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TV francesa registra expressão amazonense em documentário

As manifestações do patrimônio imaterial do Estado se tornaram o objeto de um documentário produzido pela TV5 Monde, da França, em coprodução com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC) 17/08/2013 às 10:08
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AUDIOVISUAL: Documentário foi realizado em coprodução pela da TV5 Monde, a SEC e o Ponto de Cultura Cultuam, de Maués
JORNAL A CRÍTICA ---

Expressões tradicionais da cultura do interior do Amazonas em risco de desaparecer, o Gambá de Maués, a Romaria dos Esmoleiros e a Tapiraiuara vão ganhar as “telinhas” da televisão francesa em outubro. As manifestações do patrimônio imaterial do Estado se tornaram o objeto de um documentário produzido pela TV5 Monde, da França, em coprodução com a Secretaria de Estado de Cultura (SEC). A informação é da assessoria do órgão.

A produção do documentário foi viabilizada graças a uma parceria técnica entre a emissora pública francesa TV5 Monde, o Ponto de Cultura Centro de Preservação, Conservação da Cultura-Arte e Ciências (Cultuam) de Maués (a 276 quilômetros de Manaus) e a SEC. O filme retrata expressões como o Gambá, ritmo do interior do Amazonas; a Tapiraiauara, dança dramática que remete a mitos amazônicos; e a Romaria dos Esmoleiros, tradição da folia dos devotos, que durante 60 dias percorrem os rios da região em busca de donativos para a festa de seus santos e com eles carregam as ladainhas em latim e a festa de Gambá.

O filme será exibido em horário nobre, na França, em dois canais televisivos: Vosges Télévision e Ushuaïa TV, esta uma filiada da TV5 especializada em filmes e documentários. “Também há a intenção de o documentário circular em festivais e ser vendido para canais de televisão no Brasil, com os recursos todos voltados para os mestres das expressões”, informa Cristian Ávila, assessor da Gerência de Patrimônio Imaterial da SEC e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas. Ele acompanhou durante um mês a produção audiovisual da TV francesa, em 14 comunidades de Maués.

Ritmo e instrumento

Para este ano, a SEC planeja lançar o DVD e o CD do Gambá de Maués ao vivo no Teatro Amazonas. Além de ritmo e música, o gambá é um instrumento de madeira oca, coberta com pele de veado, o que dá melhor ressonância, mas também pode ser de porco do mato (caititu) ou jaguatirica.

Segundo Ávila, o gambá é uma música profana que acompanha a festa do santo, que é sagrada, sendo também um instrumento importante de evangelização católica. Na avaliação do pesquisador, trata-se do maior exemplo de formação social do Amazonas, dos contributos que os diferentes grupos deram para o Estado.

“Tem coisa da musicalidade que lembra o Nordeste, e a maior parte dos pais dos gambazeiros veio dessa região”, afirma ele. “Ao mesmo tempo, o gambá também estava entre os indígenas. E tem aquele que o pai era nordestino e negro, e aqui ainda recebeu a influência das ordens cristãs católicas, como a Jesuítica”.

Dança e romaria

A Romaria dos Esmoleiros acontece durante os 60 dias que antecedem a festa do santo da comunidade. Nela, os mestres do Gambá, também conhecidos como comitivas de santos, vão parando em várias comunidades indígenas e ribeirinhas levando os santos de devoção e recolhendo donativos para as festas de seus padroeiros. (A produção da TV5 Monde acompanhou um dos grupos dessa comitiva, o Pingo de Luz, de padroeiro São Pedro.)

Manifestação tradicional na comunidade Santa Maria, a Tapiraiauara tem sua origem na figura lendária de uma onça d’água, conhecida há séculos pelos indígenas da Amazônia. Trata-se de uma dança dramática com um bicho metade onça, metade anta, em volta do qual dançam “visagens” e o macaco – responsável pelas estripulias e brincadeiras. O bicho é representado como uma espécie de monstro com uma bocarra, que maltrata os caçadores que matam por prazer.

Preservação

A Gerência de Patrimônio Imaterial da SEC promove ações de pesquisa e de formação em projetos no interior. Além de Maués, o departamento acompanha manifestações como o Seringandô e a festa de São Surué, em Humaitá (a 675 quilômetros de Manaus). “Fazemos o fomento e a difusão das atividades culturais, mas não deixamos de lado as pesquisas e registros para preservar o patrimônio imaterial, como as manifestações tradicionais que resistem no interior”, disse Robério Braga, titular da SEC.

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