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ENTREVISTA

Theodoro Cochrane vive personagem fora dos padrões em 'O Sétimo Guardião'

Filho de Marília Gabriela, ator pode ser visto como Adamastor Crawford na novela de Aguinaldo Silva 09/02/2019 às 15:33 - Atualizado em 10/02/2019 às 11:28
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(Edu Rodrigues/Divulgação)
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

O paulistano Theodoro Cochrane diz que praticamente nasceu dentro de um estúdio de televisão. Filho da atriz e jornalista Marília Gabriela, desde criança ele ia às gravações da mãe para o “TV Mulher”, quando não acompanhava os bastidores do programa infantil “Balão Mágico”, ambos na Globo. A TV era como uma “caixa mágica” que sempre encantou o pequeno Theodoro.

“Sabia que iria fazer algo que mexesse diretamente com criatividade e arte. Lembro de assistir ao ‘Marília Mulher Gabriela’, especial de música que minha mãe fez no início dos anos oitenta como cantora, e de me encantar com tudo que envolvia a produção de um conteúdo artístico ou lúdico”, recorda ele. “Mas naquela época eu dizia que seria pintor. E não é que anos depois fiz faculdade de Desenho Industrial em paralelo à de teatro?”.

Aos 40 anos, o ator tem no currículo trabalhos realizados nos palcos, no cinema, televisão e também como figurinista. Atualmente, pode ser visto na novela “O Sétimo Guardião”, de Aguinaldo Silva, na pele do misterioso Adamastor Crawford, braço-direito de Ondina (Ana Beatriz Nogueira) na administração da pousada e do bordel da fictícia cidade de Serro Azul. Apesar de não se assumir gay, o personagem de Theodoro sabe que é diferente dos homens heterossexuais da cidade e sofre bullying dos vizinhos. Nessa entrevista exclusiva ao BEM VIVER, o ator comenta sobre o papel e muito mais:

A (in)definição da sexualidade do Adamastor em “O Sétimo Guardião” parece ter um peso na construção do personagem. Como encarou esse processo?

Quando li a sinopse da novela percebi que o Adamastor tinha como questão fundamental em sua vida a própria sexualidade e a autoaceitação. Ao mesmo tempo em que o personagem transbordava segurança a ponto de se mostrar de uma maneira completamente fora do padrão da sociedade, por dentro ele parecia não aceitar seus reais desejos. O que tem me ajudado muito são as referências que encontrei, como o Drácula do Gary Oldman, a Cruela de “101 Dálmatas”, o Dândi, o João do Rio. Essa mistura me enriquece e torna o Adamastor sui generis, sem jamais esquecer de sua humanidade.

O que está achando do papel? Pode adiantar algo sobre o futuro dele?

Acho o Adamastor fascinante, é maravilhoso poder fazer um personagem que permita pinceladas mais fortes, que flerta com a fantasia, que tenha humor de uma maneira inusitada! Principalmente em uma novela das 21h. O futuro dele a Aguinaldo Silva pertence. Nosso autor, genial, não adiantou muito sobre o que acontecerá com ele. Acho extremamente interessante isso porque deixa minha interpretação mais aberta a diferentes possibilidades.

Televisão ou teatro, o que te completa mais? Como é tua relação com cada um desses espaços de atuação?

Pergunta difícil. Amo as duas. Televisão tem uma responsabilidade enorme com equipe, números e rapidez para a entrega de um resultado de qualidade. Adoro trabalhar com prontidão. Você tem de ser competente e rápido, precisa ter uma concentração absurda e ser verdadeiro em sua atuação. Desafiador! Teatro é o início de tudo.  Lá você estuda, experimenta, entende diferentes linguagens, recebe o retorno imediato do público, trabalha seu corpo, sua voz, sua presença. Conhecer seu instrumento de trabalho é imprescindível para a entrega de um trabalho presente e de qualidade. Teatro te permite verticalizar o estudo do papel que você faz, te permite perceber e controlar mais o resultado do atuar.

O diretor Bruno Barreto já teve um filme [“O que é isso companheiro?”] indicado ao Oscar, e você trabalhou com ele em duas produções: as séries “Toda forma de amor”, para o Canal Brasil, e “The American Guest”, para a HBO. Como é ser dirigido por ele?

Bruno é um diretor experiente, meticuloso. Ele jamais desiste de uma cena enquanto ela não atingir a excelência que almeja. Nunca dirá “corta, temos!”. Tem um bom gosto ímpar e um cuidado grande com o elenco. Foi uma honra poder trabalhar com um diretor desse porte e reconhecimento.

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