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Tradição do boi Garantido passada para nova geração

Em Parintins, projeto cultural prevê oficinas artísticas sobre a tradição do boi Garantido à crianças e adolescentes 29/10/2013 às 08:07
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Através das oficinas de arte, crianças e adolescentes estarão conectados ao legado do Garantido
Laynna feitoza ---

A história da tradição do boi da Baixa de São José será ensinada, a partir do dia 09 de novembro, à crianças e adolescentes do município de Parintins (a 369 km de Manaus), iniciantes no aprendizado da cultura do boi vermelho. E os ensinamentos serão ministrados sobre o chão inspirador da réplica da casa de Lindolfo Monteverde, fundador do Garantido, localizada na avenida homônima, bairro São José, na ilha tupinambarana. Tudo isso será possível por meio do projeto “Garantindo a tradição cultural de Lindolfo Monteverde”, que levará, a partir da data citada, uma série de oficinas artístico-culturais ao público infanto-juvenil da capital do bumbá da Amazônia.

A iniciativa nasceu a partir de um projeto feito pela assistente social e pedagoga Cleumara Monteverde, neta do fundador do boi Garantido, no ano de 2010, em atendimento às atividades do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Segundo a idealizadora, o projeto está orçado em R$ 180 mil - valor oriundo da Associação Regional Lindolfo Monteverde - e será voltado ao público entre a faixa etária de 09 a 14 anos.

Entre as atividades da casa, haverá oficinas de teatro, dança, leitura e produção textual, batucada e toada, que terão como centro as atividades de cada segmento no trabalho do bumbá Garantido, conforme Cleumara. O intuito é levar aos pequenos, gratuitamente, a essência original do legado de Lindolfo e do boi vermelho na réplica, batizada de “Curral da Baixa de São José”.

Finalização

A estrutura física já foi erguida e entrou em fase de pintura externa e interna nessa segunda-feira (28). O “curralzinho” tem a premissa de ser um verdadeiro “altar” do legado vermelho de Parintins, segundo a neta de Monteverde. Ao todo, cinco latas de tinta vermelha e dez de tinta branca darão cor ao lugar. “Uma das paredes da casa terá a pintura de Lindolfo. Inclusive estamos planejando com que o interior da casa seja decorado com desenhos das crianças relacionados ao boi”, adianta. O local, em espaço 6x4, tem capacidade para 30 pessoas e funcionará como um centro de cultura das raízes vermelhas.

“Desenvolveremos o grupo ‘Velha Guarda’ do Garantido, formado por pessoas idosas que conhecem a história do boi e que irão disseminá-la de acordo com suas reais origens às crianças, através das oficinas”, aponta. Ainda de acordo com ela, as oficinas acontecerão todos os sábados, em horários diversos e elas reunirão, em cada um dos três anos previstos para o funcionamento do projeto, uma turma diferente. Como a criatividade das crianças será a principal obra-prima das oficinas, todo o material produzido terá um destino especial.

“Queremos com essa casa-réplica guardar e arquivar todo o material produzido nas oficinas e transformar em uma espécie de museu, porque pode servir como fonte de pesquisa para as gerações futuras. Poderemos entender mais sobre quem era o Pai Francisco e a Mãe Catirina, sobre o que era cada contexto no geral e entre suas particularidades. Propomos um verdadeiro resgate histórico do boi da Baixa”, assegura Cleumara.

Reprodução do legado

A preocupação em criar um espaço que traduzisse adequadamente à nova geração toda a história do boi Garantido motivou Cleumara a ir adiante com o projeto. “Quando cheguei em Manaus, me preocupei muito porque vi muitos livros falando da história do meu avô, e alguns desses fatos não correspondiam à verdade. Então a família resolveu falar sobre a história de Lindolfo e do bumbá. Queremos que, daqui pra frente, o que for disseminado corresponda ao real legado do fundador”, exclama.

Artistas da família Monteverde, amigos e membros da comunidade da Baixa estão envolvidos no processo de finalização dos últimos retoques da casa de artes do boi Garantido. Tanto é que cinco Monteverdes foram escalados para serem os oficineiros do espaço: Limaldo, Alcicleia, Ivoney, Marcelina e Susan Monteverde ministrarão, respectivamente, as oficinas de teatro, leitura e produção textual, batucada, toada e dança.

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