Sábado, 16 de Outubro de 2021
Folclore

Toada do Boi Garantido ganha versão nas vozes dos rappers BNegão e Shackal

Os cariocas chegaram à toada 'Um Mundo Novo' via articulação do bumbá com agentes da cultura nacional. Releitura pode ser ouvida no Youtube



08/09/2021 às 12:44

Os rappers cariocas BNegão e Shackal, ícones do movimento hip-hop no País, decidiram homenagear o maior bioma brasileiro no Dia da Amazônia, celebrado no último dia 5. Os artistas retrataram, em versão que mistura rap e boi, a toada "Um Mundo Novo", do álbum "Eu Amo Parintins 2021", dos compositores Mencius Melo e Rubens Alves. A versão foi apresentada na live "Amazonia Viva" do Instituto Cultural Ajuri (Inca) em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), no último domingo. A regravação pode ser ouvida no Youtube.

De acordo com o presidente do Boi Garantido, Antônio Andrade, que teve acesso em primeira mão ao material produzido, a versão é de arrepiar. "É um trabalho surpreendente de quem sabe se comunicar com as camadas da produção artística brasileira. Eu recomendo a todos ouvir esse material", destaca.

Ainda de acordo com o gestor, BNegão e Shackal chegaram à toada via articulação que o Garantido está fazendo com inúmeros agentes da cultura nacional. "Os rappers tiveram acesso ao nosso material via movimento negro de cinema carioca. O jornalista Daniel Castro apresentou o álbum aos produtores e eles escolheram 'Um Mundo Novo', para retratar o momento delicado por qual passa o Brasil e a Amazônia", sintetiza.

Satisfação

Um dos autores da obra, o compositor Rubens Alves, se diz feliz com a escolha de "Um Mundo Novo". "Para mim foi uma surpresa, uma grata surpresa até porque essa toada foi feita de última hora para atender ao espetáculo que o Garantido prepara para o final do mês de outubro. Essa toada foi encomendada para um dos momentos finais do musical", explica o compositor.

Com texto crítico ao momento delicado da pandemia e ao crescimento das agressões a Amazônia, "Um Mundo Novo" versa sobre o mal que as derrubadas e queimadas podem fazer à humanidade. "Já existem estudos que apontam que áreas agredidas radicalmente pela ação do homem podem liberar vírus e bactérias, já que seu habitat foi modificado, assim como vimos o surgimento de vários vírus que se alastraram pela humanidade no decorrer dos séculos. No caso da Amazônia, isso pode ser catastrófico", alerta Rubens.

"É exatamente isso que queremos deixar claro no texto da toada, além claro, de exaltar que o futuro da humanidade passa pelo respeito aos conhecimentos tradicionais dos povos que primeiro souberam conviver em harmonia com um mundo verde e vivo como a floresta amazônica. Para completar, homenageamos aqueles que partiram vítimas da pandemia que há dois anos virou o mundo de cabeça para baixo", declara Alves.



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