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Tal pai, tal bicho: tutores e cães com personalidades parecidas

Na literatura da medicina veterinária há pesquisas que comprovam a similaridade da personalidade dos humanos e seus cães. Há quem diga que a conexão pessoal é tanta que os caninos conseguem até prenunciar certas coisas 30/05/2015 às 12:12
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Animais se espelham nos donos por vê-los como o “líder da matilha”
Laynna Feitoza Manaus (AM)

A universitária Alexia Yanka, 18, diz ficar espantada com a semelhança entre ela e a sua cadela, a pequena Hannah, de seis anos. “Ela é muito calma, obediente, e sou assim também”, aponta a moça. Ainda segundo ela, a cachorrinha está disponível para qualquer atividade com ela. “Se eu passar o dia inteiro dormindo, ela passa o dia inteiro dormindo. Quando eu vou deitar na cama, ela vem deitar ao meu lado. Não pede para fazer xixi nem nada. E ela também gosta de ver TV comigo. Quando vou fazer trabalho da faculdade, ela fica paciente, me esperando”, complementa.

A realidade de Alexia não é diferente da que é vivida por muitos tutores de cães por aí: na literatura da medicina veterinária há pesquisas que comprovam a similaridade da personalidade dos humanos e seus cães. Há quem diga que a conexão pessoal – por vezes até espiritual – é tanta que os caninos conseguem até prenunciar certas coisas.

“A Hannah sempre estranhou um ex-namorado meu. Ela nunca gostou dele. Nosso relacionamento não acabou bem, e agora o que ela faz é tentar mordê-lo quando o vê”, lembra ela, aos risos. “As pessoas costumam dizer que ela sou eu”, destaca.

Cão fitness

O músico Lucas Batista, 25, cria a pastor-alemão Bel há 11 anos, e começou a perceber algumas semelhanças de personalidade quando ela tinha por volta dos cinco.

“Eu sempre gostei de atividade física, por exemplo, e ela se habituou a isso. Em todo esse período, quando começa a dar próximo ao meu horário de correr, ela me acompanha. Fora que ela é muito dispersa. Se ela está de olho na comida, ela está de olho também na rua, e vice-versa. Bel também não gosta de ficar no meio de aglomerações e tumultos que já quer se distanciar, assim como eu”, relata ele.

Lucas começou a perceber um certo amor dela por outros animais. E ele é estudante de medicina veterinária, o que já faz várias referências. “Já aconteceu de amigos meus trazerem seus cachorros filhotes para ela cuidar, e ela cuida. Ela nunca matou nenhum animal, o máximo que faz é por na boca, soltando em seguida. Bel é sempre muito comunicativa. Como eu também sou, ela aprendeu a gostar muito de pessoas, principalmente crianças e idosos. Ao passearmos, se ela vê pessoas de rua e as julga suspeitas, ela começa a marcar território em minha volta, a rosnar, etc.”, encerra.

Líder da matilha

Segundo a médica veterinária Jéssica Barroso, é em torno do terceiro mês de vida que o cão começa a “aprender”, por meio da observação da rotina de seu tutor. “São muitos os relatos que dão conta disso, e não só relatos, mas também observamos na clínica pacientes e tutores com comportamentos semelhantes, principalmente a ansiedade. Já ouvi um caso em que a proprietária, sempre que parava em algum local dobrava o pé, e o cachorro começou a fazer a mesma coisa”, revela.

Para Barroso, o cão vê ou devever o seu tutor como o líder da matilha. Por conta disso, todo o seu comportamento se adequa de acordo com o ambiente. “O animal adapta-se aos horários de refeição, descanso, passeio... a toda a rotina do tutor”, considera. Os cachorros em que mais se observa esse tipo de comportamento, conforme Jéssica, são os cães do tipo “miniatura”. “Mas não por uma predisposição, e sim pelo fato de geralmente serem cães que ficam mais tempo em contato com o tutor, dentro de casa”, coloca.

Saiba +

Estudos à prova

Pesquisadores da Universidade de Leicester, na Inglaterra, constataram que pessoas menos preocupadas com os demais e mais competitivas preferem cães mais agressivos. O estudo aponta também que o tipo físico dos donos tem influência sobre o tipo físico dos cães.

Frase

“Considerando os filhotes como uma página em branco, é bem mais fácil e comum que eles adquiram os bons e maus hábitos dos seus tutores. Porém, um cão mais velho pode sim adquirir comportamentos parecidos, dependendo da influência do seu líder da matilha”, por Jéssica Barroso, veterinária

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