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Um novo 'Orgulho': Lajosy Silva faz releitura 'pink' de Jane Austen

Em sua releitura moderna do livro de Austen, Lajosy ambienta a história de Dárcio e Roberto em São Paulo – sua terra natal –, com o conflito de classes do original simbolizado pela origem dos personagens nos Jardins, bairro chique da capital paulista, e a Zona Leste, mais pobre 09/04/2013 às 15:32
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'Orgulho' será lançado ao lado de 'Folhas Livres'; ambos estarão à venda por R$ 30 e R$ 20, respectivamente
Jony Clay Borges Manaus, AM

Duzentos anos após sua primeira publicação, “Orgulho e preconceito” ainda mantém uma notável influência na cena literária mundial, conquistando novos leitores e servindo de base para adaptações e releituras. Na mais nova obra derivada do clássico de Jane Austen (1775-1817), o romance em torno do qual gira o enredo ganha as cores da diversidade sexual, com o inteligente e mordaz Roberto assumindo o lugar de Elizabeth Bennet no jogo de amor com o charmoso e um tanto esnobe Dárcio – o Mr. Darcy do livro de 1813. Trata-se de “Orgulho”, que o escritor Lajosy Silva lança no próximo dia 15, em Manaus.

Em sua releitura moderna do livro de Austen, Lajosy ambienta a história de Dárcio e Roberto em São Paulo – sua terra natal –, com o conflito de classes do original simbolizado pela origem dos personagens nos Jardins, bairro chique da capital paulista, e a Zona Leste, mais pobre. Outros personagens com versões paralelas no novo livro são Jane, irmã mais velha de Roberto, e Jorge, seu par romântico.

Temas atuais

A ascensão social da mulher por meio do casamento, temática proeminente na obra de 1913, dá lugar a questões mais comuns dos dias atuais, como a gravidez na adolescência, o aborto e o senso de orgulho relacionado à diversidade sexual.

“Inseri no livro a questão do preconceito brasileiro, a ascensão da classe C, o Governo Dilma. O romance não fica só nesse aspecto de historieta de amor. Busco fazer algo que a própria Jane Austen fazia, que era uma análise da sociedade de sua época. Tentei fazer uma reflexão sobre a sociedade brasileira”, afirma o escritor paulista, que também é professor do curso de Letras da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Outro aspecto do romance original que Lajosy fez questão de manter em seu “Orgulho” foi o humor, característico da narrativa de Austen. “Tudo é cômico, bem humorado. Uma coisa de Jane Austen que a gente não pode tirar é esse lado humorístico. Ela foi uma das primeiras autoras no gênero do romance de costumes, também chamado comédia de costumes. Ela escreve criticando, rindo e dramatizando”, explica ele.

Ícone hetero/gay

Lajosy, que começou a produzir sua versão moderna de Jane Austen meio que por brincadeira, acredita que alguns fãs da autora podem não ficar muito contentes com a ideia de ver Mr. Darcy, célebre personagem da literatura mundial, mais interessado em homens que em mulheres. “Não sei se seria bem aceita a ideia de um Mr. Darcy gay, pois o personagem virou um ícone, um ideal masculino para as mulheres”, comenta o escritor, que por outro lado observa que hoje “se fazem releituras de quase tudo” – inclusive “Orgulho e preconceito”.

“Tem um filme que se passa na Índia, com uma indiana e um americano como personagens principais, chamado ‘Bride and prejudice’ (‘Noiva e preconceito’). E tem o dos zumbis (‘Orgulho e preconceito e zumbis’, livro de 2009)”, enumera.

“Orgulho” será lançado ao lado da coletânea de contos “Folhas livres” (veja abaixo), no dia 15, às 14h30, no auditório Rio Solimões do Instituto de Ciências Humanas e Letras, no Campus da Ufam.

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