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Trajetória da arte consciente de Bia Doria é lançada em livro nesta segunda (17) em São Paulo

A artista conversou com o BV GENTE para falar sobre a nova obra, que ganha registro no livro 'Raízes do Brasil', os planos e a vontade de melhorar o planeta 17/11/2014 às 10:18
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Bia Doria dá o sopro de vida às raízes de troncos de árvores mortas
Loyana Camelo ---

Depois de retratar em documentário o grito de socorro da Amazônia perante o descaso com a floresta - em especial, à área da Usina Hidrelétrica de Balbina, um dos maiores desastres ambientais do Brasil - a trajetória no mundo da arte consciente de Bia Doria ganha registro no livro “Raízes do Brasil” (de autoria do escritor, cineasta e publicitário Márcio Pitliu). O lançamento acontece hoje, em São Paulo e um pouco antes do grande evento, Bia conversou com o BV GENTE para falar sobre a nova obra, os planos e a constante vontade de fazer algo para melhorar nosso planeta.

“Por meio do meu trabalho, quero conscientizar principalmente o povo da floresta. Esse é o impacto que desejo para com o lançamento desse livro”, adianta a artista plástica. Ao longo das mais de 300 páginas, estão ilustradas imagens de sua primeira visita à Balbina, onde ela, como alguém que porta uma sensibilidade aguçada em relação à natureza, se surpreendeu. “Foi a coisa mais impressionante que vi em minha vida: onde foi feita a hidrelétrica, uma enorme área toda inundada”, relembrou.

E então Bia, que tem o talento de transformar raízes de árvores mortas em obras de arte (daí veio o nome do documentário e livro), sentiu a obrigação de dar o seu recado: pintou de vermelho um dos troncos alagados no local. A cor do alerta também estampa a capa do livro.

Passeio atualizado

A interferência feita em Balbina tem destaque absoluto na obra impressa, cujo conteúdo traz imagens atualizadas com as duas últimas visitas de Bia Doria ao Amazonas (o documentário ilustra apenas sua primeira ida). Ainda há espaço para fotos feitas a partir de um sobrevoo aéreo pela área. “Percebi que a água está engolindo mais a floresta. É possível ver o avanço”, atestou a artista sobre o mais recente rasante.

“Raízes do Brasil”, no entanto, não foca 100% na série Balbina. É, em verdade, uma compilação dos trabalhos de arte sustentável realizados por Bia nos últimos dez anos. Ao longo de todo este tempo, ela conta ter percebido que o menosprezo do homem não é só com a natureza, mas também com a sua própria história.

“Há descaso com tudo do nosso País. Nossa história é muito curta e descuidada. Temos que passar as raízes e costumes de geração para geração, porque com a Internet tudo é rápido demais. Mas livro é um pouco de cultura que fica para nós. O documentário fica e o livro também”, assevera, destacando a fugacidade da era online.

Próximos passos

O impacto que Balbina causou em Bia Doria, e que ela quer causar em todos os brasileiros, não poderia parar por aqui. Ela já planeja sua próxima vinda ao Amazonas e também deseja incluir a região no seu trabalho ligado à dança.

“Meu próximo documentário vai ser relativo a dança e ainda não sei se vai ser filmado em Balbina, mas eu e a Ana Botafogo [dançarina], que vai participar dele, vamos pensar alguma coisa mais estudada e mais aprofundada envolvendo a dança com as formas da natureza e consciência ambiental”, adianta.

Bia segue tentando fazer o possível para trazer para sua vida o que prega na arte: pequenas atitudes diárias (ela lista algumas: aproveitar a água da chuva, plantar árvores, tentar não interferir negativamente na natureza; não usar sacolas de plástico). E os registros de sua visita à hidrelétrica polêmica também irão virar exposição em breve, que ela sonha em trazer para Manaus. Não deve demorar. A artista não deixou apenas sua arte estampada no coração de Balbina - seu próprio coração que ficou por aqui.

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