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Zé do Caixão: meio século de terror e sucesso

O BEM VIVER bateu um papo com o criador do famoso personagem para saber curiosidades desses 50 anos 30/03/2013 às 16:55
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José Mojica Marins estrelou 15 produções como o personagem Zé do Caixão
Gabriel Machado Manaus (AM)

Nada mais lógico que a ideia para o personagem Zé do Caixão tenha surgido de um pesadelo. Com uma aparência mórbida, unhas grandes – inspiradas no vampiro Nosferatu – e vestindo sempre trajes elegantes e uma cartola preta, a figura dramática criada pelo cineasta paulista José Mojica Marins, de 77 anos, comemora este ano cinco décadas de muito terror e sucesso no cinema e na televisão do País.

“Não esperava tudo isso, mas sabia que o personagem causaria bastante polêmica. Naquele tempo, ninguém tinha ousado fazer nada de terror no Brasil, apesar de morarmos em um País repleto de folclores e lendas”, comentou Mojica, em entrevista por telefone ao BEM VIVER. Com todo o impacto de Zé do Caixão, foi questão de tempo até que o cruel e sádico agente funerário alcançasse fama internacional. “Nos Estados Unidos sou conhecido como Coffin Joe. Já concedi inúmeras entrevistas e fui capa de algumas revistas por lá”, completou o cineasta.

Ao longo desses 50 anos, o personagem estrelou 15 produções, entre elas, destaque para os cultuados “À meia-noite levarei sua alma” (filme que marcou a estreia do ícone no cinema, em 1963), “Esta noite encarnarei no teu cadáver” (1966), “O estranho mundo do Zé do Caixão” (1967), “O despertar da besta” (1969) e o mais recente “A encarnação do demônio” (2008). “Nessas cinco décadas, tive a oportunidade de trabalhar com gente como o jornalista Jairo Ferreira, o quadrinista e grande mestre desse gênero Jaime Cortez e Gofredo da Silva Teles, filho de Lygia Fagundes Teles, membro da Academia Brasileira de Letras”, ressaltou.

Ditadura

Apesar de ter alcançado o auge de Zé do Caixão na década de 1960, Mojica lembra a forte censura que o personagem sofreu na época da ditadura, quando seu criador foi, inclusive, torturado. “Cheguei a ser preso. Achavam que, com a minha força, eu poderia me tornar um terrorista. No entanto, não me arrependo de nada, pelo contrário, me sinto orgulhoso: fui o primeiro a fazer terror no Brasil”, afirmou.

Ainda sobre esse difícil período, o cineasta credita sua sobrevivência a um relacionamento que iniciou na época. “Conheci a filha de um general, que coloquei em um de meus filmes, e isso me ajudou a resistir. Também tive o apoio de grandes diretores, como Glauber Rocha, que me deram muita força e me aconselharam a fugir do País para não ser morto”, destacou.

‘Cine Trash’

Não foi apenas na Sétima Arte que Zé do Caixão ganhou reconhecimento. Em 1996, na Rede Bandeirantes, o personagem apresentou um dos programas de maior sucesso da emissora: o cultuado “Cine Trash”. Na atração, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, às 14h, ele apresentava diversas produções do gênero que o consagrou. Clássicos como “Re-animator”, “O Cérebro”, “Ghoules”, “A noite dos mortos vivos”, “The evil dead”, “Fome animal”, “O massacre” e “Shakma – Fúria assassina”, entre outros, passaram pela grade da atração – todos escolhidos a dedo por Mojica. “Foi um dos maiores sucessos da televisão brasileira. Eu ‘engolia’ tudo que era televisor”, brincou.

Mesmo com todo o alarde, “Cine Trash” teve vida curta, encerrando as suas exibições no dia 2 de dezembro do mesmo ano, apenas 11 meses após a sua estreia. O cancelamento se deu, em boa parte, pela classificação etária da atração e apelo das emissoras rivais. “Ninguém pensava em outra coisa e isso deixou vários concorrentes revoltados, que, através da polícia e da censura, conseguiram brecar um programa líder de audiência”, frisou o cineasta, que atualmente comanda o talk show “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, ao ar toda sexta-feira no Canal Brasil, à meia-noite (horário de Brasília).

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