Publicidade
Entretenimento
Vida

União do popular com o erudito no Largo São Sebastião

Dois ritmos completamente diferentes, quando juntos, são sucesso entre o público 26/08/2013 às 08:52
Show 1
A ópera é pop
Loyana Camelo ---

Clássico e moderno. Erudito e popular. Sagrado e profano. Uma extensa lista de adjetivos pode ser usada para enfatizar a dissonância entre a música no seu estilo tradicional, cheio de regras, e aquela com roupagem espontânea, simples, mais próxima do povo. A união entre estilos tão heterogênos, no entanto, é possível - e muito bem aceita - a exemplo de dois eventos ocorridos neste fim de semana. No sábado, o 2º Encontro de Tenores surpreendeu o público com releituras de canções regionais; e no domingo, o Largo São Sebastião presenciou o tributo ao Queen, uma das bandas pioneiras em apostar na mistura do hard rock com música clássica.

O ponto de equilíbrio entre os gêneros em questão representa, em verdade, uma forma de conquistar públicos de dois mundos diferentes, ofertando-os um produto final diferenciado e ao mesmo tempo convidativo. O idealizador do projeto Encontro de Tenores e cantor lírico, Miqueias William (que integra o Coral do Amazonas), relembrou Luciano Paravotti como um dos responsáveis pela popularização da ópera, graças a parcerias que cultivava com cantores de rock e pop, como Bono Vox, Sting, Jon Bon Jovi e outros.

“Ele deu início a essa ideia de popularizar a música erudita. Por aqui, eu tento fazer o mesmo, apostando em talentos regionais como a Márcia Siqueira, a Karine Aguiar e a própria Ketlen Nascimento, que cantou aqui conosco”, explica o músico, ressaltando a participação de Ketlen na música “Sorry”, de Tracy Chapman. O evento de sábado, inclusive, chamou atenção para a releitura de “Amazonas Moreno” e “Vermelho” na voz dos tenores Roney Calazans, Matheus Pompeu e o próprio Miqueias William.

Responsável pelos arranjos do Encontro de Tenores, o maestro Armed Assi comentou que foi preciso fazer algumas adaptações para poder mesclar o popular e o clássico. “A formação tradicional de uma sinfônica não envolve, por exemplo, a bateria ou contrabaixo elétrico. Mas a música popular sim. E agente incluiu esses instrumentos ao lado de violinos e violoncelos, que já fazem parte de grandes orquestras, fiz alguns arranjos para unir esses estilos e o resultado foi maravilhoso”, explicou Assi.

União perfeita

A terceira edição de “A Night at the Opera”, tributo ao Queen originalmente incluso na programação do 17º Festival Amazonas de Ópera (FAO) foi a prova viva de que o popular com toques clássicos é muito bem aceito. O show, no Largo São Sebastião, contou com violinos elétricos, bateria, percussão e piano, este, tocado pelo maestro Marcelo de Jesus. O cantor Humberto Sobrinho, voz que comandou boa parte do repertório, falou da importância da banda inglesa em introduzir o clássico no mundo do hard rock.

“O Queen uniu rock com o erudito e se tornou uma das bandas mais ricas musicalmente. O rock tem muita influência da música clássica, pois bandas tradicionais como o Metallica, o Led Zeppelin, o Aerosmith já fizeram apresentações com orquestra. Pra mim, é a união perfeita”.

Publicidade
Publicidade