Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
Quadrinho Baré

Jacarezinho mais amado do jornalismo amazonense faz aniversário e ganha versão digital

Há 30 anos,o jornal A CRÍTICA lançava um suplemento infantil que fez história no jornalismo amazonense. Entrevistamos os responsáveis pela criação da Turma do Criri; confira



Cricri_MH_F1A325FC-87F5-46FD-9805-1CE2F112D457.jpg Foto: Divulgação
07/09/2019 às 10:02

 Há 30 anos um jacaré laranja fazia sua estreia nas páginas do jornal A CRÍTICA. Era um domingo de julho de 1989 quando o Cricri e seus amigos tomaram de assalto o periódico de maior circulação da cidade. Talvez pouca gente pudesse imaginar, à época, mas aquele suplemento infantil se tornaria um verdadeiro fenômeno junto à criançada.

Criador de figuras hilárias como Capitão Foguete, Arnoldo, Cacá, além do próprio Cricri - que dá nome à turma -, o cartunista João Vicente, 48, e a jornalista Cândida Osório, 60, relembraram esta grande aventura do jornalismo amazonense em uma entrevista exclusiva.

A criação

João Vicente, criador de personagens icônicos que marcaram época (Foto: Antonio Lima)

Entre edições antigas e desenhos originais do Cricri e sua turma, João Vicente relembra o início de tudo. “Minha carreira no jornal começou justamente com o Cricri. Antes disso eu estava trabalhando com publicidade e durante um ano eu fiquei fazendo histórias em quadrinhos feitas à mão. Hoje o pessoal chamaria de fanzine, mas naquela época eram quadrinhos artesanais”, pontua.

Vicente já era um apaixonado por histórias de aventura e de super-heróis, mas tinha um gosto todo especial pelos quadrinhos de humor, em especial o gibi “Os Trapalhões”, da Editora Bloch. “Era a minha principal influência. Eu li Marvel, DC, Turma da Mônica, mas o que eu curtia de verdade era o gibi dos Trapalhões. Foi este gibi que me influenciou a fazer essa coisa de humor, de paródia para o público infantil”, revela.

A escolha

Antes do Cricri, A CRÍTICA encartava o suplemento infantil “Curumim”, de autoria do jornalista Mário Adolfo. Após a saída dele do jornal, foi lançado o A CRÍTICA Infantil que, segundo as palavras de João Vicente, funcionava como uma espécie de “tapa-buraco”. “Só tinha tiras do Mickey, Donald... coisas do século passado”, explica.

Foi o jornalista Oseias de Carvalho – à época responsável pelos projetos gráficos do matutino – que levantou a bandeira para que A CRÍTICA fizesse um produto 100% local para o público infantil, e João Vicente foi escolhido para apresentar o novo projeto.

João Vicente ainda guarda os originais do Cricri

"Seguindo a linha da época eu desenhei um garotinho, um indiozinho, depois fiz um papagaio falante, um jacaré e um quarto personagem que eu não me lembro. Mas foi justamente o jacaré que chamou a atenção do Oseias”.

A cor do bicho não era nada convencional, laranja, algo que nem Vicente sabe explicar o motivo. “Aí já foi uma coisa de originalidade, uma coisa diferente”.

Cricri foi batizado por conta do novo projeto chamado CRÍTICA da Criança. “Pegamos as duas primeiras sílabas”.

João Vicente criou histórias memoráveis. O humor ágil, leve e inovador para época, mesclando paródias com super-heróis acertou em cheio no gosto da garotada, transformando o Cricri num fenômeno que impulsionou a venda dos jornais ao domingo.

Parceria

Enquanto João Vicente “pilotava” a parte artística e criativa do caderno, coube à jornalista Cândida Osório dirigir a edição do suplemento e a seleção de conteúdos. Ela conta como era o dia a dia de trabalho da dupla.

Jornalista Cândida Osório, com a carteirinha da Turma do Cricri (Foto: Antonio Lima)

“Era bem tranquilo. A cada edição, eu e o João Vicente, nos reuníamos para detalhar temas e ilustrações. As sessões do caderno eram definidas segundo os temas em evidência na época. Embora formatado para o público infantil como meio lúdico, o caderno abordava assuntos sérios sobre a conscientização ambiental, social e política, saúde, transporte, segurança e educação”, explica. Os textos sobre o mundo dos quadrinhos, bom, esses ficavam com João mesmo.

Sucesso

Na época, o Cricri superou todas as expectativas e a redação de A CRÍTICA virou “point” para a criançada.

Crianças passaram a conhecer a redação do Jornal A CRÍTICA

“As crianças enviavam cartinhas para a redação do jornal. Algumas com pedidos de brinquedos e eletrodomésticos. As crianças estavam em polvorosa”, lembra Cândida. “Toda semana a gente recebia aquela pilha de carteirinhas (da Turma do Cricri). Durante a semana vinha aquele monte de crianças na redação, e a gente também publicava os desenhos das crianças”, ressalta o cartunista.

O fim

A odisseia do jacarezinho mais amado do jornalismo amazonense durou até o ano de 1994. Eram tempos de mudanças. “O jornal estava passando por mudanças. Começou a sair a impressão antiga (...) o jornal começou a entrar na era digital, estava se modernizando e precisava de uma cara nova. Então, não só o Cricri, mas muitas sessões antigas acabaram perdendo espaço”, explica João.

Suplemento infântil foi um fenômerno entre a criançada (Foto: Antonio Lima)

Apesar da história ter chegado ao fim, o sentimento é de gratidão. “É gratificante para mim como pessoa e jornalista ter compartilhado de ideias que deram certo. Olhar pra trás, sem saudosismo, mas com gratidão em ter contribuído com um projeto que marcou a vida de muita criança”, diz Cândida.

A Turma do Cricri deixou as páginas do jornal impresso para entrar para história, mas este não foi o fim dessa aventura.

Nos traços de seu criador, o personagem renasceu digitalmente quando o cartunista decidiu fazer, recentemente, novas tirinhas do personagem na internet Você pode conferir a versão digital clicando aqui 

João Vicente ainda pensa em reunir as melhores histórias do Cricri em uma publicação impressa ou, quem sabe, criar um espaço virtual totalmente dedicado ao jacarezinho e seus amigos. Os fãs agradecem!

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Jornalista, editor-executivo do MANAUS HOJE

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