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Tragédia humana no espetáculo de balé ‘Noturno’ estreia nesta quarta (17), em Manaus

Trama baseada nas obras ‘Fausto’ de Goethe, e ‘Noturno’, do poeta Antísthenes Pinto, estreia com louvor do público contemporâneo, no Teatro Américo Alvarez 16/12/2014 às 14:11
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A maquiagem do espetáculo de dança busca retratar as características físicas totais dos personagens, diz Guto
Laynna Feitoza Manaus (AM)

A riqueza contemporânea existente na obra de Goethe enfatiza a percepção da estética no conceito de modernidade, segundo o bailarino amazonense Guto Domingos. A obra “Fausto”, um poema trágico do escritor alemão Goethe, é citada por muitos como a obra que inaugura o pensamento moderno nas artes: o romantismo.

Atento a isso, o também coreógrafo notou as linhas de semelhanças entre a obra com o poema “Noturno”, do poeta e prosador da terra Antísthenes Pinto, e confeccionou o espetáculo de dança homônimo ao poema do amazonense, que será apresentado nesta quarta (17) e quinta (18), às 19h, no Teatro Américo Alvarez.

“Noturno”, assinado e coreografado por Guto Domingos, faz parte das atividades da Companhia Mira. Baseado na obra de Goethe, o espetáculo integra uma pesquisa conceitual a respeito da obra literária do autor, fazendo uma interface com o trabalho do amazonense, ex-membro do Clube da Madrugada.

Guto, que dirige o espetáculo, também interpreta Fausto, o personagem principal. A 1ª Gretchen é vivida por Valdeany Santos, e a 2ª Gretchen é interpretada por Juliana Teodoro. O espetáculo tem o ambiente gótico, onde o sombrio dá a tônica do palco, onde os personagens carregam o drama de um elo angustiado. A sinopse de “Fausto” conta a história de um médico que, ao tentar vencer a morte, recorre a um pacto com o diabo, o oferecendo conhecimento, tecnologia e fortuna.

“Os movimentos vão reproduzir uma linguagem corporal distorcida, onde haverá, por exemplo, um ombro simulando distorção e tentando reproduzir elementos da arquitetura moderna, como formas, curvas e torções. A ideia é trabalharmos com uma técnica chamada de dança cinematográfica, onde os personagens entram e saem da tela, por meio de um elemento no cenário”, explica Guto, sob mistério.

E na técnica contemporânea, ele trabalha com um conceito chamado replicação, oriundo da medicina genética e que visa “replicar” seres humanos. “É como se fizéssemos uma ‘cópia’ da pessoa. Esse efeito será explicitado por meio do ato de entrar e sair da tela”, destaca.

O espetáculo tem três momentos: a 1ª metamorfose, que remete à Idade Média; a 2ª metamorfose, que remete ao Renascimento; e a 3ª metamorfose, que remete à Modernidade. Os figurinos são distintos, que mudam conforme as etapas da montagem, e foram confeccionados nas cores preto, cinza e vermelho, “A maquiagem não é pintura, e sim vem para remeter as características físicas de cada personagem”, encerra.

“A montagem não é uma reprodução fidedigna do conjunto da obra de Goethe. Trata-se de uma licença poética adaptada ao balé contemporâneo. É interessante perceber que Antísthenes por aqui - assim como os demais membros do Clube da Madrugada - também teve esse marco no romantismo e modernismo das artes do Amazonas, representando uma introdução da arte amazonense no modernismo”, observa o bailarino.

Conexão

A proximidade entre as obras de Goethe e Antísthenes são datadas pelo contexto, aponta o diretor do espetáculo. “’Noturno’ (poema) fala de vazio, solidão e angústia. Ele tem uma pegada gótica, assim como tem ‘Fausto’, um poema evidentemente gótico”, ressalta Guto. O trabalho corporal feito para o espetáculo parte das pesquisas de uma escola chamada de dança expressionista alemã.

“A escola retrata um trabalho de balé moderno, onde são abordados os dramas humanos e onde essa movimentação é produto do mergulho na psiquê da alma humana e nas tragédias do homem moderno, e também pode ser chamada de dança fáustica”, diz Domingos. A coreógrafa Mary Wigman, uma das mais célebres bailarinas dos anos 30, estudou o expressionismo alemão, e é citada como uma das criadoras da dança fáustica.

Serviço

O quê: espetáculo de dança “Noturno”

Quando: 17 e 18/12, sempre às 19h

Onde: Teatro Américo Alvarez (Rua Ramos Ferreira, 1572, Centro)

Quanto: Dia 17 (gratuito) e 18 (R$ 10)

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