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Vida de ‘rock stars’

Conheça alguns roqueiros da cidade que atuam em outras áreas, mas que não deixam de fazer bonito. O cotidiano por trás dos palcos. 18/05/2013 às 17:06
Show 1
Professor Doutor da Universidade Federal do Amazonas, Marcelo Seráfico também tem uma banda de rock
Rafael Seixas Manaus (AM)

Eles brilham na cena rock ’n’ roll amazonense, interpretando sucessos de bandas famosas e até mesmo composições próprias. Em cima dos palcos, mostram visual ousado, com cabelos grandes e tatuagens, e fica até difícil imaginar que esses roqueiros - por vezes taxados de forma pejorativa - desempenhem papéis completamente distintos fora deles. E é justamente isso que a reportagem do “BEM VIVER” vem desmistificar, apresentando cinco “rock stars” amazonenses que, além de bons músicos, fazem bonito nas suas áreas de atuação profissional.

Esse é o caso do engenheiro mecânico Antonio Wesley Carvalho de Oliveira, que toca bateria em três bandas da cidade, mas que concilia sua rotina de ensaio com a profissão. Outro que também faz bonito é o professor e doutor em Sociologia, Marcelo Seráfico, que toca guitarra, mas também compõe na Pacato Plutão.

Com suas performances um tanto inusitadas e com o figurino chamativo, o cantor Eraldo Bandeira se transforma em outra pessoa quando está dando aula no curso de Administração do Ciesa e respondendo como assessor técnico da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Escriturário no Banco do Brasil, Guilherme Cavani Franco, guitarrista e vocalista da Band & Donna, sempre contou com apoio de amigos e da empresa na sua atividade cultural. E o futuro médico, Diego Henrique, baixista da Evil Syndicate e Eutanase, diz que o metal o ajuda e muito na medicina.

Professor e sociólogo

Doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcelo Seráfico é guitarrista da banda de rock autoral Pacato Plutão. De acordo com ele, apesar dessa atividade ser relativamente nova – com apenas sete meses de banda –, o fato de atuar como professor ajuda muito nesse engajamento da música, tanto na hora de escrever alguma coisa como também em não ter inibição.

“Para mim, tocando, você acaba tendo uma certa acessibilidade com as coisas, acaba que ambas as atividades se combinam de uma maneira muito interessante. Na sala de aula, você tem um compromisso com o diálogo, em falar, no show isso não acontece. Você tem a resposta na energia das pessoas no show. Em ambas (áreas) é preciso muito ensaio, estudo”, disse ele, que informou ainda não mudar o seu modo de se vestir na sala de aula e que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito por parte de pessoas que não sabiam do seu lado roqueiro, no máximo os “desavisados” tiveram uma certa surpresa.

Assessor técnico e professor

Conhecido na cena manauara por suas apresentações às segundas-feiras junto (normalmente) da banda Official 80, Eraldo Bandeira é assessor técnico da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), vice-presidente da comissão de licitação da Seminf e professor universitário do curso de Administração do Ciesa, com mestrado em Administração Pública.

Ele, apesar das diversas áreas de atuação, afirma conseguir ter posturas diferentes em cada uma delas. “As pessoas quando me reconhecem na faculdade, ficam me olhando com aquela cara de será que é ele mesmo? Os que me conhecem da música e depois se tornam meus alunos, eu procuro manter uma certa distância para não confundirem”, disse o cantor, que relatou se cobrar mais para não sofrer nenhum tipo de preconceito por ser músico, roqueiro e cantar na noite.

“Vou cantar no pub O Chefão e chego às 3h30. Acordo às 6h, às 7h eu estou na Seminf. Nesses três anos de ‘Segundas sem Lei’ (festa temática feita toda segunda-feira no Chefão), eu nunca cheguei atrasado à Seminf. Faço tudo certo para não dar margem. É uma questão profissional. Quando a noite é boa (no show), você está tão bem que não sente cansaço, ressaca, nada”.

Sobre a questão visual, Bandeira explicou que compra roupas para cantar (veja a foto destaque à esquerda), acessórios e que mantém o cabelo grande porque é algo que fixa na mente das pessoas. Fora do palco, ele usa roupas mais convencionais.


Escriturário

Guilherme Cavani Franco, guitarrista e vocalista da Band & Donna, que exerce a função de escriturário no Banco do Brasil, disse que nunca passou por nenhuma situação constrangedora por ser roqueiro. Ao contrário, segundo ele, “muitas empresas valorizam e incentivam as atividades culturais, e o trabalho feito com qualidade e responsabilidade sempre é bem recebido e reconhecido”.

Engenheiro mecânico

Baterista de três bandas e engenheiro mecânico, Antonio Wesley Carvalho de Oliveira, gerência fornecedores e materiais fornecidos e, por ser um cargo de confiança, precisa ter uma postura mais rigorosa. Ele disse que, às vezes, acaba sofrendo certo preconceito porque muitas pessoas titulam que roqueiro é drogado ou não quer nada com a vida, porém, outros o chamam de engenheiro nerd, com mestrado. “É difícil associar com o roqueiro (risos)”, brinca.

Estudante do último período de Medicina

Super cabeludo, com uma mega barbicha, se formando no próximo ano em Medicina pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mas de vez em quando fazendo plantões pelos hospitais da cidade, o metaleiro Diego Henrique, baixista das bandas Evil Syndicate e Eutanase, disse que já sofreu preconceito por parte de professores e pacientes.

“Os pacientes olham com uma cara atravessada por você ser estudante, segundo por ser novo, terceiro por ser cabeludo, mas acontece de alguns gostarem. Os professores lhe olham com uma cara, mas isso acaba quando eles veem que você está ali para estudar”, disse Henrique, complementando que tanto na música quanto na medicina é preciso se dedicar.

Ao contrário do que muitos devem imaginar, o fato de ser metaleiro o ajuda na medicina. “Gosto das áreas da medicina mais imediatistas. Tem tudo a ver com o metal. Há momentos na emergência com pessoas baleadas, cirurgia, e você tem que está concentrado. Esses momentos são puro metal para mim, pela situação que você tem de salvar uma vida e curar uma doença”, disse o baixista, que rala bastante para conciliar as atividades.



 

 

 

 

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