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Vida de viajante: histórias surpreendentes de quem caiu na estrada e não se arrependeu

Um casal de fotógrafos juntamente com sua sobrinha, resolveram percorrer todos os países da América do Sul, dando origem ao projeto '20 mil léguas'. Além deles, a história do mochileiro Rogério Chimionato, que está de passagem por Manaus, encanta 23/05/2015 às 12:07
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Projetos como "20 mil léguas" e "Com a cara e a coragem" retratam um pouco dessa aventura
Rosiel Mendonça Manaus (AM)

Tudo começou com a ideia de ir de Rio Branco a São Paulo de carro, uma distância equivalente a cerca de 3.600 quilômetros. Algumas conversas e sugestões de amigos depois, novos destinos começaram a ser acrescentados à rota original, dando origem ao projeto “20 Mil Léguas”, que percorrerá todos os países da América do Sul, em especial o Brasil.

O pontapé dessa jornada foi dado na última terça-feira, dia 19, pelo casal de fotógrafos Ricardo Kallai e Elem Fragoso, que viajam na companhia da sobrinha Geovana Dantas (todos residentes em Manaus) a bordo de um Honda Fit. Kallai conta que a ideia da viagem surgiu enquanto o casal estava no Acre, entre janeiro e março, realizando um serviço para um banco e precisaram rodar diversas cidades do Estado.

“Para isso enviamos o carro da Elem para lá e, conforme viajávamos, fotografamos muita coisa diferente, conhecemos uma realidade com a qual não estamos acostumados e acabamos gostando da vida na estrada”, lembra. A necessidade de resolver assuntos em São Paulo (terra natal do fotógrafo, que mora no Amazonas há seis anos) e o alto custo das passagens aéreas foi o que o levou a querer fazer esse caminho pela estrada.

“Conversando com amigos que passaram por outros países de fronteira, a ideia foi aumentando e chegamos a essa rota que passará pela América do Sul e todo o litoral do Brasil”, explica Kallai. Machu Picchu, no Peru, foi um dos primeiros novos destinos acrescentados ao roteiro.

Ao fim da viagem, que deve durar até 10 meses, eles terão percorrido 2.400 cidades e 54 mil quilômetros. Todo o trajeto poderá ser acompanhado pelo site www.20milleguas.com.br, assim como Facebook, Instagram e Twitter.

Projetos

Além dos diários de bordo compartilhados na Internet, a viagem prevê a realização de outros pequenos projetos fotográficos. Um deles tem a ver com os lugares do descanso eterno. “Vamos fotografar e filmar tudo. A Elem é fissurada em arte tumular, e eu já sou mais ligado na história dos cemitérios”, diz. O Cementerio de la Recoleta, em Buenos Aires, não poderia ficar de fora.

Interessado nas imagens do cotidiano, o fotógrafo pretende realizar uma outra série focada nas pessoas e particularidades das cidades por onde o trio passar. “O principal da viagem é registrar as diferenças culturais e cotidianas desses países”.

Para dar conta de tantos cliques, eles saíram de Manaus munidos de 6 teras em HDs e um estúdio de fotografia portátil. Muita roupa de frio, uma panela de arroz elétrica, grill, mini churrasqueira, cobertores, travesseiros e barraca de camping também fazem parte da bagagem. O kit de viagem tradicional inclui bússola e mapas para as localidades sem de Internet ou telefonia.

“Tem muita gente aguardando a nossa chegada. Em Caxias do Sul tem uma amiga e em São Luís uma prima italiana que eu nunca vi. Ela já mandou avisar que vai esperar a gente com uma feijoada e comidas típicas da Itália”, completa o fotógrafo.

No trecho final da viagem, os mochileiros farão uma visita ao Monte Roraima. De Boa Vista eles seguem de volta para Manaus passando pelos municípios amazonenses de Manacapuru, Novo Airão, Itacoatiara e Itapiranga.

Saiba +

Parceiros no caminho

Uma das regras do “20 Mil Léguas” é economizar ao máximo com hospedagem, e para isso a equipe vem negociando parcerias ou permutas. Em algumas cidades do Brasil, a rede Atlântica disponibilizou hospedagem cortesia, possibilitando a estadia na cidade por mais de um dia e um descanso de maior qualidade.

Viajando sem prazos

Está de passagem por Manaus o mochileiro Rogério Chimionato, da página “Com a cara e a coragem”. Aos 38 anos, o paulista “viaja vivendo” pelo Brasil desde janeiro de 2014, com quase nenhum dinheiro no bolso e trabalhando em troca de hospedagem ou alimentação. Na próxima terça-feira, dia 26, às 19h, ele promove o bate-papo “O que aprendi viajando sem grana” no Café com Texto.

“Estou há duas semanas em Manaus e no momento aguardo uma carona da Força Aérea para me levar para o interior. Se não conseguir outro contato acho que vou para Santarém”, avisa Chimionato, explicando que assumiu o lifestyle nômade depois de sair de um trabalho e terminar um relacionamento. “Eu estava pensando em tomar um novo rumo na vida. Como não tenho filhos nem dívidas, pensei em dar um tempo”.

Ele diz que, de início, o dinheiro foi um limitante. “Pela Internet comecei a descobrir formas alternativas de viagem e pessoas que estavam fazendo isso, viajando de carona e fazendo trocas”. A ideia de Chimionato é conhecer pelo menos todas as capitais brasileiras. Ano passado ele passou por todas do Nordeste, de Salvador a São Luís.

Como forma de compartilhar o que vem aprendendo com suas andanças, Rogério realiza nas cidades por onde passa encontros informais em que fala sobre oito princípios para as pessoas aplicarem no dia a dia, independente se estiverem com o pé na estrada ou não. “Um deles é o poder do sim: com alguns critérios, estou sempre aberto aos convites que me fazem, não deixo a preguiça ou o cansaço me influenciar”.

Serviço

O quê: “O que aprendi viajando sem grana”

Onde: Café com Texto (av. Humberto Calderaro Filho)

Quando: Terça-feira, dia 26, às 19h

Quanto: Contribuições a partir de R$10

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