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Viagem pessoal: a trajetória de Oscar Ramos nas artes plásticas contada em livro

Em abril, artista amazonense lança livro onde reconstitui suas influências 27/03/2013 às 09:30
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O livro “Maya”, uma referência à deusa brâmane da ilusão, será lançado no dia 25 abril pela Secretaria de Cultura (SEC), apesar de já estar pronto há um ano
Rosiel Mendonça Manaus, AM

Adepto de multilinguagens, com presença marcante na cena da cultura underground no Brasil do fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, o amazonense Óscar Ramos resolveu contar no papel, pela primeira vez, o percurso e os momentos-chave que contribuíram para a sua formação como artista plástico. O livro “Maya”, uma referência à deusa brâmane da ilusão, será lançado no dia 25 abril pela Secretaria de Cultura (SEC), apesar de já estar pronto há um ano.

“Para eu escrevê-lo não foi fácil, mas foi imediato: sentei na frente do computador e em dois meses ele estava pronto”, explicou Ramos, justificando a demora para a publicação do material autobiográfico. “Ano passado foi um pouco complicado, estava fazendo filmagens fora de Manaus e não tive tempo para tratar o livro. Na verdade, não tenho a menor paciência para essas burocracias da fase de pós-produção”.

A mudança de Itacoatiara para Manaus, aos 8 anos, a relação artística com Luciano Figueiredo, a ida para a Espanha, o retorno para o Brasil e o encontro do artista com o underground e o movimento tropicalista – essas e outras passagens da vida de Óscar Ramos ganham destaque na obra, que não tem, nem de longe, um caráter didático por opção do próprio autor. Segundo ele, “Maya” também vem para preencher um vazio quando o assunto é sua trajetória nas artes plásticas.

“Nunca houve um trabalho de crítica do meu trabalho, pelo que dou até graças a Deus, então nesse livro procuro conceituar, para mim e para os outros, o conjunto da minha obra. Hélio Oiticica e Lygia Clark diziam que se eles mesmos não conceituassem a obra deles, a crítica ia fazer bagunça. Não deixar nenhum subsídio para o público é um problema dos artistas locais. Não tem como deixar tudo à mercê do público, dos curadores e dos críticos: o artista precisa dizer a que veio”, enfatizou.

AUSÊNCIAS

Apesar de retratar a influência do cinema na arte de Óscar Ramos, o livro não contempla a experiência do amazonense como profícuo diretor artístico em grandes produções nacionais, como “Menino do Rio” (1981) e, mais recentemente, a saga “Tainá”.

O autor também aponta outros “buracos” na obra, como a sua atuação, junto a Luciano Figueiredo, na produção da revista de artes e literatura “Navilouca” (1971), idealizada por Waly Salomão e Torquato Neto. “Foi um processo muito confuso, não tive forças para abrir um capítulo sobre isso”, explicou Ramos.

O artista contou, ainda, que o seu amor pelo falso lhe causou estranhamento durante o processo de escrita. “Conto uma história de um tempo em que ainda morava em Itacoatiara, onde morava a Dona Neném Fernandes, que fazia flores de papel. Um dia, ela me deu uma flor verdadeira e fiquei com ódio dela, porque eu queria a de papel, que não morria”, relembrou.

Mesmo trazendo trechos autobiográficos como esse, Ramos se permitiu contar apenas as experiências pertinentes à sua formação como artista plástico. “São recortes da infância, da juventude e da vida adulta. Não conto segredos e nem falo mal de ninguém. É uma experiência extremamente pessoal, como se eu olhasse minha vida através de um microscópio para enxergar tudo que o que me fez ser o artista que sou”, pontuou.

Serviço

o que é: Lançamento do livro “Maya”, de Óscar Ramos

onde: Biblioteca Pública do Estado do Amazonas, rua Barroso, Centro

quando: 25 de abril, às 18h

 

 

 

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