Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
CINEMA

Versões em live-action de clássicos da Disney dividem opiniões entre os fãs

Estúdio prepara adaptação de "A Pequena Sereia" e deve lançar "Mulan" em março de 2020



1562964187525515_2A0B4C97-63AA-4D24-A7D3-C70B433F647E.JPG Fotos: Reprodução/Internet
15/07/2019 às 14:40

Nos últimos dias, o tema dominou as discussões nas redes sociais entre os fãs das animações da Disney: afinal, a personagem Ariel, protagonista do clássico “A Pequena Sereia”, pode ser negra? Tudo começou quando o diretor Rob Marshall (de “Chicago”) anunciou a cantora e atriz Halle Bailey, de 19 anos, como a escolhida para o papel principal na versão em “carne e osso” do filme, lançado originalmente em 1989. 

A ala dos descontentes não demorou a atacar o estúdio, que decidiu romper com a imagem que ele mesmo inventou para Ariel, a de uma sereia branca e ruiva. Do outro lado estão os que identificam nas reclamações uma atitude racista e veem com bons olhos a escolha da Disney. Para Juçara Menezes, do 1 Minuto Nerd, live-actions costumam causar polêmicas porque acabam mexendo com as memórias afetivas da infância das pessoas.

“Isso aflora quando o filme reaparece. A pessoa não aceita menos do que a felicidade que ela teve anteriormente. No caso dos live-actions, é literalmente dar vida a um passado recente e feliz, então nem todo mundo aceita modificações mais ‘radicais’ nas histórias”, opina ela, destacando que a questão racial não interfere na trama de “A Pequena Sereia”, ao contrário de filmes como “Pantera Negra”.

“Ariel é um ser mitológico, com rabo de peixe e seios de concha. Existe verdadeiramente uma pessoa assim? E a vilã Úrsula, que é lilás? Deveriam ter chamado um candelabro para fazer o Lumière no live-action de ‘A Bela e a Fera’? Se fosse para ser tão fiel ao desenho, que não passa de uma representação, ninguém faria cinema nessa vida”.

Rod Castro, do 2Nerd, segue o mesmo raciocínio e atribui a fãs radicais a polêmica em torno da nova Ariel. “Como se a cor da pele do personagem fosse realmente mudar tudo. E o mais louco é que estamos falando da adaptação de um desenho, em que as cores têm uma função mais ‘artística’ e ‘estética’ do que real”.

Lenda chinesa

Outra produção da Disney que tem dividido opiniões é o live-action de “Mulan”. Com a atriz sino-americana Liu Yifei no papel-título, o filme tem estreia prevista para março de 2020. Baseado numa famosa lenda chinesa, o filme conta a história de uma jovem que se disfarça de homem para se alistar no exército chinês no lugar do pai adoentado.

Depois de assistirem ao primeiro trailer divulgado pelo estúdio, fãs criticaram a provável ausência das canções originais e de personagens icônicos da animação de 1998, como o divertido dragão Mushu, que deve ser substituído por uma fênix no novo filme. Corre a teoria de que a eliminação do personagem seria para facilitar a aceitação do live-action no importante mercado da China, país que considera o dragão como figura sagrada e que não teria ficado muito satisfeito com a representação avacalhada que ele recebeu no desenho animado da Disney.

Juçara Menezes relativiza e diz que ainda é cedo para saber o que realmente será visto na telona. “O trailer é uma espécie de teste para saber se o estúdio está no caminho certo. Os dois spin-offs de ‘Star Wars’, por exemplo, sofreram retaliações e a produção teve que refazer cerca de 40% de cada filme. Algumas pessoas amaram o jeito que ficou (não sou uma dessas), mas as mudanças aconteceram depois de trailers e teasers”, explica.

“É aquele lance de ver um trailer e achar que tudo já está ali. As pessoas hoje querem saber tudo sobre um filme só com uma peça publicitária, não querem mais ser surpreendidas”, completa Rod Castro. “Era muito bom ir ao cinema e ser totalmente surpreendido, como fui ao ver ‘E.T. - O Extraterrestre’, ‘Inimigo Meu’ e ‘Feitiço de Áquila’”.

Dubladora defende

Jodi Benson, atriz que dublou Ariel na animação “A Pequena Sereia”, saiu em defesa da escolha de uma atriz negra para protagonizar o live-action produzido pela Disney. Ela revelou ainda que nas primeiras artes conceituais do filme lançado em 1989 Ariel era apresentada como uma sereia loura, mais madura e glamurosa.

“Precisamos ser contadores de histórias. E não importa nossa aparência por fora, nossa raça, nossa nacionalidade, a cor da nossa pele, nosso dialeto, nossa altura, se se é gordo ou magro, se o cabelo é de certa cor... Nós precisamos contar a história. É o espírito do personagem que importa. Desde que o coração e o espírito do personagem sejam representados, é o que conta”. 

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