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Um garrancho lírico chamado Diego Moraes: escritor amazonense lança livro

Escritor amazonense lança seu terceiro livro, "A solidão é um Deus bêbado dando ré num trator" pela Bartlebee 08/03/2013 às 14:09
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Livro será vendido nos sites e lojas da Livraria Cultura da Travessa
Rosiel Mendonça Manaus, AM

Dono de um estilo acentuadamente urbano e cheio de ritmo, o escritor Diego Moraes publicou na última terça-feira, dia 5, seu terceiro livro, “A solidão é um Deus bêbado dando ré num trator”, pela editora mineira Bartlebee. Por enquanto, a obra pode ser encontrada apenas no site http://www.lojasingular. com.br, mas em breve estará disponível nas lojas e sites da Livraria Cultura e Livraria da Travessa.

Em 149 páginas, Moraes apresenta uma coletânea de mais de 130 poemas que vão direto ao ponto – muitos deles caberiam com folga no espaço de um tweet – onde amor, desilusões e ebriedades (não necessariamente nessa ordem) são temas comuns. Em algumas passagens, o escritor leva isso aos leitores valendo-se de metáforas e comparações, artifício que valoriza ainda mais a carga imagética e até cinematográfica dos seus escritos.

“Sempre gostei de ler poemas curtos, que atingem o leitor sem muitas voltas e rebuscamentos. No geral, curto escritores que primam pela qualidade e não se excedem”, explicou Moraes, destacando Roberto Piva, Rimbaud, Bukowski, Mário Bortolotto e Reinaldo Moraes como suas principais influências.

Escrito em seis meses, “A solidão é um Deus bêbado dando ré num trator” também tem um quê de autobiográfico. “Eu sempre acreditei na ficção, mas neste livro eu deixo vazar boa parte da minha juventude, é quase que um acerto de contas. Minha prosa é mais distante, mas a poesia me revela, mesmo sem querer. Essa obra é de uma beleza suja; eu sou um garrancho lírico”, pontuou o escritor.

ALFINETADAS

Quando Diego Moraes tinha 17 anos, a briga com uma namorada lhe rendeu um conto. Foi um dos seus primeiros passos na literatura, mesmo que o resultado não tenha agradado tanto. Mais tarde, ele chegou a contribuir com alguns fanzines e revistas underground da cidade, mas o primeiro livro, “Saltos ornamentais no escuro”, só veio em 2008.

No ano passado, a Bartlebee publicou um livro de contos de Moraes, “A fotografia do meu antigo amor dançando tango”, depois de ter fechado contrato de oito anos com o escritor e poeta. “Eu confio e gosto da Bartlebee, ela abriu as portas para a minha literatura”, declarou ele.

No livro recém-lançado, Moraes também revela senso crítico em relação a determinada geração de escritores que escreve “como se comesse coxinha no recreio”: “Falta lirismo no mundo. Poetas deixaram de fazer poesia para aparecerem como palhaços em feiras literárias e programas de televisão”.

Romance em vista

Moraes adianta: até o segundo semestre de 2014 deve sair seu primeiro romance, que recebeu o título provisório de “Animal rastejante”. “Depois dele, vou dar uma pausa na literatura para colocar minhas peças de teatro na rua e tentar fazer alguns filmes. Escrevo peças e roteiros para cinema desde moleque”, contou.

Com exclusividade para o BEM VIVER, o escritor liberou um trecho do primeiro romance: “‘O céu é duro como uma paulada na cabeça, Mauro. Pare de tentar se matar e viva intensamente como um trator comendo areia. É legal ler a bíblia quando estamos na cadeia, mas na rua não serve para nada. A rua tem seus livros prediletos’. Mauro abaixou o olhar como um cão enxotado na porta de uma churrascaria e continuou a dar machadadas nas toras beijando a beira do Rio Amazonas”.

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