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Viciados em smartphone

Qual o risco de estar sempre conectado? Aumento do tempo de exposição ao mundo digital pode influenciar negativamente o comportamento 03/09/2013 às 18:33
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Blogueira Marcela Pinheiro disse que tentou se "desviciar" um pouco em favor da interação social
Felipe de Paula Manaus (AM)

O administrador Gustavo Jinkings passa a maior parte do dia de iPhone na mão. Ferramenta de trabalho, estudo, interação social e entretenimento, ele vê mais prós do que contras no uso do aparelho, mas confessa se considerar um “viciado” em celular. “Quando esqueço em casa, parece um membro que deixei para trás”, diz ele.

Como Gustavo, existe um número cada vez maior de “dependentes” em todo o mundo. Tanto que a própria Coreia do Sul, maior fabricante de smartphones no planeta, já demonstrou preocupação com o assunto; assim como os Estados Unidos, segundo nessa lista.

Aliás, pesquisa recente da Stanford University apontou que a maioria dos jovens americanos que utilizam o aparelho já o usaram para fugir de uma conversa cara a cara; admitem que já tentaram diminuir as horas diante da telinha e que a ausência do aparelho lhes gera grande ansiedade e até depressão.

Por aqui, não é muito diferente, como explica a psicóloga Lígia Duque, presidente do Conselho Regional de Psicologia (CRP-AM). “Recebo queixas de pacientes que não reconhecem a dificuldade em largar o aparelho e até de se relacionar de maneira física com as pessoas”, diz ela, destacando que o refúgio no mundo digital pode ser encarado como uma fuga da realidade ou busca constante pela satisfação.

“Muita gente tem dificuldade de se abrir, mas quando entra no Facebook, conta a vida toda”, diz a profissional. Para ela, essa atitude acarreta a diminuição das “trocas afetivas autênticas” (contato físico direto), fundamentais, segundo ela, para a criação de resistência à frustração social.

Ou seja, ao abaixar a cabeça para postar no twitter, chegar suas notificações ou apenas jogar um game, você imerge num mundo sem maiores tensões ou problemas. A questão é que, quanto maior o tempo de exposição, menor o prazer sentido; porém, a busca pela satisfação continua, gerando estresse e, com ele, a ansiedade, irritação e até quadro de insônia e depressão.

Algo errado

Para a psicóloga, o ideal é regular ou reduzir o tempo de acesso ao aparelho, assim como organizar melhor as tarefas, de maneira que o anseio em jogar um game ou atualizar o Facebook não seja maior que a necessidade de usar o telefone para uma tarefa inadiável ou mesmo ter uma experiência de interação física.

Porém, isso não significa que não se pode distrair um pouco a cabeça, explica Lígia.

”Distrair-se moderadamente pode reduzir a tensão, mas a partir do momento em que se está evitando o ‘mundo real’, haverá deficiência em lidar com as frustrações”, insiste, alertando para os sinais de exacerbação do uso do smartphone. “Quando a pessoa começa a substituir o lazer, a alimentação, ou mesmo levar o aparelho para fazer tais atividades, há algo de errado”.


Três perguntas: Blogueira Marcela Pinheiro diz que procurou se "desviciar"

Você vê os smartphones como responsáveis pelo aumento do número de “viciados” no mundo digital?
De uma certa forma sim, porque é um aparelho que está sempre com você, fácil de carregar e de fácil acesso também. As notificações e o 3G com Internet em qualquer lugar contribuíram muito também.

Na sua opinião, por que desses aparelhos são tão viciantes?
Os smartphones têm acesso à Internet: só isso já seria motivo suficiente pra ficar viciado hehehe... E pra completar ainda existe um mundo de aplicativos e jogos que você pode baixar pro seu celular. Acho que o difícil é não viciar.

Qual sua relação com o seu aparelho. Você se considera dependente?
Sim, mas confesso que já fui bem mais viciada, hoje em dia tento me policiar. Por exemplo, criei uma regra pra mim, de não levar o smartphone pra mesa na hora do almoço e tem dado bastante certo! Inclusive quando minha irmã ou outra pessoa leva eu fico incomodada.

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