Domingo, 18 de Agosto de 2019
Vida

Tudo junto e misturado: conheça lojas colaborativas no país

Na prática, elas funcionam como um minishopping ou feira indoor, combinando as vantagens de uma loja convencional, como estrutura e localização, com a versatilidade e a agilidade de uma feira aberta



1.jpg As lojas colaborativas, por definição, oferecem uma ampla variedade de produtos, e graças a isso conseguem dar a marcas independentes a oportunidade de ganhar um lugar ao Sol
30/04/2013 às 08:58

“Tudo junto e misturado!” O chavão das ruas poderia ser também a filosofia das lojas colaborativas, formato de empreendimento varejista surgido nos últimos anos com a proposta de reunir um grande número de expositores e produtos em um único espaço coletivo.

Na prática, elas funcionam como um minishopping ou feira indoor, combinando as vantagens de uma loja convencional, como estrutura e localização, com a versatilidade e a agilidade de uma feira aberta. As lojas colaborativas, por definição, oferecem uma ampla variedade de produtos, e graças a isso conseguem dar a marcas independentes, artesãos e estilistas a oportunidade de ganhar um lugar ao Sol.

Arte e artesanato

O ideal de abrir espaço para novos talentos foi justamente uma das razões que alimentou a decisão de Aline Quintão de trocar a carreira como advogada pelo comércio colaborativo. Há cerca de três anos ela inaugurou no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a Cada Qual, que dirige até hoje ao lado da irmã Eidi Quintão. A título de curiosidade: o nome foi escolhido a partir de sugestões de amigos e familiares, apenas dois dias antes da abertura da empresa.

A Cada Qual – que há seis meses trocou a localização em Pinheiros pela rua Augusta, nos Jardins – reúne mais de cem boxes, que oferecem desde artigos de decoração a moda infantil, passando por itens de papelaria, moda íntima, acessórios e roupas masculinas e femininas. A loja investe na proposta alternativa, no atendimento impecável e na fidelização dos expositores.

“A loja é uma ótima oportunidade para marcas, artesãos e estilistas que preferem ocupar seu tempo na criação e optam por investir no mercado colaborativo a fim de não ter de lidar com questões burocráticas”, destacam as proprietárias, assinalando a organização da loja, com boxes dispostos de forma harmônica e, ao mesmo tempo personalizáveis, e o trabalho das vendedoras treinadas. “Elas atuam também como consultoras de venda, apresentando não apenas os produtos, mas também a proposta das marcas”.

Versatilidade

Também na rua Augusta, mas no lado oposto da Avenida Paulista, encontra-se outro exemplo de loja colaborativa que deu certo: a Endossa. Com cerca de cinco anos, surgiu da ideia de um grupo de jovens empreendedores de montar um espaço em que o cliente tivesse o poder de escolha.

Tal como a vizinha de rua, a Endossa trouxe foco no chamado “minimicroempreendor” – artesãos, designers alternativos, novos estilistas, músicos independentes e até cientistas de garagem. O espaço abriga produtos de 150 a 200 expositores – o número varia –, entre os quais há peças de confecção, design, produtos para o lar, roupas infantis, brechó e até artigos de sex shop.

A filosofia da loja se baseia no ideia da compra como endosso – isto é, uma maior quantidade de vendas significa que o cliente deseja ter o produto à venda. Assim, produtos com boas vendas ganham espaço, enquanto outros menos requisitados são deixados de lado. “Todo mundo pode participar, fazendo um cadastro e aguardando na fila de espera. Há uma meta de vendas, de modo que o público ‘escolhe’ o que vai ter no espaço”, explica a assessora Ingryd Rabelo.

A Endossa hoje tem duas unidades em São Paulo – a outra fica no Centro Cultural São Paulo –, e uma em Curitiba e Brasília, cada. O sucesso da loja pioneira e de similares como a Cada Qual indica que o formato tende a crescer – quem sabe logo não veremos um espaço do gênero por aqui?

Chamando a atenção

As lojas colaborativas têm chamado a atenção de consumidores pelo formato inovador, e pela enorme variedade de produtos à disposição. “Quem não conhece o modelo costuma se impressionar pela quantidade de coisas num lugar só, e a um bom preço”, destaca Ingryd Rabelo, apontando ainda a liberdade do cliente na hora de escolher o que vai levar. “Não temos vendedores dentro da loja. A ideia é que a pessoa entre, fique à vontade e escolha o que quiser levar. O que as pessoas mais gostam é a ideia de entrar num lugar onde você pode andar e pegar o que quer comprar livremente”, diz.

O conceito de “compra como endosso” permite que a loja estabeleça a oferta de produtos de forma sempre muito próxima à da demanda. Dessa forma, o projeto funciona como uma constante pesquisa de mercado, com o resultado das vendas apontando para produtos e segmentos em alta entre os consumidores.

O resultado, segundo Francisco Del Rio, um dos sócios da Endossa, é bom para expositores e clientes: “É um modelo que acreditamos ser mais justo, interessante e produtivo para todos, e onde todos os participantes tem autonomia e poder de decisão”.

Serviço

o que é: Cada Qual
onde: Rua Augusta 2.171, Jardins, São Paulo

o que é: Endossa
onde: Rua Augusta, 1.360 e Centro Cultural São Paulo, rua Vergueiro, 1.000, em São Paulo. Outras duas unidades em Curitiba e Brasília

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