Mas a que mais me deixou extasiado foi a luta entre Link e Ganondorf. Para muitos amantes de Nintendo, é a maior luta que existe”, declara ele.

Vitória noturna

Fascinado pelos jogos da franquia Zelda e Pokémon, o auxiliar de cartório Érico Castro, 24, destaca os jogos dos Mario Bros (principalmente “Super Mario 64”) como aqueles que mais o envolveram. “Porque, além de ter sido meu primeiro contato direto com os videogames, também foi um jogo que me deixou deslumbrado com o seu enredo e com a experiência que proporciona”, comenta ele, que aos 7 anos ganhou um Nintendo 64 com o jogo “Super Mario 64”.

Castro recorda as noites inteiras em que jogou “Donkey Kong Country” e “Super Mario World” no Nintendo. “Terminar um jogo difícil é sempre muito gratificante. Eu me lembro da primeira vez que terminei ‘Starfox 64’, por exemplo. Perdi metade das vidas que tinha conseguido, e a maneira de enfrentar o último chefe no modo Difícil era bem diferente”, pontua.

E, no meio das noites inteiras perdidas – ou, na verdade, ganhadas – jogando videogame, ele destaca o jogo “Zelda Ocarina of Time”, do Nintendo 64, como um dos mais marcantes. “Me lembro que fiquei tão fissurado no jogo que minha mãe me proibia de jogar. Era o jogo perfeito. Não é à toa que é considerado um dos melhores de todos os tempos”, afirma.

Aprender sim

O designer de interação Gláucio Silva, 26, já teve ou jogou todos os consoles da Nintendo, exceto o portátil Gameboy. “Joguei o SNES (meu), Nintendo 64 (meu irmão tinha), Gamecube (meu irmão tinha), Wii (tenho) e Wii U (tenho). Dos portáteis tenho o DS, e já joguei bastante o 3DS. Atualmente possuo o SNES, o Wii e o WiiU”, destaca.

Por volta dos nove anos de idade, ele ganhou o SNES (Super Nintendo). “Ele vinha com o ‘Kirby Super Star’ e meu irmão tinha o ‘Mario World’. A franquia Megaman e Megaman X como um todo é excelente, mas tenho uma relação especial com ‘Megaman 7’ e ‘Megaman X’. Já das franquias próprias da Nintendo também gosto bastante de Zelda e Smash Bros”, declara.

As muitas tardes em que passou com os amigos jogando jogos de luta costumam passar pela cabeça do designer como um filme. “E lembro disso acontecendo com mais frequência na época do Smash Bros. Boa parte do meu primeiro aprendizado de inglês foi tentando entender os jogos, tanto para compreender os seus contextos quanto para decifrar os comandos”, ressalta ele, que apesar de estar envolvido com o Wii U, não esquece do velho SNES. “Os clássicos estão lá e sempre volto para jogar”. Um bom nintendista que, assim como outros, sempre irá recorrer às boas memórias.

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O diretor-geral da Nintendo para a América Latina, Bill Van Zyll, afirmou em entrevistas que o mercado brasileiro para a empresa continua forte, mas atribuiu a decisão de encerrar – por tempo indefinido – a distribuição oficial dos seus jogos no Brasil às altas taxas de importação. “Nós nos vimos forçados a repensar este modelo", declarou ele, dizendo que a empresa continua estudando soluções para readequar o modelo de negócios ao País. “Não estamos desistindo do Brasil”, finalizou.

Frase

"Acho que a Nintendo sempre será tradição. Foi praticamente a pioneira no seu ramo. Em relação à evolução tecnológica, eu não acho que é um problema, pois a Nintendo é sempre a pri-meira a inovar nos seus consoles, como o Nintendo Wii, e agora o Nintendo WiiU, que vem com os gráficos igualados a Xbox 360 e PS3. A marca sempre terá um local especial, não só no meu, mas no coração de muitos gamers no Brasil e no mundo inteiro".

Victor Ataíde, universitário



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