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Vítimas recentes, divas Björk e Madonna foram pegas de surpresa com discos 'vazados' na rede

Lançamentos dos discos foram antecipados por causa de ‘vazamentos’ na web, prática considerada comum ultimamente no meio fonográfico 26/01/2015 às 18:30
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Madonna vai se apresentar no Grammy 2015 , dia 8 de fevereiro. Será a primeira apresentação ao vivo de Madonna com uma de suas novas músicas
LUCAS JARDIM ---

Em uma era em que uma grande companhia tem seus dados devassados para o mundo ver e existe até um site dedicado a publicar documentos secretos de Estados mundo afora, como podemos esperar que algo tão predisposto a consumo de massa quanto a música permaneça secreto? Exato, não podemos. Em pleno 2015, a discussão entre gravadoras e artistas não é se uma determinada música ou álbum vai vazar, mas sim, quando.

A mais nova consequência da incapacidade do meio fonográfico de impedir esses vazamentos tem sido a antecipação de lançamentos vazados, como no caso recente da artista islandesa Björk. No último final de semana, ela viu seu mais novo disco de estúdio, Vulnicura, ser jogado na íntegra na rede, meros três dias após seu anúncio, e optou por colocar o álbum à venda nas lojas virtuais três dias após o vazamento.

Cerca de um mês antes, em dezembro de 2014, a popstar estadunidense Madonna passou por algo parecido quando treze faixas de seu novo álbum, Rebel Heart, surgiram na Internet em estágio não finalizado antes mesmo de o projeto ser formalmente anunciado. Mesmo chamando o ato de “estupro artístico” e “uma forma de terrorismo”, ela acabou tendo que ceder, colocando seis faixas completas à venda na web, e prometendo que o resto do material seria liberado em mais dois lances até março de 2015.


Ambas as situações têm precedentes: Madonna tem um histórico de combate aos downloads ilegais de suas músicas, chegando ao ponto de, na época do lançamento do American Life (2003), colocar versões falsas de músicas do disco na rede somente para despistar e irritar os pirateiros.

O lançamento de um único álbum por partes, por sua vez, lembra o experimento do quarteto de rock inglês BlocParty, que lançou a versão digital de seu terceiro álbum, Intimacy (2008), prometendo uma versão física com mais faixas para meses depois.

Quebra de paradigma

Isso mostra uma quebra gritante de paradigma se pararmos pra pensar que, na primeira metade da década de 2000, as gravadoras investiram na tecnologia CopyControl, que impedia a transferência de arquivos da mídia física para o computador, e que, na segunda metade, elas mudaram de estratégia e passaram a contratar serviços de “web sheriff”, que vasculhavam a Internet atrás de sites de compartilhamento de música para fechá-los.

É provável que o fato de duas estrelas do tamanho de Björk e Madonna simplesmente lançarem sua música mais cedo por conta de vazamentos gere um precedente para que, para o bem ou para o mal, o mercado se paute por eles cada vez mais. Até lá, quem não estiver disposto a entrar na nova onda deve reagir aos vazamentos da mesma forma que os grandes chefes de Estado: dar uma declaração polida à imprensa e desenvolver melhores sistemas de segurança.

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