Sábado, 31 de Julho de 2021
Audiovisual

Videoinstalação 'Mãos que matam', do artista plástico Jandr Reis, será transformada em filme

Projeto, ainda sem previsão de lançamento, teve imagens gravadas recentemente no município de Novo Airão, no Parque Nacional de Anavilhanas



a1216-1f_79FA3290-1691-4FE9-81AF-61A24609A290.jpeg Segundo Jandr, projeto busca incentivar a preservação do local (Foto: Pedro Marinho/Divulgação)
24/06/2021 às 15:24

Assim como o símbolo das mãos humanas que poluem os rios, as entranhas dos rios pedem socorro pelo lixo que habita suas profundezas. É esse o impacto emocional que a videoinstalação “Mãos que matam”, do artista plástico Jandr Reis, causa a quem a observa. Retratado com luvas descartáveis amarelas preenchidas com isopor e que parecem “emergir” das águas, o projeto teve imagens gravadas recentemente no município de Novo Airão, no Parque Nacional de Anavilhanas. O registro virará um filme - ainda sem previsão de lançamento - a ser divulgado nas redes sociais do artista plástico.

A primeira etapa de gravações do projeto aconteceu no dia 23 de maio, na Avenida Eduardo Ribeiro, próximo ao Relógio Municipal de Manaus, e faz um clamor acerca da poluição gerada pelo descarte de lixo nas ruas e águas. “Muitas vezes, o simples fato de jogar um copo, uma lata ou uma garrafa pet na rua é prejudicial ao meio ambiente. Esse dejeto, se não descartado em local apropriado, pode chegar ao rio através das fortes chuvas amazônicas. Muitos dos dejetos e descartes irregulares vão direto para o fundo dos rios, prejudicando não só a água, mas também a vida marinha. Muito do lixo não é visível a olho nu, a vida marinha também é prejudicada e a natureza agoniza” complementa Reis.



O artista escolheu levar as gravações da videoinstalação para Novo Airão com o intuito de sensibilizar acerca da preservação do local. “O arquipélago de Anavilhanas é próximo da capital e ainda está preservado. Não podemos deixar a sujeira chegar naquele ambiente. Essa instalação serve como alerta para que as pessoas pensem sobre a poluição que pode chegar lá”, declara.

Logística

Para registrar as imagens no Parque, a equipe fez a locação de uma lancha do estilo “voadeira” para navegar nos igapós formados no labirinto natural do local. “O lugar é muito exuberante, incrível e de uma energia incrível. Procurei um local onde tivessem esculturas naturais para que a instalação conversasse com a natureza. O grande desafio foi mergulhar no local, por receios de animais silvestres. Foi uma aventura”, comenta Jandr. Nas duas etapas de gravação, as luvas tiveram descarte correto, e foram entregues para a reciclagem.

A videoinstalação, agora na etapa de edição, tem seu lançamento planejado para acontecer em algum evento ligado ao meio ambiente como congresso, ou alguma reunião importante sobre o tema, de acordo com Reis. “A mensagem que essa arte traz é a preservação da biodiversidade e alerta que o lixo pode deixar nossos rios poluídos. Esta seria uma boa ocasião para o lançamento”, finaliza o artista.

Encontro do texto e da imagem

A crônica “Mãos que matam”, da autoria do ambientalista Fernando, também acompanhará o conteúdo da videoinstalação. O texto será declamado pela cantora Márcia Siqueira. “A crônica faz um relato de ações destrutivas, instrumentais e capitalistas que matam a natureza, impregnadas na ideia da natureza como objeto apropriável privadamente”, pondera Jandr.

Ainda segundo ele, o poema faz o alerta de que não são todos os “homens” com seus pensamentos e suas práticas que matam a natureza, como se diz hoje com o conceito de “antropoceno”. “Existem ‘homens’ e ‘mulheres’ ancestrais (como os povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, tradicionais) com pensamentos e práticas em harmonia entre os seres e elementos (ar, água, terra, mata, fogo) que não matam a natureza”, completa Reis.

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