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TURNÊ

'Ter um trabalho conjunto alegra a gente', diz Caetano Veloso sobre show com os filhos

O cantor se apresenta ao lado de Moreno, Zeca e Tom no show "Ofertório", que chega a Manaus neste sábado (5) 03/05/2018 às 14:54
Show caetano moreno tom zeca veloso promo fotos  marcoshermes 18
Com formato mais acústico, apresentação tem clássicos de Caetano e composições dos filhos (Marcos Hermes/Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Caetano Veloso admite que ter filhos foi a coisa mais importante da sua vida adulta. Pai de Moreno, Zeca e Tom, o baiano costumava cantar para eles dormirem, embora o caçula não gostasse muito de ouvir o compositor de “O Leãozinho” antes de ir para a cama. Com o passar dos anos, cada um dos rebentos foi se aproximando da música a seu jeito, e o destino parece ter conspirado para o momento atual, em que a família Veloso está rodando o Brasil e o mundo com o show “Ofertório”. A turnê em conjunto chega a Manaus neste sábado, dia 5 de maio, e Caetano respondeu algumas perguntas da reportagem sobre o novo projeto.

“O impulso inicial e a obstinação de insistir no show foram meus. Era um desejo profundo e muito individual meu. Fiquei feliz quando, depois de algumas esperas, os três se mostraram disponíveis e interessados”, explica o cantor, que não se apresenta em Manaus há exatos 11 anos, quando trouxe a turnê do disco “Cê”.

Independentemente da música, Caetano diz que sempre se sentiu muito próximo aos filhos. “Achei uma coincidência boa que todos chegassem a produzir música pois assim eu teria um jeito de ficar fisicamente perto deles por mais tempo. Filhos crescem e se afastam, o que é normal e saudável, mas os pais sentem falta. Ter um trabalho conjunto alegra a gente”.


Com Moreno Veloso, o primogênito (Thereza Eugenia/Reprodução)

Repertório sentimental

No sábado, o público manauara ouvirá um repertório com músicas em formato mais acústico e que têm significado especial para os quatro – canções não só da lavra de Caetano, mas também da carreira solo dos filhos. “Todo homem”, de Zeca, é a verdadeira joia do show, momento em que o filho do meio mostra sua desenvoltura com os falsetes, que também são uma das marcas do pai.

“Todos queríamos que Zeca cantasse ‘Todo homem’, música de que éramos encantados admiradores - e quem veio a ouvi-la depois confirmou nossa opinião. Todos concordaram quando eu disse que queria cantar ‘Ofertório’ e ‘Reconvexo’. E quando eu pedi a Moreno pra cantar ‘Um passo à frente’. Em geral, houve concordância quanto ao repertório”, completa Caetano.

“Ofertório”, a música que dá nome à turnê, é um tema religioso que ele compôs há duas décadas para a missa de 90 anos da mãe, Dona Canô, falecida em 2012 e a quem o show é dedicado. “O seu amor”, que Gilberto Gil compôs na época dos Doces Bárbaros, é outro destaque da apresentação e foi sugestão de Tom, que ajudou o pai a decifrar o arranjo vocal original. “Mas eu fui o único a mostrar preguiça de cantar ‘Alegria, Alegria’ quando Zeca sugeriu que abríssemos o show com ela”, entrega Caetano, a respeito de uma das canções-ícone da Tropicália.

Tropicália ontem e hoje

A trajetória do movimento tropicalista e do próprio Caetano Veloso se confundem em muitos pontos, afinal, o baiano de Santo Amaro foi um dos seus agitadores centrais. E como um dos principais acontecimentos da cultura brasileira, a Tropicália vem sendo celebrada desde o ano passado, quando se completaram 50 anos do Festival da Música Popular Brasileira, ocasião em que Caetano e Gilberto Gil lançaram as sementes do movimento: as músicas “Alegria, Alegria” e “Domingo no parque”.

O livro “Verdade Tropical”, que acaba de ganhar uma nova edição pela Companhia das Letras, é um bom ponto de partida para quem quiser se aprofundar no assunto. Lançado em 1997, o livro é um relato de Caetano sobre os caminhos que levaram ao tropicalismo. “Gosto do livro, tem muitas coisas boas. A nova introdução que escrevi é confusa e cheia de sugestões, mas há ao menos um erro (que foi detectado pelo jornalista da Rolling Stone numa entrevista enviada por e-mail) sobre consumo de música brasileira e estrangeira entre nós que precisa ser corrigido. Ainda não tive tempo”, comenta.

Aproveito a chance e pergunto: aquela experiência estética dos anos 60 se esgotou ou segue em expansão? “Nada se perde, tudo se transforma”, ele responde. “A Tropicália produziu mais consequências do que influências. Não é um gênero nem um estilo definido. É uma postura crítica e de ideias que seguem podendo ser acessadas e a que se pode referir”.

Frase

"Sempre cantei para eles dormirem. Moreno e Zeca gostavam. Tom me pedia pra parar de cantar. Indo por caminhos diferentes, todos se aproximaram da música a partir de um momento da vida. Quero cantar com eles pelo que isso representa de celebração e alegria, sem dar importância ao sentido social da herança".

Serviço

o quê: Show “Ofertório”

quando: Sábado, dia 5, a partir das 21h

onde: Studio 5 (av. Gen. Rodrigo Otávio, 3555, Distrito Industrial)

quanto: Ingressos pelo site www.aloingressos.com.br ou nos pontos de venda nos shoppings Amazonas, Manauara, Sumaúma e ViaNorte

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