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Especial
Hoteis improvisados em casas de parintinenses

Casa de parintinense vira 'hotel' no festival

Moradores de Parintins saem de seus quartos para acomodar os visitantes. A tradição do aluguel acaba criando laços de amizade 25/06/2013 às 10:16
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Há cinco anos família de dona Maria do Carmo deixa os quartos, de mala e cuia, para dar lugar a visitantes da ilha
Carolina Silva Parintins

As placas de “aluga-se suítes para o festival” estão espalhadas por todos os bairros de Parintins. No período da festa popular, a cidade recebe um grande número de visitantes, de todos os lugares do Brasil e do mundo. E se a rede hoteleira do município não dá conta de acomodar todos, a invasão de turitas torna-se uma garantia de bons negócios para os moradores locais que saem de um aperto para passar por outro.

Sendo assim, o ditado popular  de que em coração de mãe sempre cabe mais um não poderia ser mais preciso para descrever o “aperto” na casa de Maria do Carmo da Silva Oliveira, 64,  a dona Carmita. “Se cabe mais um no coração, também cabe mais alguns dentro de casa”, brinca a autônoma.

Há cinco anos os filhos de dona Carmita deixam os quartos, de mala e cuia, para dar lugar a visitantes da ilha Tupinambarana. São seis quartos separados do restante da casa, que fica localizada na rua Alberto Mendes, a poucos metros do bumbódromo. O aluguel de cada cômodo sai por R$ 1,5 mil para a hospedagem no período do  Festival Folclórico.

O “novo” endereço dos filhos de dona Carmita será o mesmo das outras vezes. Aliás, nunca mudou no período da festa.É na casa da mãe, que fica ao lado dos cômodos, e no salão de beleza de uma das noras de Maria do Carmo, também no mesmo local, que todos passam a viver   para que o visitante possa se sentir como um morador local.

“No período do festival o dinheiro é certo por conta do aluguel dos quartos”, garante dona Carmita. Certo também é o aperto que a família Oliveira passa para faturar uma renda extra no período do festival.

Em cada quarto da casa de dona Carmita ficam à disposição dos hóspedes guarda-roupa,cama, banheiro, TV e ar-condicionado. Até mesmo uma piscina de plástico é colocada no quintal da casa da família Oliveira. Tudo isso para garantir conforto aos hóspedes que decidiram trocar a hospedagem em um hotel ou pousada pelo aluguel do quarto.

Retorno certo

“O espaço pode ficar pequeno para a família grande, mas a hospitalidade é farta. Todos são muito bem recebidos aqui”, afirma dona Carmita. E não há dúvidas de que a recepção agrada e conquista os visitantes.  Ela hospeda em sua casa duas turistas de Florianópolis que costumam reservar a hospedagem meses antes das três grandes noites de festa.  “Acho que ceder um pouco do nosso espaço faz com que os visitantes se familiarizem mais com a cidade. E talvez seja isso que os hóspedes buscam”, declarou.

Adinelson da Costa, 31, a esposa e o filho, são hospédes assíduos de dona Carmita. Há cinco anos preferem a hospedagem na casa dela que em hotel. Ele e a família  têm um motivo a mais para se dar tão bem com a família Oliveira, que vai além da hospitalidade da casa: a preferência pelo boi vermelho e branco, embora dona Maria do Carmo  afirme que não se incomoda se o hóspede torcer pelo boi contrário. “Aqui nos sentimos em casa”, disse Adinelson.


Conforto e culinária regional

Às vésperas da chegada dos visitantes, Meire Oliveira, 45, filha de dona Carmita, ajuda a deixar tudo pronto para receberos membros temporários da família. Todos “se viram nos 30” para fazer a mudança e deixar tudo em ordem. “Procuramos oferecer o máximo de conforto e é um corre-corre para garanti-lo. Como não há condições de nos apertarmos com muita antecedência, temos que fazer  a mudança dias antes da chegada dos hóspedes”, disse.


Na semana do festival,  Meire é cozinheira dos hóspedes de dona Carmita e diz gostar de oferecer não só o conforto, mas também um pouco da culinária regional . “Eles são bem tratados desde o conforto dos quartos até a oportunidade de se deliciar com algumas comidas típicas de nossa região como bodó, pão com tucumã e tapioca”, contou.

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