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LITERATURA

'Tantos Mundos', livro de poesia do escritor amazonense Carlos Almir, ganha nova edição

Escrita originalmente em 2004, obra traz poemas sobre o cotidiano e os sofrimentos particulares e universais 05/10/2017 às 10:27
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(Foto: Reprodução/Internet)
Tiago Melo Manaus (AM)

Escrito originalmente em 2004, 'Tantos Mundos', o terceiro livro de poesia do escritor Carlos Almir, ganha uma nova edição, nesta sexta-feira (6), desta vez pela editora Penalux. O lançamento acontece a partir das 18h, no auditório do Ministério Público Federal (MPF), localizado na Avenida Ephigênio Salles, bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus.

Dividido em três capítulos ('Poemas do Mundo', 'Reflexões sobre um mundo cheio de vida' e 'Ainda o amor, o meu mundo'), a obra trata sobre temas do cotidiano, violência das cidades, o dia a dia, entre outros sofrimentos particulares e universais.

"A maior diferença do meu livro anterior, o Íntimas Palavras, é que esse traz a temática do cotidiano, enquanto o outro, lançado em 2015, era completamente voltado para o sentimento. Eram 53 'eu te amo' ditos de formas diferentes", explicou o autor.

De acordo com Carlos Almir, 'Tantos Mundos' tem influências do movimento modernista da poesia e bebe da fonte de grandes nomes da poesia como Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar e Thiago de Mello.

"O nome tem a ver com o meu interior. São diversos mundos que existem dentro do poeta. São os tantos mundos que carrego em minha alma", afirmou o escritor, ressaltando que o livro foi escrito em uma época em que ele estava com problemas de saúde.

"Em meados de 2004, quando eu estava de cama, passei o ano andando de cadeira de rodas, de muletas, eu só tinha uma janela do meu quarto para me contatar com o mundo. A inspiração foi justamente a necessidade de manter a cabeça fria com a situação. Escrever 'Tantos Mundo' foi uma forma de escape daquela realidade", comentou Carlos Almir.

Com capa e editoração nova, a edição, segundo o autor, capta bem o espírito do livro que, por sua vez, representa um amadurecimento na sua escrita. "Estou amadurecendo e mudando meu processo de escrita. Meu próximo livro de poesia será escrito de forma diferente, serão haikais", concluiu o escritor, adiantando que, também, está preparando um romance a ser lançado em breve. Confira abaixo um dos poemas do livro:

Janela

Os pedaços de minha janela
são os mesmos que choram
as minhas verdades,
enquanto o azul de minha praia
são meus olhos azuis,
que choram vendo o brilho da tarde.
Minha janela é minha vida,
uma vida azul e pensante,
talvez seja uma janela
sem parede ou teto,
mas com o pensamento enorme,
que voa junto com o pássaro azul
no peitoral da janela.
Assim, meu vôo é sem limites,
é o ser ou não ser...,
é a vida de uma garça,
que voa sem graça sobre o azul do mar.
Eu não tenho mar,
mas tenho janela,
de onde tiro e onde coloco o que quiser:
mar, montanha, árvore, geleira
e uma besteira qualquer.
Minhas vontades estão no ar,
não há como fugir;
basta abrir a janela e por ela olhar;
se estou triste, dá para um abismo;
se não, dá para o mar.
Triste do homem que não cria,
pois este não tem janela para olhar.

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