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TV: Documentarista retrata o fenômeno do amanhecer ao redor do mundo, no NatGeo

Série televisiva vai mostrar cenários naturais de “Todas as manhãs do mundo”, sob os olhos do documentarista Lawrence Wahbla, a partir de 4 de outubro 26/09/2015 às 09:50
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Documentarista retrata amanhecer ao redor do mundo em produção do Nat Geo
JONY CLAY BORGES Manaus (AM)

O arquipélado de Anavilhanas, Mamirauá e outras localidades da Amazônia estão entre os cenários da série “Todas as manhãs do mundo”, que estreia no próximo domingo, dia 4 de outubro, às 21h15, no canal por assinatura National Geographic.

A produção reúne cenas do alvorecer em santuários naturais ao redor do mundo, num registro do dia a dia de vários animais – alguns pouco vistos até hoje – na passagem da noite para o dia. A série tem direção e apresentação de Lawrence Wahba, que realizou seis expedições pela região para captar o material que vai compor o episódio de estreia.

“Nós retratamos a magia do amanhecer. Os primeiros cantos das aves, a sinfonia dos insetos, os urros dos bugios. Mostramos os jacarés-açu cuidando de seus ninhos, as tartarugas desovando, os preguiças, os botos”, antecipa o documentarista, em entrevista exclusiva à reportagem.

Para as filmagens na Amazônia, Wahba realizou um total de seis expedições ao longo de 52 dias, passando pelas reservas de Mamirauá, Anavilhanas e Abufari, no Amazonas, e Germoplasma, no Pará; e pelo município de São José do Rio Claro, no Mato Grosso. Alguns episódios peculiares da série, ele revela, aconteceram nessas viagens.

“Um deles, que atrapalhou muito, foram chuvas torrenciais em setembro, pico da temporada seca. Outro foi que passei muitas horas numa plataforma a 15 metros de altura para filmar macacos. Num dos dias em que estava subindo de rapel, os macacos já estavam na árvore vizinha e ficavam me olhando curiosos. Pareciam rir de mim”, lembra ele.

Pelo mundo

Além da Amazônia, “Todas as manhãs do mundo” retrata cenas do alvorecer no oceano e terras congeladas do Ártico norueguês; nas florestas temperadas da Columbia Britânica, no Canadá; nas savanas da Zâmbia, na África; e no encontro do deserto com o oceano na Baja California, no México. Um dos maiores desafios da produção, segundo o documentarista, foi filmar em condições de pouca luz como na aurora.

“A maior dificuldade é de retratar a beleza do amanhecer, as mudanças sutis das cores”, conta. “Outro desafio é que muitas vezes tínhamos de estar prontos para filmar no local exato às 4h30, acordando às 3h e nos deslocando a pé, de jipe, de barco, na escuridão e carregando muito equipamento. São desafios técnicos e logísticos que as pessoas não imaginam”.

Apesar dos “perrengues”, diz Wahba, o trabalho teve seus momentos divertidos. “Um dia eu e o Humberto (Bassaneli, um dos cinegrafistas da equipe) estávamos no Camp na África, saindo do refeitório para nossa barraca, e demos de cara com hipopótamos pastando. O dia em que capotei no trenó puxado por cachorros, os mergulhos com as raias gigantes, o rapel para subir na plataforma no topo das árvores... São muitas memórias de momentos mágicos”, enumera.

Experiências

“Todas as manhãs do mundo” é fruto de parceria da produtora Canal Azul com a francesa Bonne Pioche, ganhadora do Oscar de Documentário em 2006, “A marcha dos pinguins”. “A ideia original é de Judith Haussling, bióloga e roteirista franco-alemã. A Bonne Pioche fez uma série com o tema. Nós aproveitamos a ideia e meu envolvimento como um dos cinegrafistas da série francesa e fizemos outra série”, explica Wahba.

As duas produções, segundo ele, trazem olhares bem diferentes. “A versão francesa é mais poética, só imagens e narração. A nossa versão (...) são filmes completamente diferentes, que mostram minhas aventuras pra registrar o amanhecer nesses santuários naturais”.

Olhares à parte, para Wahba, trabalhar com a equipe francesa foi “um grande aprendizado”. “Certamente eles dizem o mesmo da nossa equipe brasileira. Foi uma soma de conhecimentos”, declara ele. A troca de experiências e até de tecnologias, segundo o documentarista, transparece nas imagens que irão ao ar a partir do domingo que vem no Nat Geo. “Essa soma de habilidades, de repertórios se reflete no produto final”.

Perfil

Lawrence Wahba: nascido em São Paulo, em 1968, é mergulhador, repórter cinematográfico e documentarista. Apaixonado pelo mar e pela natureza, começou a mergulhar aos 7 anos de idade. Ainda na adolescência começou a trabalhar como assistente de vídeo, antes de fazer o curso de Cinema na FAAP (SP).

Com mais de duas décadas de carreira, já fez mais de 400 matérias de TV e mais de 70 documentários ou episódios de séries documentais. Recebeu vários prêmios, entre eles o de Outstan-ding Cinematography do Emmy, em 2013, e o de Melhor Documentário do Amazonas Film Festival, em 2006.

Saiba mais

Nome de boto: Lawrence Wahba esteve por diversas vezes na Amazônia para realizar filmagens. Foi um dos primeiros profissionais a registrar os botos em Novo Airão, tendo um dos bichos sido batizado com o nome de Lawrence.

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