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Van Gogh e o Prosamim: a arte de Vincent a par com a vida real em espetáculo de Manaus

Segundo o diretor do espetáculo ‘A Casa Alienígena de Van Gogh Reformada no Prosamim’, Jorge Bandeira, o texto é de autoria de Antonin Artaud, e foi composto em 1947. Ainda segundo ele, o texto originou-se a partir de um artigo sobre a vida de Van Gogh, escrito pelo próprio Artaud. A obra revisitada ao teatro mescla ao texto original algumas passagens compostas por Jorge 29/05/2013 às 21:28
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Na cenografia, elementos como cavaletes-guilhotinas, quadros, bandejas, chaves, bules, copos e origamis são dinamizados com a luta de Van Gogh para manter sua arte
Laynna Feitoza Manaus, AM

A abordagem poética e expressionista do último dia de vida de Vincent Van Gogh dá cores ao espetáculo ‘A Casa Alienígena de Van Gogh Reformada no Prosamim’, da Cia. de Teatro Éden. Dirigida pelo dramaturgo, crítico e professor de teatro Jorge Bandeira, a montagem terá a sua décima e última exibição – que finaliza o ciclo de dois meses em cartaz e em todas as quintas-feiras – nesta quinta (30), às 20h, no Teatro Alienígena, localizado na Rua Lima Bacuri, 64 C, bairro Centro.

Segundo o diretor do espetáculo, o texto é de autoria de Antonin Artaud, e foi composto em 1947. Ainda segundo ele, o texto originou-se a partir de um artigo sobre a vida de Van Gogh, escrito pelo próprio Artaud. A obra revisitada ao teatro mescla ao texto original algumas passagens compostas por Jorge.

“Inseri elementos de escrita automática e elementos do cancioneiro popular. Tem até Roberto Carlos”, revelou Bandeira. De acordo com ele, os anéis criados entre a obra de Van Gogh e o Prosamim – programa social da cidade de Manaus – salientam-se com o objetivo de criar um elemento de reflexão sobre o processo de adaptação e das circunstâncias que levam as pessoas a morar em determinados lugares.

“Van Gogh nem casa tinha, vivia de favores com seu irmão Théo, com quem escrevia cartas e tinha uma certa segurança. Lidamos também com a capacidade de interação dos seres humanos, do meio como fundamental nisso tudo. Fazemos também uma analogia do Van Gogh esquecido com as pessoas muitas vezes esquecidas do Prosamim”, ressaltou Bandeira.

Van Gogh e sua consciência nua e crua

O espetáculo é alimentado por dois personagens: o próprio Van Gogh, interpretado pelo ator Fred Lima, e Ex-Tela, vivida pela atriz Amanda Magaiver. “Inclusive, Ex-Tela é uma personagem alegórica, que representa a consciência nua e crua de Van Gogh”, complementou o diretor.

O ambiente de ‘A Casa Alienígena de Van Gogh Reformada no Prosamim’ transcorre em um espaço rústico, porém lúdico, com iluminações que variam do âmbar ao vermelho, e que fazem um passeio por efeitos de strobo, apontou Jorge. Já o figurino se reveste de simplicidade e da angústia de Vincent.

“O figurino é uma caracterização da fase da orelha cortada. Já para Ex-Tela trabalhamos com um vestido florido e também com a nudez total, pois ela representa a liberdade da mente criativa de Van Gogh. A nudez liberta”, argumentou Bandeira.

Work In Progress ao vivo

Na cenografia, elementos como cavaletes-guilhotinas, quadros, bandejas, chaves, bules, copos e origamis são dinamizados com a luta de Van Gogh para manter sua arte. “Há uma tela em que o ator pinta ao vivo. Durante o espetáculo, um work in progress é feito ao vivo e a cores”, ponderou o diretor.

Melancolia das escalas minimalistas

O enredo musical da montagem é recheado pela melancolia das escalas minimalistas, acentuou Jorge. A trilha é composta por ele, que toca harmônio indiano no espetáculo, e por Bruno Trece, que trabalha com a gaita escocesa. A escolha dos instrumentos, segundo Jorge, se deve ao ar démodé que estes imprimem à história.

“A trilha remete a uma new wake dark gótica, ou algo assim, como se chegassem de um passado distante aos ouvidos mais atentos. É um som de algo que não se conclui, ou que volta ao mesmo ponto”, finalizou Bandeira.

O espetáculo tem duração de 50 minutos e possui classificação de 18 anos. Os ingressos custam R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira) e podem ser obtidos na bilheteria do local.

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