Sábado, 24 de Agosto de 2019
Vida

Visão do verde: a importância do projeto paisagístico

Mesmo com uma flora tão rica, nossa região ainda não produziu nenhum nome forte no cenário do paisagismo nacional



1.jpg Projetos de Orsini englobam preservação ambiental à preservação da natureza
13/02/2013 às 11:40

Vivemos em um verdadeiro paraíso, com uma flora tão rica quanto bela. Um prato cheio para os profissionais do paisagismo. Helicônias, bromélias, açaizeros e espécies de palmeiras como fênix e rabo de raposa são exemplos de como em nossa região a matéria-prima é abundante. A terra pode ser fértil, mas ainda não viu brotar nomes de peso na área.

Isso talvez se explique pelo fato de a profissão ainda não ser regulamentada no Brasil. Só há um curso de graduação em Composição Paisagística no País, na Faculdade de Belas Artes da UFRJ. Mas existem cursos técnicos em paisagismo, além do mesmo fazer parte da grade curricular das faculdades de Arquitetura. “Infelizmente ainda confundem paisagismo com jardinagem. E para piorar, as pessoas não tem a cultura do verde”, atesta a arquiteta Mariana Tavora.

Ela explica que de um lado os profissionais não se interessam em buscar mais conhecimento na área, do outro os clientes também não estão acostumados a investir. “Eles não têm interesse, pois acham que vão estar gastando só com ‘plantas’. Muitas vezes a primeira coisa que os clientes mandam fazer é arrancar as árvores do local”, diz Mariana.

Para a arquiteta Talita Amim, a escassez de paisagistas acaba prejudicando a concepção de muitos projetos. “O projeto paisagístico deve estar amarrado ao arquitetônico desde o princípio”, afirma Talita, que faz questão de chamar a atenção para as peculiaridades da nossa região. “É preciso ficar atento, pois não se trata apenas de uma questão estética, mas da escolha da vegetação que melhor se ajuste ao nosso clima”, destaca a arquiteta.

EXPERIÊNCIA

Com mais de 30 anos de experiência na área, o premiado paisagista brasileiro Luiz Carlos Orsini sabe bem que o caminho para o reconhecimento na profissão é construído em cima dos pilares da criatividade, do profissionalismo, da honestidade e da eterna busca em surpreender. Orsini conversou com a reportagem de A CRÍTICA em seu escritório no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Formado em paisagismo em Madrid, na Espanha, na Escuela de Jardineria y Paisajismo “Castillo de Batres”, Orsini já executou centenas de projetos em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal e Bahia. “O mercado é gigantesco, mas não se fica famoso da noite para o dia. É preciso ter conhecimento e trabalhar muito”, aconselha Luiz Carlos Orsini. Quem se habilita a explorar essa seara?

Carreira de sucesso

Especialista em transplantes de plantas adultas, Luiz Carlos Orsini já plantou, em várias regiões do Brasil, mais de 800 espécies entre palmeiras e árvores, utilizando mão de obra especializada e tecnologia de ponta, com percentuais de perda menor que 3%.

“O seu trabalho vai ganhando eco no boca a boca, entre arquitetos, engenheiros, eletricistas... Quando comecei, em 1979, quase não existia a figura do paisagista. Foram anos de batalha para conquistar uma posição melhor”, afirma o paisagista que aos 16 anos teve o primeiro contato com a nossa região: o Arquipélago de Anavilhanas.

O especialista explica que hoje os empreendedores buscam profissionais âncoras na área da arquitetura e do paisagismo como forma de atrair novos clientes. “Isso é um chamariz. Mostra que a coisa é VIP e será bem feita”, atesta Orsini, que prepara o lançamento do seu segundo livro para o primeiro semestre deste ano.

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