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Tradição: As mãos que curam com o ato de benzer e pegar desmentidura

Prática de colocar os ossos no lugar, sem exame prévio, resiste ao tempo e é um serviço bastante procurado em Manaus 08/09/2013 às 10:56
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O serviço de Francisco é anunciado em frente à casa dele em uma placa, na qual informa o valor do atendimento
Carolina Silva Manaus, AM

A tradição das práticas usadas para curar males por meio do conhecimento de ervas e de rituais ligados à medicina natural e popular está há gerações entre a nossa sociedade. Francisco Pereira da Silva, 65, herdou da mãe a tradição de benzer e de pegar desmentidura (luxação ou torcedura). No portão de casa, inclusive, uma placa com os dizeres “Pega-se desmentidura - R$ 15,00”, revela que sua renda depende um pouco de sua prática e desperta curiosidade.

Ele não trabalha devido a problemas de audição. Há pelo menos 20 anos Francisco ajuda na cura de pessoas que sofrem de algum mal, como: “espinhela caída”, mau-olhado ou quebranto. Ele faz questão de afirmar que é católico e deixa claro que não sabe explicar porque conseguiu herdar a prática de sua mãe.

“Minha mãe era filha de cearense. Morávamos no interior, onde costumavam curar doenças com rezas. Foi uma coisa que passou de mãe pra filho. Eu a via fazendo isso. Acho que é dom. Eu via a minha mãe fazer e adquiri essa prática”, contou Francisco.

Um cordão com a imagem de São Jorge e um terço estão sempre no pescoço de Francisco, que faz  questão de ressaltar não ir à igreja sempre. “Mas toda vez que eu vou rezar eu peço ao meu Deus para me dar forças. Quando vou à missa, peço a Ele que abençoe minhas mãos para que onde eu coloque elas, estejam abençoadas para curar meu próximo”, relata.

Muitas pessoas acreditam que energia negativa pode ser imposta por alguém, e que o ato de rezar a enche de energias positivas por meio da palavra, da benção com ramos e principalmente da intercessão a Deus e aos Santos de devoção. Francisco reconhece que hoje em dia é difícil encontrar pessoas que seguem essa tradição da medicina e as praticam, mas que ainda é comum as pessoas o procurarem para serem curadas de algum mal.

Também já se acostumou a ouvir de muitas pessoas que não é médico e que não é superior à ciência ou à medicina convencional. “Eu não vou atrás de ninguém pra vir aqui. As pessoas vêm até mim e eu atendo. Tem médico que fica seis anos na faculdade e depois sai dizendo que é doutor. Eu reconheço que é doutor. Mas, na prática, deixa muito a desejar. Eu não sei ler. Só sei assinar meu nome, mas também não tenho inveja de quem tem 4 ou 5 faculdades”, falou.

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