Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
Vida

Transtorno de ansiedade vem fazendo mais vítimas

Problema enfrentado pela participante Fani, do Big Brother Brasil 13, tem se tornado cada vez mais comum. Sentimentos de medo excessivo e irracional dominam a pessoa



1.jpg Problema foi exibido na mídia pela BBB Fani Pacheco
19/02/2013 às 09:58

Quem acompanha o reality show “Big Brother Brasil 13” se surpreendeu com o comportamento alterado e com uma intensa crise de choro protagonizada por Fani Pacheco, 30 anos, que já havia participado da edição de número 7 do programa, e, naquela ocasião, se mostrava confiante e de bem com a vida.

Mas o que até então era desconhecido pelos telespectadores era o fato de a “sister” tomar remédios controlados contra ansiedade desde os 18 anos e que, desde o início da atual versão do BBB, estava sem ingeri-los. Após a última crise, Fani recebeu assistência profissional e voltou a tomar os remédios controlados.

Mas o que é exatamente a ansiedade e quando ela se transforma em problema de saúde? A psicóloga Martha Damianci explica que a ansiedade é um sentimento que está associado à sobrevivência humana. Segundo ela, é um medo que causa tensão ou desconforto diante da antecipação de um perigo. “A ansiedade passa a ser patológica quando sentimentos de medo excessivo e irracional dominam a vida mental, causando sofrimento e interferindo na qualidade de vida da pessoa. Os sintomas variam para cada transtorno de ansiedade, mas todos estão relacionados ao medo excessivo e irracional”, afirma.

Pessimismo

Esse medo irracional, de acordo com o psicanalista Tarcísio Machado, demonstra um “estado de insegurança emocional” da pessoa, na qual ela prevê um futuro negativo e transfere esse sentimento para o momento atual. “Ela acredita que alguma coisa de ruim vai acontecer com ela. Os sintomas dominantes são nervosismo, tremores, tensão muscular, sudorese, palpitações, tonturas, medos, insônia”, explica.

A psicóloga Lígia Johnson de Assis conta que a ansiedade patológica vai limitando a área de ação do indivíduo, chegando, nos casos mais graves, aos casos de Síndrome do Pânico. “Com a sensação de ameaça, a pessoa começa a monitorar o ambiente e à medida que essa sensação aumenta, ela tende a restringir a área de ação”, diz.

Causas

Segundo a psicóloga Martha Damianci, há estudos que defendem que pessoas com histórico familiar de ansiedade e depressão apresentam maior risco de desenvolver algum transtorno de ansiedade. O psicanalista Tarcísio Machado não descarta a herança genética como fator desencadeante, mas diz que o fator principal é de ordem emocional.

Já a psicóloga Lígia Johnson de Assis cita o meio em que a pessoa está inserida como um fator desencadeante. “Quando a pessoa não tem predisposição, ela pode nunca ter o problema ou ter tardiamente, por estímulo do meio. E quando ela já tem uma predisposição e o meio estimula, o problema é potencializado”, afirma.

Lígia chama atenção ainda para uma característica das pessoas ansiosas que, segundo ela, são sempre dinâmicas, inquietas, capazes de fazer várias atividades ao mesmo tempo. “Elas buscam formas de liberar essa energia e isso gera um sofrimento. Para aliviar esse sofrimento vão em busca de prazeres, contribuindo para o uso de bebidas alcoólicas e outras drogas que propiciem esse falso alívio”, alerta.

Excesso de cobrança

Todos os profissionais entrevistados por A CRÍTICA foram unânimes em afirmar que o número de casos de pessoas com transtornos de ansiedade aumentou nas últimas décadas. “O volume de informações negativas que é consumido pela pessoa todo dia a coloca nesse estado”, diz Tarcísio Machado. Martha Damianci lembra que o transtorno vem sendo também mais estudado pela academia. “Muitos pesquisadores relacionam o ritmo de vida mais competitivo ao grande número de portadores de Transtornos da Ansiedade ”, conta.

Sobre o excesso de cobranças, Lígia Johnson de Assis alerta para o fato de que esta sobrecarga de obrigações está ocorrendo cada vez mais cedo. Ela cita como exemplo as inúmeras atividades a que os pais vem expondo os filhos com o intuito de que, no futuro, se destaquem no mercado de trabalho. “Os pais devem ajudá-las a descobrir o prazer que existe em estudar. Devem ensinar a perceber a vida com um outro sabor, a ter uma leitura de mundo de que existem coisas boas e ruins e que é possível superar as dificuldades”, explica.

Tratamento

Psicoterapia e medicação são os recursos mais utilizados. “ A psicoterapia ajuda a descobrir as causas da ansiedade, a aprender a lidar com elas e a superá-las para que a pessoa possa restaurar o conforto emocional e a qualidade de vida”, indica Martha Damianci. Já Tarcísio Machado lembra a importância dos medicamentos em determinados casos, mas destaca também a necessidade de o indivíduo modificar sua visão de mundo. “Mudar o olhar sobre você mesmo, significando, o auto amor é muito importante como primeiro passo para fazer frente a esse transtorno”, ensina.

Saiba +

Transtornos

De acordo com a psicóloga Martha Damianci, a ansiedade pode levar aos seguintes males: Fobias Específicas, Transtorno de Pânico, Transtorno Obssessivo Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós Traumático, Fobia Social e Transtorno de Ansiedade Generalizada.

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