Domingo, 21 de Julho de 2019
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Teatro: ensaios abertos de 'A Casa de Inverno' são aperitivo para o público

Segundo o ator Taciano Soares, que assina a direção, iluminação, maquiagem, figurino e cenário da obra teatral, as pré-exibições da produção possuem a premissa de inserir a plateia no ambiente da própria casa de inverno, que conforme ele, consiste um lugar inóspito e denso



1.jpg 'A Casa de Inverno' estreia no dia 27 de julho, no Sesc Centro
11/07/2013 às 18:05

A relação íngreme de uma família dispersa entre identidades e afetos é a principal veste do espetáculo ‘A Casa de Inverno’, que irá estrear no dia 27 de julho, no Sesc Centro, localizado na Rua Henrique Martins, 427. Mas antes da estreia, uma espécie de aperitivo está sendo servido ao público nos ensaios abertos da produção teatral, cujas sessões – que ocorrem todas as quartas, desde o dia 03 de julho – se repetem nos próximos dias 17 e 24 de julho, às 15h, no mesmo local da estreia da montagem.

Segundo o ator Taciano Soares, que assina a direção, iluminação, maquiagem, figurino e cenário da obra teatral, as pré-exibições da produção possuem a premissa de inserir a plateia no ambiente da própria casa de inverno, que conforme ele, consiste um lugar inóspito e denso.

“Nós levantamos os alicerces entre as paredes da Casa de Inverno. Isso merece um cuidado maior na hora de inserção do público, porque não queremos fazer a experiência brusca de inserir a plateia no espetáculo apenas em sua estreia. Os ensaios abertos abrangem a preparação do elenco, do diretor, e do público para receber a produção”, pontuou Soares.

Debates pós-cena

Um dos tópicos pontuados por Taciano que selará tanto os ensaios quanto a temporada de apresentações pós-estreia é o debate em todas as suas exibições. De acordo com ele, o diálogo entre os emissores e receptores da obra auxilia no processo da compreensão mútua, seja entre o entendimento do público para com a obra, como também entre a resposta que precisa ser sentida pelos artistas que integram a equipe de ‘A Casa de Inverno’.

“Embora as pessoas precisem de um tempo para absorver a quantidade de imagens que o espetáculo produz, é importante ouvir as pessoas após a apresentação. É necessário ouvir a todos. O espetáculo não tem a ideia de ser contemplativo. A ideia é que nós discutamos a retroalimentação que há entre o que é produzido em cena e o que é consumido pela plateia”, revelou o diretor.

Laços de sangue em decomposição

O âmago do espetáculo - cujo texto original é assinado pela dramaturga catarinense Martina Sohn Fischer – é centrado nos laços desconstruídos entre uma mãe, um homem e um filho (interpretados respectivamente pelos atores Danilo Reis, Diego Bauer e Victor Kaleb) e aborda uma família que, por conta das relações gélidas entre si, não se reconhece. O título do espetáculo, ‘A Casa de Inverno’, faz analogia ao frio que não pode ser sentido na pele exterior, mas sim na pele da alma de cada um dos três entes, de acordo com o diretor.

“A produção fala sobre o holocausto de uma família perdida. A estranheza é a palavra que norteou o processo e que tem repercutido com a plateia. Ele é subsidiado pela palavra, elemento que me fez desenvolver toda a concepção da produção. É um espetáculo do não-lugar. Falamos do ser ou não ser, do parecer, mas não ser”, apontou Soares.

Estranheza entranhada na plateia



E a preparação do público para receber a estreia do espetáculo tem cativado a sensação de estranheza proposta pelo núcleo teatral. Conforme Taciano, durante os debates após os ensaios abertos, o público presente tem alegado perceber a analogia do conceito de inverno existente na casa.

“Já disseram, de uma forma bem simples, que é preciso ter estômago para assistir a obra, porque ela mexe com a sensação das pessoas que ficam ao redor do palco. O espetáculo é muito forte, e está sendo classificado desta forma pela plateia. A força dos atores no espetáculo também tem sido pontuada. A trilha sonora (assinada por Ediel Castro e Tai Guedes) chama a atenção dos presentes por trabalhar com silêncios, então são diversos tópicos”, relatou Soares.

Teatro audiovisual

O cenário de ‘A Casa de Inverno’ é composto por uma plataforma branca de 4 metros de comprimento e 1,5 m de largura, que é o chão da atuação dos artistas. A produção teatral também é marcada por recursos audiovisuais em duas cenas do espetáculo, disse o diretor.

A justificativa do elemento extra no produto cênico se dá com o intuito de reproduzir ambientes que só se passam no passado dos personagens – ou na mente deles -, segundo Taciano. O contraste entre as palavras e o silêncio – dois pilares da obra – pincela o que denuncia ser o pararelo entre a introspecção familiar e a força verbal do afeto até então calado dos entes em cena.

“Emprestamos do audiovisual dois recursos para duas cenas do espetáculo. Uma cena consiste na projeção feita nessa plataforma branca. E a outra resulta em um áudio que é feito totalmente no escuro e com disposição de um som estéreo, de maneira a preencher todo o teatro. O vídeo é utilizado quando o  personagem vive um momento antigo, que não se passa no espetáculo. Além disso, que se passa na cabeça dela. Este recurso ajuda a reforçar isso”, destacou o diretor.

Taciano explica que a palavra é uma constante porque, em vários momentos, os atores narram várias vozes, que se projetam no presente, passado e futuro. “O espetáculo fala sobre as palavras, que estão jogadas por toda a casa. Com isso, a plateia não tem nenhum recurso visual na hora do som. Ela só ouve as palavras sussurradas”, finalizou.

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