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Teatro

Talentos em cena: Atores amazonenses se apresentam com ‘estrelas’ da televisão

Nova produção de ‘Romeu e Julieta’ recebeu jovens artistas de Manaus em projeto inédito de inclusão no palco 07/02/2017 às 12:05
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Com exceção de Felipe Simas e Júlia Konrad, todos os atores da peça eram locais (Fotos: Maria Luiza Dácio e Divulgação)
Natália Caplan Manaus

A estudante de Direito narra e encena “Romeu e Julieta”. O graduando de Farmácia entrega o veneno para o protagonista. Já a universitária de Dança vive a amiga da mocinha. Eles são, respectivamente, Júlia Romano, 19, Guilherme Bindá, 22, e Vanessa Costa, 22. Atores amazonenses que integraram o elenco da montagem adaptada por Michel Bercovitch, no último fim de semana, em Manaus. Eles tiveram apenas 24h de ensaio.

“Foi um desafio, um pouquinho assustador, mas muito bom. Valeu à pena. Isso que ele [diretor] fez de selecionar atores locais foi algo revolucionário, um projeto de inclusão lindo. Se para um ator que está no Rio de Janeiro, ou São Paulo, já é muito difícil, imagina para o amazonense”, declarou a primeira, que atua há 1 ano e meio. “Dividir o palco com atores globais foi uma experiência incrível”, completou.

Os “globais” citados são Felipe Simas e Júlia Konrad, protagonistas da peça em turnê pelo Brasil. A amazonense, inclusive, recebeu um conselho do galã nos bastidores. “Ele disse: ‘sempre vai ter pessoas dizendo que você não é ator, porque não tem contrato com alguma emissora. Você é ator sim. Estuda muito, faz a tua carreira. Um dia, na hora certa, no lugar certo, as oportunidades irão surgir’. Questão de sorte e oportunidades”, afirmou ela.

Experiência

O boticário responsável pelo “veneno” no clássico de William Shakespeare está na metade do caminho para se tornar um farmacêutico na vida real. Há um ano, começou a se dedicar ao teatro, onde pretende se aprofundar após concluir a graduação. “Foi uma experiência maravilhosa, os atores e o diretor foram muito gentis, compreensivos e ajudaram a gente em tudo que foi preciso. Nos deram muito apoio e isso contribuiu bastante pro resultado final do espetáculo. Meu maior sonho é estudar fora e ter uma carreira que faça poder viver de atuação, seja em TV ou teatro”, declarou Guilherme Bindá.

Para Vanessa Costa, contracenar com atores que já chegaram ao sucesso nacional serve de incentivo para não desistir da profissão. Segundo ela, o Amazonas está em evidência, ganhando espaço na televisão, com a nova novela “Força do Querer” e a minissérie “Dois Irmãos”, ambas com locações na região. “Ter a experiência de atuar com grandes atores que temos como inspiração, serviu para perceber que podemos acreditar em ir além. Há três anos que atuo profissionalmente. Em Manaus, o teatro, a arte em si, é tão difícil de viver... Não temos grandes oportunidades, mas essa foi e será eternizada na minha memória. Foi mágico”, disse a atriz e bailarina.

Valores e aprendizado

Com direção e adaptação de Michel Bercovitch, a peça é ambientada numa região de conflitos que remetem a qualquer guerra de dimensões maiores entre países ou entre religiões. A cada cidade em que a turnê se apresenta, o “Atelier do Ator” propõe a participação de atores locais, como convidados para compor o coro do espetáculo e atuar, representando alguns personagens. 

“Abrir essa parceria, valorizando os artistas locais, nos motiva e nos enriquece, pois acreditamos que esse intercâmbio agrega valores humanos e artísticos. Acreditamos também, que essa iniciativa ajuda na própria promoção do espetáculo nas cidades, oferecendo a possibilidade do público entrar em empatia instantânea com a peça. Agregar, trocar e celebrar o encontro”, pondera Flávia Paulo, produtora executiva do espetáculo.

Evelyn Félix, 18, estudante

“Em Manaus, existem muito atores empenhados, que estudam e se dedicam ao teatro. Mas, infelizmente, não são muito aproveitados. Fiquei muito feliz quando soube que estaria no elenco. Adquiri muita experiência com todos. Aguardo ansiosamente na espera de novas oportunidades. Foi uma das minhas melhores experiências no palco. Com a ajuda do diretor da peça, Michel Bercovitch, conseguimos uma sintonia muito boa, mesmo tendo apenas um dia e meio para as marcações de palco, ensaios e testes de figurino. Creio que conseguimos mostrar um pouco o talento e dedicações dos atores locais."

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