Sábado, 22 de Janeiro de 2022
Artes Visuais

Uýra Sodoma se apresenta na 34º Bienal de São Paulo

Entidade híbrida amazônica vivida pelo artista e biólogo Emerson Pontes expõe séries fotográficas e instalações - nas quais é fotoperformer - no evento



WhatsApp_Image_2021-09-01_at_20.24.28_29B36D82-9E5F-4ACD-A8E2-4F291196A120.jpeg Emerson Pontes em aparição diante da imagem de Uýra (Foto: David Martins/Divulgação)
02/09/2021 às 15:17

A entidade Uýra Sodoma, vivida pelo biólogo, arte educador e artista visual Emerson Pontes, estreia na 34º Bienal de São Paulo, que inicia nesta sexta-feira (3) – aberto somente para convidados. A abertura oficial será neste sábado (4) para o público em geral e o evento segue até o dia 5 de dezembro. Uýra apresenta trabalhos nos quais é a fotoperformer: a série fotográfica “Vovó Cobra”, que reúne fotos de acervo pessoal dos ensaios “Mil Quase Mortos”, “A Última Floresta” e “Elementar”; a série fotográfica inédita – e produzida para a Bienal – intitulada “Retomada”; e a instalação “Malhadeira”. 

“Mil Quase Mortos” é uma série de fotos que retrata a poluição dos igarapés de Manaus e suas relações aos imaginários territorial e humano. “A Última Floresta” retrata as paisagens invisíveis do desmatamento na Amazônia e “Elementar é uma série que conta a história de bichos e plantas amazônicas e também como essas criaturas se relacionam com os elementos água, terra, fogo e ar, a partir do ambiente amazônico.



Já a série fotográfica “Retomada” aborda o constante crescimento de plantas sobre espaços de abandono e violência nas cidades - reterritorializando-os com vida e demarcando a sua ancestralidade. E a instalação “Malhadeira” aborda os ressurgimentos de cursos d’água, hoje aterrados por avenidas e ruas de Manaus, explica Uýra. 

Expressão

Para o artista indígena Emerson Pontes – nascido em Santarém (PA) e residente em Manaus (AM) - Uýra Sodoma é a “árvore que anda”. Ele expressa através da “entidade híbrida” a imbricação entre sabedorias ancestrais e conhecimentos científicos da ecologia. O que chama atenção é a maneira como Uýra direciona olhares para florestas presentes em toda a paisagem urbana e em como as noções de “natureza” podem mudar a partir dessa ótica. As performances, fotoperformances, falas, intervenções e instalações também estão ligadas às causas de prevenção ambiental e direitos LGBTQIA+.

“Meu trabalho aborda as resiliências das coisas vivas. Produzo imagens inspiradas em histórias naturais de bichos, gentes e plantas, que driblam a desgraça com beleza, potência e diversidade – tudo isto dialoga com o tema desta edição da Bienal – cuja ocupação é, para mim, uma oportunidade política de demarcar a arte hoje produzida por indígenas e artistas da Amazônia”, destaca o artista.

Em paralelo à Bienal, ocorre a maior mobilização indígena de toda a história para a derrubada da tese do Marco Temporal, em Brasília. “Estamos ocupando a Bienal enquanto ocorre essa mobilização. Esta é a Década da Arte Indígena Contemporânea. O Marco Temporal retira o direito às terras dos povos indígenas – os primeiros brasileiros. Como indígenas, lutamos por nossos direitos e escuta de nossas vozes em diferentes locais, de diferentes formas”, finaliza. 

Proposta

O título da 34ª Bienal de São Paulo, "Faz escuro mas eu canto", é um verso do poeta amazonense Thiago de Mello. A exposição é do dia 4 de setembro e vai até 5 de dezembro, com entrada gratuita. O evento acontece no Pavilhão Ciccilo Matarazzo, no Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP).

Repórter de A Crítica

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